22.10.12

O Círculo Mágico da Arte - Preparação para uma Conjuração (Parte 4)

Quase todos os Magos gostam de Círculos. E isso deve-se ao facto de eles terem sido usados, suspeita-se, muito antes do aparecimento dos primeiros registos escritos acerca da Magia para protecção, isolamento, contenção, ou simplesmente para marcar um limite de espaço num Ritual de Magia. O Círculo da Arte é crucial para a Magia de Conjuração, como podemos ver nos clássicos da Magia (Clavicula Salomonis, Heptameron, Grimoiriuns). Esta tradição mágica acabou por ter impacto na própria cultura, onde se pode ver influências em videojogos, filmes e arte. Apesar dessas aparências nas imagens culturais, as pessoas não têm em mente que o Círculo Mágico é uma ferramenta importante usada no Ritual para protecção e contenção de um espaço consagrado.

Por causa disso, e em verdade, os Círculos Mágicos não precisam de ser muito complexos. Tanto que, em teoria, um simples anel à volta do Mago durante o Rito de Conjuração, feito com terra e purificado com Sal Consagrado, seria suficiente para todos os intentos e objectivos. Em alguns casos na tradição hermética, podem ser usados também na consagração do Círculo voces magicae «vozes de poder». Quem pratica Wicca pode usar um círculo com velas ou com corda.

Contudo, os Magos que seguem as Artes Negras, ou também conhecidos como Magos Goetic (como eu), que se dedicam à Conjuração de Persuasão Demoníaca do Lemegeton, seguem o modelo completo do Círculo de Salomão. Isto, porque o efeito é muito mais forte, coisa que se deve por se incluir todos os desenhos geométricos, nomes das entidades, forças e consagrações.

Um tal círculo, é preferível para espaços onde se vão realizar trabalhos permanentes ou para carpetes, lonas, plataformas que possam ser transportadas de local para local.

No próximo post vou mostrar um dos primeiros círculos que usei, quando me iniciei nas Artes Mágicas.

Bom, então para a preparação de uma Conjuração o Mago irá ter de preparar o Círculo onde vai acontecer o Ritual Mágico. O que está prescrito nas Clavículas é um círculo com cerca de três metros de diâmetro. Porém, não é necessário fazer algo tão grande, pelos menos quando alguém se inicia nas Artes Negras.

Existem muitos desenhos nos Clássicos da Magia sobre Círculos, aqui vou apresentar o que segui quando comecei a lidar com as Artes Negras.


Para se construir o círculo começa-se por fazer dois círculos um sobre o outro. No anel entre os círculos escreve-se os nomes das entidades que governam cada ponto cardinal. Neste caso, aqui é Agla para o este, Adonai para o Sul, Eheieh para Oeste e Eloah para o Norte. Estes nomes representam as entidades para os quatro elementos, governadores dos cardinais segundo Agrippa. Segundo ele:
  • Agla (אגלא), é a contracção de Ateh Gibor Le-Olam Amen, e está associado ao Fogo através da palavra do poder «Gibor».
  • Adonai (אדני) está associado com a Terra através do nome da entidade «Malkuth, Adonai ha-Aretz».
  • Eheieh (אהיה) está associado com o Ar e relacionada com a entidade de puro espírito «Kether».
  • Eloah (אלוה) está associado com a Água através das duas primeiras letras «El (אל)» da entidade a Norte.

Neste esquema, todos os nomes das Entidades estão no círculo exterior e têm quatro letras, começando com a letra aleph (א), o que mostra uma harmonia entre todos os elementos e direcções juntos num tipo de unidade espacial e espiritual. Neste esquema pode ser omitido o uso do Tetragrammaton, especialmente visto que raramente deve ser mencionado (mas poucas vezes é omitido), para além de que o Tetragrammaton já tem implícitos os quatro elementos, coisa que está explícita neste Círculo, pelo que pode ser dispensado.

Dentro do círculo, existe um diamante (losango) onde o Mago deve se posicionar, com uma cruz no seu interior, com uma letra do Tetragrammaton em cada ponta da cruz. Os cantos do diamante, a cruz e as letras do Tetragrammaton estão alinhados para as suas direcções e elementos próprios (yod para este e fogo, heh para sul e terra, vav para oeste e Ar, e o outro tipo de heh para norte e água).

O círculo interior pode ser considerado como as fronteiras para o mundo celestial, e o diamante as fronteiras para o mundo terrestre. Fora do diamante e alinhado com cada uma das quatro direcções estão quatro hexagramas, que são conhecidos por terem qualidades de protecção e de expulsão contra energias perigosas. Contudo, ao contrário do estilo de hexagramas das Clavículas que têm as letras da palavra Adonai escritas à sua volta com a cruz grega Tau no meio, este círculo possui a estrela de azot (influência da magia renascentista).
 

