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20.3.13

Atraso nas publicações de Março e Resposta aos Leitores

Infelizmente e apesar de ter prometido a vários leitores tratar no mês de Março dos temas das possessões, pactos e magia financeira, tal não me tem sido possível.
Tal como havia explicado em Fevereiro, estou inserido num projecto de publicação de história da magia. Ao contrário do que eu pensava, quando aceitei o convite, estou a ter dificuldades em gerir o meu tempo, assim como estou a ter mais trabalho com as investigações do que aquilo que se fazia prever. Apesar deste esforço, tenho uma intuição de que este projecto não irá estar concluído dentro do tempo útil de 4 anos, mas poder-se-á arrastar para 8 ou mais. Isto se não houver entretanto alterações ao projecto, pois uns dos problemas que agora facilmente se antevê é o projecto ser demasiado ambicioso e extenso para os recursos que actualmente dispomos. Pelo que creio que dentro em breve, os objectivos do projecto terão de ser revistos ou minorados para se conseguir cumprir uma primeira publicação dentro de 4 anos.

Principalmente por isto, e pelo facto que este projecto obriga-me a fazer várias viagens, que acabam não só por me cansar mas por me tirar imenso tempo tenho tido muitas dificuldades em conseguir responder a todas as dúvidas, perguntas e esclarecimentos que me têm sido feitos. Infelizmente nestas 2 últimas semanas quase não tenho tido o tempo para somente responder com um breve comentário aos muitos leitores que vão fazendo ou perguntas pontuais, ou pedidos de temas a serem abordados.

Em príncipio, a partir de hoje estarei um pouco mais disponível, e procurarei responder a todas as pessoas a quem ainda não respondi.

Irei tentar se conseguir até final de Março iniciar uma vaga de posts desta vez dedicados aos pactos e magia financeira, devido de receber imensas dúvidas sobre o assunto. Mas não posso prometer conseguir começar já em Março essa vaga de posts.

Obrigado a todos os leitores, recomendações e sugestões, e assim que tenha uma brecha de tempo procurarei responder a todos e iniciar uma nova vaga de posts informativos assim como fiz com respeito às amarrações.

6.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 3: História das Amarrações - Magia do Amor, Idade Média)

Tendo visto de forma simples a história da Amarração ou da Magia do Amor na Grécia Antiga, iremos agora avançar para o período medieval e renascentista. Com respeito ao último post perguntaram-me sobre a mesma Magia no mesmo periodo histórico mas noutras culturas, nomeadamente nas culturas Orientais. Aproveito agora para responder que infelizmente apenas sei coisas soltas sobre as velhas tradições Mágicas Orientais. Nunca me debrucei muito sobre essas tradições Mágicas. Tenho alguns bons livros sobre essas tradições, que mal tenha um pouco mais de tempo irei colocar à disposição para Download. Assim como não tão oriental mas próximo do Médio Oriente, irei colocar fontes das tradições Persas e Mesopotâneas, que foram em parte quem trouxe muitos conhecimentos Mágicos para a Grécia.

Por uma questão de simplificação vamos considerar a Idade Média como tendo ínicio após a Queda de Roma no ano de 476dc e tendo o seu fim com a queda de Constantinopla em 1453. Também por simplificação vamos considerar o Renascimento como o período que vai desde a queda de Constatinopla até ao século XVII. Logo neste post vamos cobrir este período histórico.


Infelizmente desde a Queda de Roma até ao Renascimento, sendo que este último foi um dos periodos mais férteis da História da Magia, assiste-se a uma carência de informação sobre a transição dos Ritos Mágicos Helénicos até aos Ritos Mágicos Renascentistas que são aqueles que tomam a forma mais similar com aquilo que hoje em dia se pratica. Aquilo que temos actualmente ao nosso dispor são pontas soltas. Contudo, essas pontas soltas são em número suficiente para termos uma boa imagem da História da Magia do Amor durante aquele período.

Durante o período da Idade Média, poucos eram aqueles que sabiam ler e escrever, por causa disso muitas das informações que temos vêem da parte de membros da Igreja Católica que praticavam Magia Cerimonial. Por isso, em parte o que sabemos vem destas fontes.

No que diz respeito às Amarrações e à Magia do Amor,  observamos que existem algumas coisas que se mantêm desde o período Helénico e outras que se alteram. Como havia mencionado no post anterior, novamente as mulheres são victímas do estereótipo e mito de serem as responsáveis pela práctica e desenvolvimento deste tipo de Magia.

Por outro lado, um impulso dado nos Ritos de Amarração ou de Magia do Amor acontece com a obra de São Cipriano, onde começa a surgir uma sistematização de vários Ritos Gregos e Egípcios, tendo como fim último a Amarração de Ágape, aquela que é similar ao entendimento comum de hoje em dia. E é com base nesta sistematização de São Cipriano que encontramos vários ritos e notas ao longo da subsequente história medieval, como por exemplo a do Monge Alemão Jonas Sufurino no ano de 1001.

Ao mesmo tempo, observa-se a um renovamento da Amarração de Eros, tendo o fim último de apenas se alcançar relações sexuais. Estes ritos ganham nova forma na Idade Média, e os seus relatos e ritos escritos dizem respeito a Monges e membros do Clero Católico. Poder-se-ia dizer que o fim último destes ao recorrerem a este tipo de Magia era o de Flertarem (perdoem-me o neologismo). É interessante observar que este uso da Magia de Amor surge num contexto muito diferente daquele donde teve a sua origem. Em certos estratos e pontos da Cultura Grega assistia-se a uma liberalização da sexualidade sendo nesse contexto o surgimento de vários relatos da Amarração de Eros. O que agora é curioso na Idade Média Cristã é o ressurgimento e reforço desta prática Mágica, mas agora num contexto em que a sexualidade é reprimida.

É interessante também se observar que a Amarração ou a Magia do Amor é um dos princípais alvos por parte da Inquisição sobre quem pratica as Artes, como se observa numa nota de 1627 em Veneza por parte do tribunal da Inquisição. Para mais detalhes pode-se ver no seguinte livro nas páginas 80-82, basta carregar no link: «Davies, O - Grimoires: A History of Magic Books. Oxford: Oxford University Press, 2009»

Contudo, deste último ponto é importante salientar que surge um novo tipo de Amarração, ou mais precisamente, não um novo tipo mas uma nova finalidade. A ideia que hoje temos de casamento (ou matrimónio num paradigma cristão), tem a sua origem com a evolução do cristianismo. Por isso, na Idade Média começa-se a assistir a amarrações com o objectivo último de salvar casamentos. Apesar de a questão do divórcio ser quase nula durante aquele período, o objectivo era salvar a relação e não evitar o divórcio como infelizmente hoje acontece. Um desses relatos, chega-nos de uma Maga (ou Bruxa para quem preferir) de nome Elisabete que procura recuperar a relação amorosa com o seu marido Teodorico. Contudo, como anteriormente havia referido não eram só as mulheres que praticavam a Amarração, mas os homens igualmente o faziam. Para mais detalhes sobre este tema, recomendo a leitura da página 187-188 do seguinte livro, basta carregar no link: «LÁNG, B. - Unlocked Books: Manuscripts of Learned Magic in the Medieval Libraries of Central Europe. University Park: Pennsylvania State University Press, 2008».

Ao mesmo tempo, começa-se a observar o uso da antiga Amarração Grega baseada na Philia (que expliquei no post anterior), a saber, uma amarração para criar um vínculo de amizade, mas desta vez com fins políticos. Existem relatos de que o Rei Polaco Augustine Sigismund (1520-1572), seria alvo deste tipo de trabalhos para se obter favores políticos com recurso a influências femininas. Para se ver fontes diversificadas sobre este tema basta carregar neste link: «Brzeżinska, A. - “Female Control of Dynastic Politics in Sixteenth-Century Poland"». E neste link: «Brzeżinska, A. - “Political Significance of Love Magic Accusations at the Jagiellonian Court”»

Então, deixa de ser praticada a Amarração de Afectos com o fim de «suavizar os corações» ou «ligar o que anda distante» para ser agora uma forma de vínculo a melhor se conseguir algo de um determinado alvo.