Este hexagrama fonte da influência renascentista na Magia, que muitas vezes em português existe a tentação de traduzir por Azoto, mas que deveria ser traduzido por Azote, e que aqui prefiro usar um termo intermédio com Azot, é uma palavra muito poderosa, que vem da alquimia para se referir aos espíritos essenciais de todas as coisas, a razão suprema, e a acção que determina todas as coisas em todas as realidades. Além disso, pode ser formado por quatro letras dos três grandes alfabetos usados no Ocultismo:
  • A para aleph (א), alfa, ou ay, a primeira letra do alfabeto de origem pré-fenícia.
  • Z para zed, a última letra do alfabeto latino.
  • O para omega (Ω), a última letra do alfabeto grego.
  • T para tav (ת), a última letra do alfabeto hebraico.
Deste modo, nós temos o princípio e o fim de todas as coisas, combinados numa única unidade «Azot»(אZΩת).  Tem uma significado similar, desta maneira com a frase: «[EGO] ALPHA ET OMEGA», contudo devo confessar que essa frase me incomoda porque é estranho ver os nomes das letras gregas pronunciadas em Latim. Contudo, apesar disso, o importante é que este hexagrama possui uma simetria excepcional, pois pode representar os sete planetas como podemos ver:


Por conseguinte, tudo isto resulta num Círculo Mágico forte e harmonioso que se presta a quem começa a lidar com as Artes. Contudo, e fica o aviso, este Círculo não deve ser usado para Alta Magia Negra, pois o Mago não está suficientemente protegido para aquilo com irá ter de enfrentar. Para mim, este círculo é bom para a formação prática do Mago, e para pequenos trabalhos. De vez em quando recorro a ele, por ser simples, para trabalhos simples. Mas nunca para muitas lides infernais. Além do mais, este círculo combina a representação dos elementos, dos planetas, das entidades, com o Mago estando no centro de tudo. Com o processo de elaboração do círculo, falta juntar uma outra dimensão, a saber, a força operativa ou uma «quinta essência» que junta todas as forças do Cosmos, isto é, o próprio Mago. No próximo post explico e mostro fotos do meu processo de elaboração deste círculo quando me iniciei, contudo deixo aqui uma imagem do círculo que agora uso para Magia Negra, mas para conjurações cerimoniais que posso fazer entre quatro paredes.



16.10.12

Mesa do Ritual Mágico segundo a Arte de Trithemius - Versão mais simples

 Recebi duas mensagens após o meu post: "Preparação do Altar e da Mesa do Ritual Mágico segundo a Arte de Trithemius" em que me perguntavam se não haveria um método mais barato e mais fácil ou mais simples de se preparar uma Mesa do Ritual Mágico segundo a Arte e o Rito de Trithemius. E, que não tinha ficado claro nesse meu post a vantagem de se usar uma em detrimento de um círculo simples.

Respondendo à primeira questão, em verdade existe uma maneira mais simples de se a elaborar, contudo os resultados obtidos nela não são tão fortes.

Respondendo à segunda questão, a Mesa do Ritual Mágico é uma ferramenta usada para conjurar espíritos, a vantagem é que esta funciona como um círculo permanente de convocação ou conjuração. O benefício de se usar uma Mesa é que o Mago não tem de voltar a consagrar e purificar uma determinada área sempre que pretende realizar um ritual de conjuração. Esta actua de forma similar ao Círculo e Triângulo da Arte segundo o Rito de Salomão, só que como um altar. Por último, tem a vantagem de ser muito portátil.

Por causa de tudo isto, decidi colocar este post mostrando uma das primeiras Mesas do Ritual Mágico segundo a Arte de Trithemius que fiz há vários anos, quando me iniciei nas Artes Negras.

As indicações principais já encontram no meu post anterior, agora a diferença é que naquela altura não tinha dinheiro para comprar ébano, além de não poder contar com a presença do meu bom amigo para me fazer as gravações na madeira de forma limpa.

Então, naquela altura tive de usar um esquema mais simples, apenas com o estritamente necessário, utilizei o seguinte diagrama:



Então, coloquei os nomes dos planetas e respectivas entidades da parte de fora escritos segundo o alfabeto Celestial com o respectivo símbolo planetário fora do anel, os nomes dos quatro Reis dentro do anel, e da parte de dentro o respectivo triângulo. Nessa altura, decidi remover o nome Tetragrammaton inscrito na parte de dentro do círculo e fora do triângulo, porque iria dar mais trabalho, além de que poderia desconfigurar a Mesa Mágica, e a sua necessidade imediata não parece óbvia.

Nessa altura, comprei uma placa de madeira já cortada na forma circular com cerca de 20 cm de diâmetro, e pedi emprestado a um familiar meu que tinha uma oficina uma máquina para gravar madeira a quente, comprei um verniz e calquei o diagrama na placa de madeira com carvão.

Depois foi meter as mãos à obra e começar, mas antes de começar a placa de madeira usei um outro bocado de madeira para praticar os símbolos. Ao mesmo tempo que ia começando a gravar a madeira, utilizei uma pequena lixa para aplanar, depois limpava aplicava algum verniz na área queimada da gravação, deixava secar e continuava. No final apliquei a última camada de verniz geral em toda a madeira.