É no final do Renascimento com o surgimento dos Grimoriuns (com a forma actual com que se apresentam) que as Amarrações ou Magia do Amor foram  consolidadas.

Muito mais haveria para se dizer sobre este e o período da Antiguidade Clássica. Contudo, estes posts procuram ser simples. Em princípio não irei tratar o periodo histórico subsequente até aos nossos dias, visto já serem muito similares com o que hoje praticamos. Para mais informações este próximo livro também é interessante, basta carregar no link: «SZEGHYOVA, B. - The Roles of Magic in the Past. Bratislava: Pro Historia, 2005».




5.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 2: História das Amarrações - Magia do Amor)

Tendo no post anterior introduzido de forma simples alguns dos pressupostos para toda esta série de posts. Será agora importante uma contextualização da Amarração, não só no contexto actual, mas também dentro da história da própria Magia. Aproveito desde já para actualizar os livros e fontes que disponibilizo para Download, pois neste e nos posts subsequentes irei colocar algumas fontes que me parecem importantes para quem quiser ler, estudar ou melhor se informar.

Tal como havia referido em um post anterior, a Magia Cerimonial hoje practicada tem origem nas Tradições Mágicas Antigas. Estas tradições têm origens muito remotas desde as antigas civilizações. Todavia, os primeiros registos históricos que hoje nos chegam datam da entitulada Antiguidade Clássica. Deste um dos mais importantes são os antigos papiros Egípcios.

A História da Magia do Amor já vem relatada no Antigo Egípcio, os Egípcios recorriam às Entidades para alcançarem os seus desejos Afectivos. Encontrando-se ai fontes dos rituais Mágicos por eles utilizados, que curiosamente apresentam uma estrutura similar à que hoje em dia se pratica.

Contudo, as fontes mais interessantes e detalhados sobre a história da Magia do Amor encontram-se no princípio da Tradição Helénica, e da Cultura Greco-Latina mais tardia. Nestas fontes encontramos não só rituais devidamente descritos, bem como os fundamentos que subjaziam a esse rituais, assim como o entendimento social desse tipo de Magia na Sociedade. Curiosamente, alguns dos mitos que hoje encontramos, já se encontravam presentes em preconceitos gregos sobre essa própria Magia.

Um desses preconceitos dizia respeito ao facto de serem apenas as Mulheres a recorrer a tais recursos em ordem a conquistar os seus entes amados. Contudo, uma investigação muito interessante pelo Prof. Dickie revela que os homens recorriam tanto a esses feitiços como as mulheres. Recomendo a leitura deste artigo: «DICKIE, M. "Who practised love-magic in classical antiquity and in the late Roman world?" In: The Classical Quarterly, Cambridge Journals, 50, 2000, pp. 563-583.».

É importante ter em conta que a língua Grega distingue três palavras específicas para a nossa palavra Amor. Para além das típicas combinações, os Gregos não utilizavam o termo e não pensavam o conceito como nós. Então de forma simples os Gregos consideram três conceitos:

  1. Philia (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor de Amizade ou de filiação, desta palavra chega-nos de forma imperfeita na nossa linguagem os conceitos de amizade a algo, como por exemplo: Columbofilia, Algofilia, etc.)
  2. Eros (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor Sexual ou todos os aspectos da sexualidade mas intrinsecamente ligadas ao Amor, como por exemplo a descrição em Língua Portuguesa de Sexo como «Fazer Amor» ou «Relação Amorosa». Este termo está presente na nossa linguagem como: Erotismo, Erótica, etc.)
  3. Ágape (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor Perfeito ou Puro. Neste termo encontra-se o amor de reciprocidade, de uma amor que representa fidelidade, altruismo, entrega total, amor genúino e puro. Infelizmente este termo não se encontra presente na nossa linguagem, e quando aparece está ligado ao contexto religioso cristão, como por exemplo naquele livro pateta que podemos encontrar em qualquer livraria ou na estante da Fnac de um Padre vestido de Franciscano.)

Agora, o leitor pode estar a questionar-se sobre o porquê de ser importante expor estes termos. A resposta a isso prende-se com a importância de compreender melhor a Amarração no contexto Helénico, bem como o de ser uma alavanca para a sua compreensão hoje em dia.

Por conseguinte, agora podemos entender que a Magia do Amor nos seus primórdios Helénicos encontra o seu contexto de inteligibilidade nestes três conceitos. E mesmo estes conceitos foram sofrendo diferentes entendimentos ao longo da história Grega e da nossa. Como já mencionei em cima, as diferentes religiões Cristãs aproveitaram-se esta divisão conceptual para difundir as suas crenças sobre um Amor Divino e um Amor Terreno, tal como para demarcar o que os homens deveriam seguir. Mas o mais importante é que toda a Magia do Amor subsequente encontra nestes ritos a sua origem.

Contudo, antes de avançarmos será importante ver como estes três conceitos tiveram impacto na História da Magia Cerimonial Helénica.

Comecemos pelo conceito de Eros (que já em cima resumi), durante o período clássico ele tanto foi entendido como uma força poderosa que curava e que permitia aos homens elevarem-se, assim como foi entendido como uma doença e um veneno do qual deviam de se abster (interpretação dada e seguida ao longo da história por parte do Cristianismo que procurou reprimir o prazer da sexualidade). Este Eros não era considerado somente no abstracto, mas no concreto na realidade do amante (entendido como aquela que projecta amor) e do amado (entendido como aquele que recebe e pode ou não corresponder ao Eros do amante). Um desses exemplos e um livro clássico da nossa cultura como da Magia é o Fedro de Platão (carregar no link para aceder a ele). Ao contrário daquilo que o senso-comum nos informa sobre o dito «Amor Platónico», a saber, uma versão naive e errónea daquilo que realmente encontra-se descrito em Platão, para este é uma força poderosa que está ligada principalmente à ética e ao idealismo Platónico. Nesse livro, poderão encontrar uma narração bastante interessante sobre um amante e um amado (na história ambos do sexo masculino) mas que pode ajudar a melhor compreender como era o Eros concebido em mais detalhe naquele tempo.

Contudo, aquilo que pretendo chamar à atenção é nesta polaridade do conceito de Eros, que simplificando tanto podia ser uma cura como uma doença. Similar ao termo grego Pharmakoi, do qual herdamos a palavra fármaco ou medicamento, que tem um duplo sentido em Grego, ao contrário do nosso. Pois este termo Grego tanto significa literalmente cura como veneno.

Por conseguinte, estamos aptos a perceber o porquê de na história da amarração e da Magia do Amor, nos ritos Gregos encontramos o Eros como uma Doença e a Magia do Amor uma maldição, coisa que infelizmente ainda hoje perdura granças ao preconceito Cristão que tomou esta doutrina para condenar as Amarrações e Magia do Amor. Por outro lado, também encontramos nos ritos Gregos o Eros como saudável e a Magia do Amor como uma Cura ou um Fortalecimento. Neste último sentido, as Amarrações não eram condenadas e procuradas como forma de se encontrar cura para a nossa existência, e assim uma vida mais feliz. Recomendo para quem desejar aprofundar este tema a leitura do capítulo 8, páginas 214-234 deste livro, basta carregar no link: «OBBINK, D. (ed.) - Magika Hiera: Ancient Greek Magic and Religion. Oxford: Oxford University Press, 1991.»