Por último, e não descrevi no post anterior, procedi a rituais de consagração e purificação, mas num post mais à frente irei os explicar de forma mais detalhada. Apesar de algumas falhas de principiante à uns bons largos anos, também esta Mesa Mágica foi me de grande utilidade, mas a qualidade da magia também é afectada pela qualidade dos materiais. E com a que utilizo agora, quando emprego os Ritos da Arte de Trithemius obtenho melhores resultados. No entanto, e se a memória não me falha esta ficou-me por qualquer coisa como 60,00€.




15.10.12

A Relação entre o Círculo da Teoria e o Círculo da Prática na Magia e no Crescimento Espiritual

Uma coisa fundamental que todos devemos saber sobre Magia e Realidade, é a relação intrínseca entre a teoria filosófica e os trabalhos Mágicos. E mais importante ainda, como é que esta relação vai mudando, evoluindo e amadurecendo ao longo dos anos de prática e experiência Mágicas.
Diagrama explicativo do Círculo da Prática, do Círculo da Teoria e da Experiência e Crescimentos Pessoais. + Malleus Maleficium

Quando comecei eu considerava as teorias e filosofias da história da Magia como pura especulação. Algo como que uma teoria morta e árida, tão morta e árida como os seus autores estariam agora.

Contudo, hoje em dia penso de forma totalmente diferente. Devo reconhecer a sabedoria do meu Mestre quando me obrigava a conhecê-las todas. Esses estudos permitiram-me descobrir e ver alguns traços que os nossos antepassados nos deixaram a partir das suas reflexões e experiências mágicas, coisa que hoje em dia perpetuamos à nossa maneira. É como ler um Diário Mágico de um outro Mago. O que é uma adição valiosa para o meu trabalho, pois oferece-se me um outro ponto de referência para as minhas experiências interiores. Eu estou a elaborar o meu próprio, e é desse modo que se começa a ver mais claro o Círculo da Teoria e da Prática.

Sinceramente, quando comecei nas lides Mágicas havia para mim um muro entre o Círculo da Teoria e o Círculo da Prática. E este muro tinha diferentes camadas de tijolos entre si. Eu já lia os livros antigos, e outras fontes como de Eliphas Levi, Crowley, Trithemius, Bardon ou Evola, tudo aquilo a que conseguia deitar mão. Contudo, não conseguia perceber de forma clara o muro que tinha construído e como este devia se dissolver para evoluir. E aí muito agradeço ao meu Mestre que sempre foi realmente um Mestre e me ajudou a melhor perceber e incorporar na minha Vida o Círculo da Teoria e o Círculo da Prática.

Fazer este muro desaparecer, a saber, a linha invisível que separa a teoria da prática é uma coisa totalmente diferente para mim. Os círculos começaram a ficar mais claros, aquilo que considerava como um muro inconscientemente, passou a ser hoje uma linha ténue. Esta junção das linhas resultou do meu Mestre e também da minha própria experiência, quando através de um processo de validação pessoal eu percebia que as vozes e letras daqueles antepassados falavam ainda hoje no meu presente e que eu com a minha experiência nas lides Mágicas ia experimentando processos similares aos deles.

Por isso, a sabedoria vem de se saber conjugar os dois. Até porque a Sabedoria só resulta de se ter uma Teoria bem Fundada na nossa Mente, aliada com o Crescimento proveniente da Experiência. É preciso errar, falhar, tentar de novo. É preciso experimentar, seguir e ser seguido. É preciso compreender que esta sabedoria que se pode ganhar em várias dimensões da vida, ganha um corpo especial na Prática Mágica.

Protecção da Casa e dos que nela Habitam de todas as Forças do Mal - Receita e modo de Preparação da Unção de Protecção de Fogo.

Quando começamos a lidar com a Magia, abrimos uma porta onde passamos a conhecer coisas excitantes, mas essas coisas transportam consigo certos riscos. Afinal de contas quando estamos verdadeiramente inseridos na Magia tanto as pessoas ao nosso redor como os espíritos começam a aperceber-se de modo diferente da nossa presença, assim como aquilo que poderemos ou não significar para eles. É como alguém que sempre viveu no anonimato e por algum motivo começa a aparecer nos ecrãs de televisão, começa a ser conhecido pela generalidade das pessoas, mas outras que ocupam a mesma posição podem encarar a nova celebridade como um rival a ser eliminado, ou como alguém que representa um determinado perigo.

Por causa disso, é sempre importante, não só para Magos ou Bruxos bem como para Leigos ter algum tipo de escudo ou protecção, especialmente quando de alguma maneira nos envolvemos com este tipo de entidades e de forças ocultas.

Por tudo isto, decidi colocar aqui um post sobre um tipo de protecção que também utilizo e que é boa para qualquer pessoa que dela pense necessitar, ou que prefira jogar pelo seguro.