Prosseguindo, deste Eros vem um dos tipos de amarração (este tópico será desenvolvido em subsequentes posts) que infelizmente anda muito desinformado, chamado de Domínio Sexual. Este tipo de amarração visava não manter uma relação amorosa estável com o Alvo (como no ágape), mas apenas alcançar o objectivo de se conseguir uma relação erótica com alvo. Importa sublinhar que neste contexto, os ritos e as descrições mágicas dos mesmos não comportavam exclusivade, ou seja, não visavam que a pessoa alvo à qual o comendador desejava manter relações sexuais fosse somente fiel ao comendador. Para quem desejar aprofundar parte deste tema recomendo a leitura das páginas 41-94 deste livro, basta carregar no link: «FARAONE, C. - Ancient Greek Love Magic. Cambridge: Harvard University Press, 1999.»

Por outro lado, a partir do philia surge um tipo de amarração bem diferente daquilo que vulgarmente hoje se entende. Esta trata-se de uma Amarração de Amizade ou Amarração de Afectos. O objectivo desta, era a criação de um laço profundo de amizade e de afeição que podia ou não originar uma relação sexual ou uma relação amorosa, mas que tinha como fim último uma aproximação entre pessoas diferentes e a cessação de hostilidades entre elas. Os termos clássicos podiam ser conceptualmente traduzidos como «suavizar os corações» ou «ligar o que anda distante». Secalhar atrevo-me a traduzir para os dias de hoje como uma Amarração Soft. Um vínculo perpetuo de amizade, entreajuda e cumplicidade. Para quem desejar aprofundar parte deste tema recomendo novamente a leitura do mesmo livro mas nas páginas 97-131, bastando carregar no link do livro:«FARAONE, C. - Ancient Greek Love Magic. Cambridge: Harvard University Press, 1999.»

Por último, a partir do Ágape surge aquilo que mais se assemelha ao entendimento geral de amarração. Esta tratava-se de criar um vínculo afectivo perfeito entre o alvo e o comendador. Ou seja, criar a possibilidade de uma verdadeira relação amorosa. Contudo, este tema vai ter de ser tratado em mais detalhe nos subsequentes posts.

Finalmente queria chamar à atenção para uma bom livro para melhor se compreender a História da Magia durante este periodo. A saber, este livro do Prof. Dickie, bastando carregar no link do livro: «DICKIE, M. - Magic and Magicians in the Greco-Roman World. Nova Iorque: Routledge, 2001».





4.2.13

Estado de Coisas 2013

Infelizmente nestes últimos tempos não tenho publicado nada neste meu projecto de divulgação da verdadeira Magia. Muito disso deve-se a vários factores. Desde alguns problemas de saúde, até ao número de trabalhos em Magia que tenho vindo a realizar.
Contudo, o mais importante tem sido os projectos em que me tenho envolvido. Nomeadamente, por volta de Setembro decidi começar a escrever aquilo que desejo vir a ser a minha Grande Obra de Magia. Ou seja, planeiei e comecei a redação de uma trilogia de livros sobre Magia.

Todavia, até esse meu projecto assim como as traduções que estava a fazer viram-se ser relagadas para segundo plano com uma proposta que recebi.
Esta proposta veio de um bom amigo meu nos Estados Unidos que é dono de uma pequena editora que publica essencialmente livros sobre Magia Cerimonial.
Este novo projecto que tem consumido grande parte do meu tempo, e que me tem feito empreender diversas viagens, resulta do facto de um investigador ter descoberto em uma Biblioteca Europeia uns velhos manuscritos que dizem respeito ao periodo de transição da Magia Cerimonial.
Este pequeno achado que veio ao conhecimento deste meu amigo Editor poderia fornercer as evidências que têm faltado sobre o como foi evoluindo a Magia Cerimonial desde a queda de Roma até à Europa Renascentista. Mas porque é que isso é tão importante?
A importância deste achado vem explicar algo que na história da Magia Cerimonial não era claro, isto é, como é que os autores dos Grandes Tratados Mágicos que estão datados durante o final da Idade Média até ao Renascimento tiveram conhecimento da Magia de Conjuração, tendo a sua actual forma origem nas Civilizações Clássicas. Como é que esta sabedoria arcana foi passando de geração em geração, sobrevivendo aos numerosos atritos da Igreja Católica, passando pelo facto de muitos livros que desse tempo nos chegaram somente se deveram ao esforço dos Beneditinos entre outros membros da Igreja que os foram copiando até à invenção da imprensa, sendo estes mesmos vís inimigos da agia. Bem, este investigador conseguiu encontrar meio perdidos alguns destes valiosos achados que nos podem melhor ajudar a compreender o Grimoirium Verum, assim como as Chaves de Salomão.
Por causa disso, e com muito gosto meu fui convidado a fazer parte deste projecto coisa que me tem vindo a consumir cada vez mais tempo. E trabalho esse que creio só ver a luz do dia num livro publicado no mínimo daqui a quatro anos.