Esta Protecção que vos apresento significa à letra: «Unção de Protecção de Fogo». Pois ela combina as essências do Fogo, de Marte e do Sol para criar uma barreira material e espiritual de protecção que tanto defende do Mal, bem como de estranhos visitantes. Apesar da Unção ser feita à base de óleo e este ser tradicionalmente categorizado mais com Sol do que com Marte, devido à minha experiência e ás diferentes conjugações que tenho vindo tentar melhor, eu decidi incorporar de forma mais explícita a Força de Marte.

Ingredientes:

  1. 1 Colher de Chá de Sal Rosa (ou outro Sal que possua óxido de ferro);
  2. 1 Colher de Chá de Canela;
  3. 1 Colher de Resina de Sangue de Dragão (é uma resina vermelha com a qual se produz incenso proveniente da Ásia e também das Ilhas Canárias);
  4. 1 Colher de Chá de Olíbano;
  5. 1 Colher de Chá de Mirra:
  6. 1 Colher de Café de Canela do Vietname (ou Canela de Saigão);
  7. 1 Colher de Café de Colorau;
  8. 1 Colher de Café de Gengibre em pó;
  9. 1 Colher de Café de Madeira de Sândalo Vermelho triturado;
  10. 2 Copos de Óleo de Rícino;
  11. 1 Copo de Azeite;
  12. 2 Recipientes a gosto de vidro;
  13. 2 Rolhas de Cortiça;
  14. Cera de uma Vela para selar;
  15. Tecido de Algodão Branco.

Preparação:

  1. Juntar todos os ingredientes secos num almofariz e com o pilão, continuar a esmagar misturando melhor as diferentes essências.
  2. Depois  adicionar esta mistura do almofariz nos recipientes de vidro;
  3. Adicionar aos recipientes o Azeite e mexer bem;
  4. Adicionar o Óleo de Rícino e mexer bem;
  5. Colocar sobre os recipientes de vidro as rolhas de cortiça e selar com cera derretida juntamente com o tecido para garantir que estão bem selados em ordem a estarem bem fechados durante o processo de consagração.
A criação desta unção deve ser realizada ao Domingo numa hora solar diurna, e a mim durou cerca de quarenta minutos a preparar e a mexer. É suposto que a unção fique com uma cor avermelhada.

Consagração:

Entre a hora de Marte e a hora do Sol dessa mesma tarde eu fiz a unção, depois conjurei as entidades de Marte e do Sol, a saber Kammael e Miguel, no meu altar de modo a que eles soubessem o meu intento para esta unção, que eu lhes apresentei e pedi que «carregassem a unção». Depois deixei a unção no meu altar durante o resto do processo de consagração.

Depois conjurei Kammael, a entidade de Marte, numa terça-feira durante a hora de Marte, e pedi-lhe juntamente às entidades Bartzabel e Graphiel para abençoar, carregar e potenciar a unção de forma a que esta actuasse como uma poderosa lança contra as entidades e energias maléficas que me tentassem trair. Tudo isto seguindo o ritual de Trithemius. Isto porque ele tem dos melhores rituais de Magia de Protecção.

Depois coloquei os recipientes de vidro com a unção consagrada, um na minha mesa de cabeceira e o outro à porta de entrada.

Nesse Domingo, a saber oito dias depois do dia em que preparei a unção, abri todas as janelas de casa, e deixei a manhã toda a casa com correntes de ar a arejar. 
Depois nesse mesmo dia esperei pela hora do Sol.
E fui por toda a casa purificar o espaço. Peguei em velas que anteriormente tinha elaborado e consagrado, acendi-as, juntamente peguei na minha terrina de barro da fumegação de protecção e com carvão vegetal incandescente queimei uma mistura de Arruda e Alecrim, e passei por ela em toda a casa. Ao chegar às janelas e portas exteriores da casa, deixava cinco gotas do óleo na ponta esquerda e direita assim como ao centro do parapeito da janela bem como da entrada de cada porta da casa. De forma a garantir que todos os acessos da minha casa estavam bem barrados e protegidos. Até as entradas dos fios exteriores, como aquela que liga o meu telefone e o meu router, assim como dos meus exaustores foram todas elas protegidas.

Este ritual deve ser elaborado semanalmente caso pressinta estar a ser vítima de algum ataque ou presença do maligno. Caso contrário basta uma vez de três em três meses.

13.10.12

O Verdadeiro e Original Livro de São Cipriano - Clavis Infernis

Talvez a generalidade das pessoas não saiba que os Livros intitulados de São Cipriano que geralmente vê à venda em livrarias como na Fnac, Bertrand entre outras não são o livro original, mas versões adaptadas às tradições mágicas Ibéricas e do Brasil. Por isso, é que existem tantas versões diferentes com algumas disparidades sérias. Contudo, noutros países o mesmo acontece, por exemplo na Suécia eles têm uma versão própria do Livro de São Cipriano. Para saber um pouco mais sobre São Cipriano veja este post.