Apesar de tudo isto, vou me esforçar ainda mais a publicar aqui os meus materiais assim como pequenas partes daquilo que desejo vir a ser a minha Grande Obra de Magia Cerimonial.

13.10.12

Demónios - Amon - Shemhamphorash

7. Amon é o Sétimo Espírito. Ele é um Marquês de grande Poder, mas muito severo. Ele aparece ao Mago como um lobo com cauda de serpente, vomitando labaredas de fogo da sua boca; mas sob comando do Mago ele coloca-se com uma forma humana com dentes de cão numa cabeça similar à de um corvo; ou então também pode transmutar a sua forma para humana somente com uma cabeça similar à de um corvo. Ele faz saber todas as coisas passadas. Ele procura almas indefesas e reconcilia controvérsias e discórdias lançadas pelo mau espírito. Ele governa quarenta Legiões de Espíritos Impuros. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.

Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).

Demónios -Valefor - Shemhamphorash

6. Valefor é o Sexto Espírito. Ele é um poderoso Duque, e aparece ao Mago sob a forma de um leão com cabeça de asno. Ele é infernalmente considerado um bom familiar, mas se o mago o tentar (oferecer um bom preço) ele rouba os próprios familiares (a saber, é bom para ser usado contra-magia negra). Ele governa dez Legiões de Espíritos Impuros. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.
 
Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).


12.10.12

Demónios - Marbas - Shemhamphorash

5. Marbas é o Quinto Espírito e, um Grande Presidente Infernal. Ele aparece ao Mago sob a forma de um grande leão, mas depois sob o comando do Mago, ele coloca uma forma humana. Este espírito infernal responde com verdade às questões que lhe são colocadas sobre coisas que se mantenham escondidas ou secretas. Ele causa doenças sobre as suas vítimas, mas principalmente proporciona grande sabedoria e conhecimento nas artes negras. Quando possui ele muda a forma dos possuídos. Tendo governo sobre trinta e seis Legiões de Espíritos Impuros. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.

Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).

Demónios - Samigina (ou Gamigin) - Shemhamphorash

4. Samigina (ou Gamigin) é o Quarto Espírito Principal. Sendo um Grande Marquês, ele aparece inicialmente ao Mago sob a forma de um pónei ou de um asno, alterando depois a sua forma para a de um homem. Ele fá-lo sob o comando do Mago. Ele pronuncia-se sibilando como o relinchar de um cavalo. Ele tem governo sob trinta Legiões de Espíritos Impuros Inferiores. Ele ensina todas as ciências liberais, e dá conta de todas as almas mortas em pecado. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.
 
Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).

Demónios - Vassago - Shemhamphorash

3. Vassago é o Terceiro Espírito. Sendo um poderoso Príncipe e, da mesma natureza de Agares. Este Demónio é de boa natureza, e o seu ofício é descobrir todas as coisas perdidas ou desaparecidas. Ele tem governo sobre vinte e seis Legiões de espíritos impuros. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.

Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).