Contudo, o Livro original intitula-se Clavis Infernis, a saber «a Chave para o Inferno». Existe uma boa tradução do original em Inglês que aqui vos deixo para quem quiser ler o livro autêntico.




São Cipriano o Santo Negro: o Exemplo de como as Artes não têm verdadeiramente cores, e que em tudo se pode obter Crescimento e Ascensão Espiritual

São Cipriano mais conhecido na tradição da Igreja Católica como São Cipriano de Antioquia é um requintado paradoxo, e na minha opinião, uma figura que vem resolver o dualismo filosófico provocado por um juízo moral errado do senso comum. A saber, a ideia que as pessoas geralmente têm, de que quem pratica ou recorre à Magia Negra tem necessariamente de ser alguém eticamente má. Então, a questão interessante a ser colocada pode ser esta: pode alguém ser um Mago Negro ou servir-se das Artes Negras e mesmo assim procurar realizar para si uma elevação e transformação espiritual? E ultimamente, o que é que constitui essa transformação se não uma ascensão para a realidade espiritual?

O Mito deste Santo tem muitas camadas e pontos de vista, quando alguém se detém em observar a veneração que lhe é dada nas tradições presentes desde a América do Sul à América do Norte (ele está mais presente nessas culturas do que na nossa cultura Europeia), onde é tido principalmente como o Patrono dos Magos, Bruxos e de qualquer pessoa dada às ciências ocultas, percebe-se que a tradição desses locais encontrou nele um exemplo de quem tendo na sua vida seguido as Artes Negras nunca deixou de através delas procurar a sua ascensão espiritual.

A vida deste Santo é bastante curiosa e boa de se saber. São Cipriano como relatam as fontes históricas e hageográficas foi um poderoso Mago, bem sucedido nas Artes Negras. Ele era especialista em Magia Negra de Conjuração, onde são relatados os seus muitos trabalhos na invocação e conjuração de Legiões de Demónios para aumento da sua sabedoria e para dominar as Artes. Contudo, aconteceu que um seu cliente certa vez pediu-lhe um trabalho de Alta Magia Negra contra a pessoa de Santa Justina. Aconteceu que esta Santa conseguiu repelir os espíritos impuros lançados por São Cipriano. Acontece, que Cipriano nessa altura teve uma revelação, e percebeu que apesar da cor negra da sua Arte, esta podia ser um meio de ascender espiritualmente. E, apesar de ter continuado um Mago Negro, ele converteu-se ao Cristianismo de então, muito diferente daquele que hoje se assiste, e pregou junto dos pagãos tendo convertido a muitos. Ao mesmo tempo, e a Igreja Católica tentou sempre apagar este facto, ele prosseguiu a sua sabedoria nas Artes Negras. Mais tarde São Cipriano tal como Santa Justina foram martirizados.

O que a Igreja Católica procura apagar é o outro lado da vida deste Santo. São Cipriano deixou-nos um Livro Negro; um Grimoirium famoso e temido através de toda a diáspora. O que é interessante sobre isso é a ambiguidade que este Grimoirium provoca em torno deste Santo, em parte por causa dos muitos mitos que estão associados a este livro. Uma dessas referências antigas, afirma que São Cipriano em verdade não se converteu totalmente ao Cristianismo, mas que este foi um meio para aprofundar o conhecimento das Artes e do seu próprio crescimento espiritual.

O Livro original de São Cipriano descreve todos os tipos de operações mágicas, desde pequenos feitiços até conjurações cerimoniais. Ele encontra-se intrinsecamente relacionado com o Grimoirium Verum. Tanto que encontramos no Livro de São Cipriano uma hierarquia dos espíritos infernais similar a este último. O que não deixa de ser curioso e que passa ao lado de muitas pessoas, para além dos mitos associados a ele, é que neste livro encontramos boa parte das raízes da tradição Umbanda e Quimbanda tão presentes no Brasil. Assim como a primeira vez que o li em português (Antigo Livro de São Cipriano: o Gigante e verdadeira capa de aço) encontrei nele imensas fontes brasileiras, feitiços e títulos que eram claramente brasileiros e não do próprio Santo. Isto deve-se à imensa influência que o livro deixou na cultura mágica brasileira. Tanto que hoje o livro chega-nos em português com mais da sua influência brasileira do que conteúdo verdadeiramente original de São Cipriano.

O que é realmente importante é que neste Santo encontramos alguém com um pé no lado Branco e outro no lado Negro. Ele demonstra com a sua vida, que é possível crescer no bem como no mal, que é possível ser se coerente praticando as Artes pelo seu valor e, que ao contrário do que o senso-comum diz, nem o dito «lado branco» ou «lado negro» são impeditivos no crescimento e elevação espiritual. Um exemplo disto, recorrendo à tradição brasileira, é que tanto umbandistas assim como quimbandistas e outros magos, quando têm de lidar com dificuldades espirituais recorrem muitas vezes a este Santo. Pois acredita-se que ele intercede junto dos praticantes das Artes, dando-lhes força, protecção e alento.