1.10.12

Demónios - Agares (Agreas) - Shemhamphorash

 2. Agares (ou Agreas) é o Segundo Espírito Maligno e um Duque (na hierarquia infernal). Ele está sob o poder do Este, e desvela-se de forma ligeira sob o aspecto de um velho homem justo, montado sobre um crocodilo, trazendo no seu pulso um milhafre. Ele faz o alvo do Mago correr o caminho infernal, anunciando-lhe que aqueles que evitam esse caminho, irão acabar por percorrê-lo. Ele ensina todas as línguas e tons. Também tem o poder de destruir todas as dignidades e potestades, tanto espirituais como temporais. Ele foi da Ordem das Virtudes. Tendo sob o seu governo trinta e uma legiões de espíritos. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.

Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).

28.9.12

Demónios - Buer - Shemhamphorash

10. Buer é um Grande Presidente Demoníaco e o décimo Espírito. Ele aparece sob a forma de um Sagitário e, essa é a sua forma quando o sol está presente. Ele ensina Filosofia, tanto Moral como Natural, assim como a Lógica da Arte Negra, bem como as Virtudes de todas as ervas e plantas. Ele sara todas as têmperas (tanto pode ser traduzido como dando vigor, bem como significando a têmpera a que se submete o metal para ele ganhar consistência) ao homem. Ele governa cinquenta Legiões de Espíritos Infernais, e este é o seu selo para o aplacar, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.

Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).

Demónios - Baal (ou Bael) - Shemhamphorash

 1. Bael (ou Baal) é o Primeiro Espírito Principal. Sendo Rei e governando o Este. Ele faz o Mago ficar invisível. Bael governa cerca de sessenta e seis Legiões de espíritos infernais. Ele aparece de diferentes formas: umas vezes como um gato, outras como um sapo, ainda como um homem, ou ainda mais raramente todas essas formas duma só vez. Ele fala com voz rouca. A imagem aqui disposta é o seu selo, que deve ser usado diante dele como um pendente sobre o pescoço. Caso contrário ele não cederá aos intentos do Mago.

Cf., Lemegeton, Goetia, Shemhamphorash (Tradução minha do original).

27.9.12

Sobre o Pseudomonarchia Daemonum (Libber Officiorum spirituum) (Parte 2)

 Na obra de Weyer estão presentes variações dos nomes de muitos demónios, revelando isto que ela foi redigida mais ou menos na altura em que Weyer leu as Clavículas de Salomão, cerca do ano de 1563.

Infelizmente, Weyer deixou uma nota ao leitor em que admite ter omitido muitas passagens do texto original, de forma a deixar impraticável o livro. Um estudo realizado por Boudet, inclui uma comparação detalha de dois textos da época, em que revela que a obra de Weyer já vem cortada desde o princípio,  e que essa informação diria respeito a Lucifer, Belzebu, Satan e aos quatro demónios dos pontos cardinais (Cf. BOUDET, J. - Les who's who démonologiques de la Renaissance et leurs ancêtres médiévaux. In: Mediévales, nº 44, 2003, pp. 117-140) Além disso, o ritual no fim do Pseudomonarchia é muito menor que o presente no Liber Consecrationum (Cf., KIERCKHEFER, R. - Forbidden Rites: a Necromancer's Manual of the Fifteen Century. The Pennsylvania State University Press: University Park, 1998, pp. 256-276). Por último, o próprio texto de Weyer apresenta sinais de abreviação.



Já é reconhecido desde à muito que a obra de Weyer apresenta similaridades com o primeiro livro do Lemegeton, a saber, o Ars Goetia, que corresponde de forma aproximada ao catálogo de Demónios de Weyer, apesar que no texto de Weyer não apareçam selos demoníacos, e os demónios invocados o sejam por uma simples conjuração, e não pelo completo rito do Lemegeton.


Contudo, a diferença mais relevante entre a obra de Weyer e o Ars Goetia encontra-se na ordem dos espíritos. Até agora não encontrei explicação para essa diferença, nem nos autores nem nas minhas próprias conclusões; é quase como se um baralho de cartas tivesse sido baralhado. Acrescente-se a isso que no Ars Goetia estão presentes mais quatro demónios.