Por tudo isto, São Cipriano de Antioquia incorpora verdadeiramente esta visão mágica para mim, de alguém que soube levar a Arte até ao fim, e nela continuar a sua ascensão espiritual, pois bem e mal não têm cores, da mesma maneira que nem a Arte nem os seus praticantes e seguidores têm cores.

Demónios - Amon - Shemhamphorash

7. Amon é o Sétimo Espírito. Ele é um Marquês de grande Poder, mas muito severo. Ele aparece ao Mago como um lobo com cauda de serpente, vomitando labaredas de fogo da sua boca; mas sob comando do Mago ele coloca-se com uma forma humana com dentes de cão numa cabeça similar à de um corvo; ou então também pode transmutar a sua forma para humana somente com uma cabeça similar à de um corvo. Ele faz saber todas as coisas passadas. Ele procura almas indefesas e reconcilia controvérsias e discórdias lançadas pelo mau espírito. Ele governa quarenta Legiões de Espíritos Impuros. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.

Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).

Demónios -Valefor - Shemhamphorash

6. Valefor é o Sexto Espírito. Ele é um poderoso Duque, e aparece ao Mago sob a forma de um leão com cabeça de asno. Ele é infernalmente considerado um bom familiar, mas se o mago o tentar (oferecer um bom preço) ele rouba os próprios familiares (a saber, é bom para ser usado contra-magia negra). Ele governa dez Legiões de Espíritos Impuros. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.
 
Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).


12.10.12

Elaboração de Talismãs Amuletos para Magia de Invocação e Protecção Pessoal com Pentagramas Solares

Os Talismãs Pentagramas de Magia de Evocação são poderosos amuletos que vêm prescritos nas Clavicula Salomoni e nos Grimoiriuns Mágicos. Eles auxiliam o Mago proporcionando uma defesa Mágica face às potenciais ameaças que este irá encontrar ao longo da realização das Artes Negras. Para além disso, estes talismãs defendem qualquer pessoa, mesmo não Magos das insidias do mal, bem como de ataques que sejam lançados contra a sua pessoa.

Para começar, como vem prescrito, acordei bem cedo por volta das 05h00 da manhã. A primeira coisa que fiz foi tomar o banho ritualizado (segundo o método das Clavicula Salomoni), vesti a túnica alva e dirigi-me para a minha sala mágica dedicada aos materiais (tenho em casa uma sala templo negro, uma sala mágica para rituais e uma sala mágica para elaboração e preparação de materiais, além de um pequeno oratório).

Mesa Mágica com os materiais necessários à elaboração dos Talismãs Pentagramas Solares. + Malleus Maleficium
Preparei tudo dentro do meu círculo dedicado à preparação de materiais, tendo dado inicio com as fumegações de incenso e de ervas. De seguida, preparei a tinta, as cores e os restantes materiais que iria utilizar, previamente deixados dentro do círculo no dia anterior.

Incenso granulado sobre o Pergaminho onde iria inscrever os Pentagramas Solares. + Malleus Maleficium
Comecei por recitar as orações e ladainhas próprias (que vêm prescritas nos Grimoiriuns), e logo comecei a sentir as entidades a aproximar-se. A minha sala estava brilhante com os primeiros raiares do sol, e quente como se o sol estivesse a bater em mim directamente.

De seguida, comecei o trabalho de cortar o pergaminho para depois o pintar, escolhendo alguns selos solares das Clavicula Salomoni para Talismãs bem como Pentagramas de Protecção à Magia de Evocação dos Grimoiriuns. Infelizmente não tenho mãos de pintor, mas o realmente importante é que todo o processo cerimonioso foi seguido assim como todas as instruções, estando os amuletos bem carregados e devidamente preparados. Mais do que beleza ou estética na Magia a chave é a Boa Preparação.







Preparação do Altar e da Mesa do Ritual Mágico segundo a Arte de Trithemius

1ª Parte - A Forma

A Forma da Mesa do Ritual Mágico segundo a Arte de Trithemius vem descrita no seu pequeno livro: "A Magia e Filosofia de Trithemius Spanheim: contendo o seu livro das coisas secretas e da doutrina dos espíritos".

Os elementos que têm de estar presentes são os seguintes:
  1.  Três símbolos dentro do círculo à volta do cristal;
  2. O signo do Tetragrammaton junto ou à volta dos três símbolos;
  3. Os nomes dos quatro arcanjos: Miguel, Gabriel, Uriel e Rafael;
  4. No lado oposto da Mesa os seus nomes e caracteres;
  5. Os sete planetas com os seus selos;
  6. Os espíritos maiores com os seus selos e, os nomes dos quatro Reis dos quatro cantos da terra.
 De seguida, a Mesa tem de caber no altar, no meio do Círculo da Arte. Depois de ter medido o máximo de espaço que poderia dar à mesa, no meu caso, percebi que não podia medir mais de 30 cm de diâmetro. Depois, toda a Mesa tem de ser feita de madeira e esculpida com todos os selos, caracteres e nomes, isto porque não se pode pintar por cima da mesa os selos, caracteres e nomes. Para isso contei com o auxílio de um amigo meu, entendido na arte de trabalhar madeira (e que me pediu para não revelar o seu nome). Sendo a imagem que se segue o diagrama segundo o Rito de Trithemius que pedi que fosse esculpido na madeira.

Círculo Mágico segundo o Rito de Trithemius

Agora, mostro aqui um pequeno esquema que fiz para se compreender melhor a estrutura do espaço do Ritual quando se utiliza o Rito de Trithemius, e o local que a Mesa ocupa no Ritual.

Esquema de como fica o Espaço no Ritual de Magia segundo Trithemius. + Malleus Maleficium

2ª Parte - Os Materiais

Para construir a Mesa do Ritual Mágico decidi comprar dois tipos de madeira, a saber Pterocarpus para a base da Mesa e Ébano para o Triângulo que iria ser embutido na base da mesa, no qual seria colocado o cristal. Ambas estas madeiras tiveram de ser importadas de África, nomeadamente de Angola, para isso tive de recorrer a um amigo meu ligado à construção civil, caso contrário podem ser compradas pela net, vindo importadas da China mas sai muito mais caro.


3ª Parte - O Fabrico

 Para o fabrico da Mesa Mágica recorri ao meu bom amigo, que me deu uma mão preciosa neste trabalho. Então, basicamente o processo de fabrico seguiu oito etapas:

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  1. Cortar a tábua de Pardouk segundo uma forma circular de 30cm de diâmetro. Cortar a tábua de Ébano segundo a forma de um triângulo.
  2. Cortar no interior da tábua circular, a forma do triângulo de Ébano.
  3. Colocar o triângulo na tábua principal circular.
  4. Copiar o diagrama mágico para a base da mesa.
  5. Esculpir e gravar o diagrama na madeira.
  6. Preencher as ranhuras da madeira trabalhada com cores. Em verdade, Trithemius não nos deixou escrito as cores a serem empregues, mas procurando ser homogéneo com os seus escritos, recorri ao preto, prateado e vermelho.
  7. Perfurar o Ébano para se aparafusar a estrutura do Cristal. Esta estrutura de Cristal tive que importar de Itália, onde produzem-nos por encomenda e manualmente seguindo os Ritos Próprios.
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4ª Parte - O Trabalho Final


Valeu a pena o custo e o esforço. E muito útil me tem sido ela para o seguimento das Artes. O custo total desta Mesa ficou-me por cerca de 1900,00 €, mas tem valido cada cêntimo.

A Dinâmica do Contacto Mágico - ou a Compreensão do Impacto Invisível


 Após algumas questões que me foram colocadas, pensei ser uma boa altura para partilhar alguns conhecimentos fundamentais sobre as Artes Negras. Se alguém não perceber alguma parte do que vou explicar faça o favor de me contactar.

Então, tudo começa com a simples percepção de que o contacto a um nível físico move-se de fora para dentro. E aqui é fácil guardarmos as nossas fronteiras. Imaginemos o círculo mágico que se encontra diante de nós. Nele podemos nos defender e banir qualquer intruso: da mesma maneira que uma agulha que nos fere pode ser removida da nossa pele, a comida que nos parece estragada pode ser evitada, e também  podemos evadir de um encontro desagradável com alguém com quem não queremos falar. A ideia chave é que nós estamos basicamente a ter controlo sobre o nosso corpo e a nossa fronteira com o mundo externo.

Contudo, o contacto interno (ou interior), move-se numa direcção diferente, a partir do interior para o exterior. Aqui as fronteiras são muito mais difíceis de guardar. A diferenciação entre o Eu e os Outros, entre o que é genuinamente nosso e genuinamente externo, torna-se um desafio de crescimento que dura toda a nossa vida. Todavia, o que temos de compreender em todos os tempos é que quando algo ganhou acesso ao nosso nível interior, ao nosso ser, este poderá nos mover contra nossa vontade para o exterior. Isto é, afectar o nosso sistema nervoso, o nosso corpo físico e ultimamente o mundo à nossa volta. 

Portanto, os riscos e os perigos em estabelecer contacto são invertidos tanto a nível externo como interno. A nível externo o risco mais básico é o de um contacto físico que possa ferir o nosso corpo - como um acidente automóvel, uma agressão, violência doméstica etc... Uma vez que alguém já tenha experimentado algum destes e o seu corpo já se tenha reestabelecido, a nível interior o impacto sofrido continua, a cura do corpo não acompanha ao mesmo tempo a cura da nossa mente, os traumas físicos perduram nas nossas mentes. Somente nestes últimos dois séculos que começámos a compreender as nossas «feridas interiores», que muitas vezes se segue de algum trauma físico que tenhamos vivido. Nos nossos encontros quotidianos com a realidade exterior nós somente podemos observar e prever certos acontecimentos que outras pessoas poderão vir a fazer, mas não podemos prever com a mesma certeza o que vai na mente das outras pessoas. Isto, porque qualquer coisa relacionada com as nossas experiências interiores permanecem na maioria das vezes ocultas ao exterior.