Todavia, outra pequena singularidade pode ser de maior significância, a saber, que o quarto demónio presente na obra de Weyer, isto é, Ruflas (ou Bufas), foi acidentalmente deixado de lado na célebre tradução para Inglês de Reginald Scot (encontrado no seu muito racional «Descoberta da Magia» de 1584). Outra explicação pode ser o facto deste demónio não se encontrar na obra de Weyer numa edição que possa ter sido utilizada por Scot para traduzir o texto. O que é curioso sobre esta ausência de Pruflas (ou Bufas) é que é o único demónio que não consta da lista do Lemegeton. A vantagem deste enigma é que ele poderia ser resolvido, caso fosse encontrada uma edição específica que introduzisse este defeito. É que a resolver este enigma, estaríamos aptos a também corrigir, ou precisar melhor, a data da composição do Ars Goetia na sua presente forma.



26.9.12

Tradução dos Clássicos de Magia

Há cerca de oito anos dei início a um projecto de tradução das obras mais relevantes da Magia Negra para Língua Portuguesa. Esse projecto não consistia na dupla tradução dos textos (do Inglês para o Português), mas de uma tradução integral dos seus originais em Latim Escolástico (ou Latim Medieval) para Língua Portuguesa.

A pertinência deste projecto advém da dificuldade de se encontrarem as obras mágicas bem traduzidas. E, se já o é difícil em Língua Inglesa, tanto mais o é na nossa Língua Portuguesa. Porém, existem algumas traduções em português (do Brasil), que são de muito fraca qualidade. Comparativamente, também são fracas muitas das traduções disponíveis em Língua Inglesa. Eu somente me apercebi deste facto, quando comecei as ler os livros mágicos no original. Foi aí que tive a oportunidade de comparar as diversas traduções, em especial as Inglesas, pois foi nelas que tive acesso a este manancial. Destas debilidades, iniciei o projecto de eu mesmo as traduzir, corrigindo os defeitos que havia encontrado.

Consequentemente, este projecto visava a publicação destas obras em edição bilingue, tal como acontece em muitas traduções de obras medievais e clássicas, onde surgem as páginas divididas ao meio, com o original do lado esquerdo e a respectiva tradução do lado direito. Deste modo, qualquer pessoa poderia comprovar a qualidade da tradução, pelo confronto com o original, sendo essa a grande mais valia de uma tradução fiável.

Outra grande vantagem surgiria para o público português, principalmente ele visado por este projecto, que assim poderia ter acesso a esta sabedoria ancestral, de forma fiável e precisa. 
Entretanto, este projecto foi sofrendo sucessivas interrupções. Em primeiro lugar, porque não é qualquer pessoa que os pode traduzir. Um problema frequente em qualquer tradução, é o chamado problema hermenêutico (disciplina interdisciplinar que estuda o fenómeno da interpretação, da semântica e de uma metafísica da informação). Ou seja, como diria Gadamer, a matéria a ser traduzida encerra em si mesmo um mundo. Outro problema, é que cada Obra contém dentro de si um Jogo de Linguagem, desta vez falando como Wittgenstein. Por conseguinte, o tradutor destas obras teria que ser alguém especialista no mundo e na dinâmica da própria obra. Por isso, tem sido difícil para mim, estando sozinho neste projecto, conseguir todas as traduções que pretendo. Muitas estão já iniciadas, mas são necessários colaboradores de valor.

Outra dificuldade, é que eu conheço Latim Clássico, Renovado e Escolástico (ou Medieval). E poucas são as pessoas que dominam bem o Latim Escolástico, visto ser essencial o seu domínio para uma correcta interpretação, passo essencial para uma boa tradução. Isto deve-se ao facto de que o Latim aprendido nas escolas secundárias (e cada vez menos são os alunos que estudam latim) ser Clássico. Outro, é que mesmo ao nível universitário (e também são cada vez menos os alunos que se especializam em latim nas Universidades) o foco de estudo é o Latim Clássico.

Contudo, e apesar das dificuldades, o projecto segue em frente.