Diagrama da Compreensão do Contacto da Realidade Externa para a Interna. (Clique para ampliar) + Malleus Maleficium

O risco e os perigos na nossa realidade interior são invertidos da seguinte maneira: Numa visão nós podemos estabelecer um contacto com todos os tipos de entidades e forças espirituais, contudo muitas vezes não temos conhecimento do impacto que estas poderão ter no nosso sistema nervoso e no nosso corpo. O contacto é feito em primeiro lugar a um nível interior. Isto é, a nossa mente recebe impulsos sob forma de imagens, cores, palavras e experiências interiores. Estas experiências realmente consistem na troca de energias sob a forma de imagens, palavras, cores, luzes e até recordações.
Diagrama da Compreensão do Contacto da Realidade Interna para a Externa. (Clique para ampliar) + Malleus Maleficium




Enquanto vagueamos pelo nosso mundo interior, certas imagens ou acções podem nos parecer completamente inocentes ou até mesmo irrelevantes- enquanto o seu impacto na nossa mente, sentidos e corpos pode ser incrível. Isto porque nos esquecemos dos poderes e correntes que vagueiam do interior para o exterior, nós frequentemente não nos apercebemos delas, andamos distraídos. No mundo exterior nós sabemos que colocar as nossas mãos numa panela com água quente pode ser prejudicial. Contudo, devido à nossa ingenuidade, no que diz respeito ao mundo interior, não temos tanto cuidado.

Tanto andando a vaguear em visões interiores como no mundo externo são experiências que criam a chave para a nossa sobrevivência evitando os perigos. Os nossos sentidos são as portas no círculo mágico sobre o que somos: elas abrem as nossas fronteiras para irmos ao encontro do mundo que está à nossa volta e dentro de nós.

Os Magos que desenvolveram um sentido forte de tocar e apreciar o mundo externo estarão mais preparados para as forças que terão de encontrar no mundo interno. Através do seu sentido de serem porteiros entre realidades, que sabem quando se devem abrir e fechar, estes fizeram diminuir a distância que vai do interior para o exterior.

Alcançar e treinar estas capacidades não é difícil, é uma questão de meditação e concentração. Por exemplo, na sua próxima refeição pare diante da comida que tem à sua frente. Não comece já a tocá-la, a comê-la. Mas imagine como vai ser a sensação de tocá-la e de mastigá-la, imagine o sabor, a sensação de descer pelo esófago, e imagine como aqueles nutrientes vão entrar no seu organismo e alimentar o seu corpo. O que é que experimenta quando faz esta experiência? Que reacções físicas se desencadeiam no seu interior? Que emoções isto liberta em si? De seguida, comece a comer. E compare o que lhe veio à mente com aquilo que agora está a experimentar. Todas as experiências externas movem-se para o interior, e é no nosso interior que as devemos de escutar e apreciar bem, de forma a treinarmos os nossos sentidos e sermos mais perspicazes dos seus efeitos ocultos até então em nós. Isto é a magia da realidade externa.

Agora, na realidade interior - frequentemente acedida através de sonhos ou de visões na nossa consciência - a chave para a abertura do sentido interior, relacionado com o que já vimos em cima, é um fluxo de poder de ordem inversa. As coisas podem parecer inofensivas no interior - uma imagem, um cheiro, um toque - mas elas podem desvelar o seu verdadeiro impacto na nossa realidade externa, pois muitas vezes a nossa realidade interna materializa-se na externa sem darmos conta disso.

Então, o que deve ser superado são os potenciais perigos da realidade interna, que são tão ou mais perigosos que o da externa. A verdadeira ventura para o Mago é conhecer estes perigos e evitá-los. A saber, os espíritos comunicam no nosso interior, e ao mago tentam subverter. A loucura é o maior perigo que os Magos enfrentam, até mesmo o suicídio como alguns que já conheci. Por isso, é saber escutar donde vêem certas moções interiores, donde brotam, qual a sua origem, para onde me levam? O conhecimento interior da forma como os sonhos, visões e moções do nosso eu fluem é fundamental, para qualquer um e não só para o Mago, são eles que permitem que evitemos os perigos do mundo interior, tanto sob a forma de depressões, como até de maldições sobre nós lançadas. Por isso, pare, escute o seu mundo interior, que emoções anda a sentir, com o que é que anda a sonhar, para onde é que o andam a levar essas moções e veja se o seu fim é bom, ou se é mau, se for mau, com treino poderá saber evitá-las.

Contudo, como tudo na vida, isto requer uma enorme disciplina, prática e atenção. Mas, principalmente paciência. Como tudo também na vida, o que é complexo pode ser fácil, mas o que é simples pode ser das coisas mais difíceis de alcançar.