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20.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 14: Respostas e Esclarecimentos das Dúvidas dos Leitores Amarração - Magia do Amor)

Neste post vou procurar responder às principais questões que me foram feitas sobre os posts aqui colocados. Infelizmente devido à escassez de tempo não tenho podido responder a todos os e-mails que me são enviados com questões sobre esclarecimentos sobre um ou outro ponto. Como tal, decidi agrupar as questões mais colocadas e aproveitar agora para as responder. Agradeço desde já a todos os leitores pelos imensos feedbacks e perguntas que tenho recebido, e que por motivos de tempo, não tenho podido responder pessoalmente.

ATENÇÃO: Este post também vai acarretar os seus riscos, visto algumas das coisas que aqui vou mencionar poderem ir contra algumas das crenças pessoais dos leitores. Aviso desde já que não quero faltar ao respeito a alguém, sendo que neste espaço procura-se respeitas todas as crenças.


Breve Prelúdio


O principal propósito deste Blogue é ser um espaço de divulgação e informação.
Infelizmente, tal como disse no início desta série de posts, existe uma grande desinformação. A própria internet que é uma ferramenta tão boa, acaba às vezes inadvertidamente por ser uma fonte não de informação mas de desinformação. Passo a explicar.

A História do nosso Conhecimento, é uma história percorrida por diferentes culturas ao longo dos tempos. As culturas nos seus múltiplos contactos, umas com as outras, trouxeram influências benéficas e prejudiciais. Regra geral, esta história do contacto multicultural trouxe mais benefícios do que prejuízos.

Se observarmos, em muitas áreas do Saber a troca de ideias provenientes de outras culturas trouxe avanços. Por exemplo, na área da Matemática desde a partilha dos algarismos, até à introdução do conceito de Zero (0), passando pelos primórdios da Álgebra, encontramos uma partilha de saberes oriundos de diferentes culturas que beneficiaram o nosso Saber Matemático.

Mais contemporaneamente, a área da Gastronomia beneficiou dos múltiplos costumes e combinações provenientes de diferentes culturas, hoje encontramos receitas e pratos com influências asiáticas ou africanas que ajudam a enriquecer a nossa própria gastronomia.

Contudo, nem sempre é assim, e por vezes é importante saber distinguir aquilo que enriquece pela mistura, daquilo que pode ser prejudicial e originar uma verdadeira salada.

Por exemplo, a presença excessiva com a respectiva imposição de uma determinada cultura com seus costumes sobre outra pode ser prejudicial quando esta última abraça de forma cega todas as suas práticas e inadvertidamente abafa as suas próprias origens culturais. Basta para isso ver como no início dos Descobrimentos os missionários católicos conseguiram subverter determinadas culturas ao seu modelos Europeu, separando algumas delas das suas próprias raizes e tradições. O processo começava na cristianização terminando numa aculturação.

Certas vezes quando o multiculturalismo é em demasia, pode-se dar uma tal assimilação ou combinação que pode descaracterizar diferentes culturas ao mesmo tempo. Por vezes, este processo pode ser positivo, outras vezes pode ser negativo.

Agora, já podemos chegar àquilo que pretendo transmitir no início deste post.
As ditas «Ciências Ocultas» em parte foram victimas deste processo de multiculturalismo de crenças, porque sofreram uma tal junção de combinações diferentes, que considero eu, as afastaram mais de um aprofundamento do conhecimento do que as aproximaram, focando principalmente a informação junto do grande público. Eu sei que esta minha declaração pode ser entendida de forma polémica, mas a enuncio apenas para exemplificar um fenómeno que o considero mais prejudicial do que benéfico nas «ciências ocultas».

Para exemplificar isto que estou a dizer e antes de aplicá-lo fiz este diagrama com o intuito de mostrar que de três distintas culturas: X, Y e Z; deram resultado num exemplo de multiculturalismo excessivo à cultura #.
Diagrama que exemplifica a origem da Cultura # como a soma indiscriminada de Crenças da Cultura X, Y e Z. Para perceber melhor este diagrama recomendo que clique na imagem para ampliar.



Com este diagrama pode-se perceber que o sistema de crenças da Cultura # pode ser descrito como
Cultura # = Crença A e F da Cultura X + Crença G e L da Cultura Y + Crença Q e R da Cultura Z

Agora no que é que isto diz respeito às «Ciências Ocultas» e mais precisamente às Amarrações? Bom isto é o Prelúdio que vos queria explicar, para que tenham em mente à maioria das questões que me foram feitas, pois elas em certo sentido brotam daqui. Isto resulta de forma ampla do facto das «Ciências Ocultas» serem um aglomerado de diferentes crenças, provenientes de diversas fontes, fundidas sem um critério que pretenda validar e demarcar as crenças legítimas das ilegítimas, ou seja, sem um critério que pretenda separar o trigo do joio, demarcando aquelas que efectivamente enriquem o património do Saber daquelas que não enriquecem, e que para além de redundantes são prejudiciais ao todo. E vamos agora perceber isso com respeito à maior parte das questões colocadas pelos leitores.

Algumas das perguntas dos leitores podem categorizar-se em três temas de fundo:
  1. Vidas Passadas e Reencarnação:
    1.  "Com uma relação a 0 neste mundo é possível uma amarração com alguém que tenhamos tido uma relação numa vida passada?"
    2. "De que forma uma amarração pode prejudicar a minha reencarnação?"
    3. "Existe a possibilidade de garantir uma amarração que perdure para uma futura reencarnação?"
  2. Energias e Espírito:
    1.  "Podia explicar o processo da fusão de energias do comendador e alvo no plano espiritual?"
    2. "E quando comendador e alvo não estão no mesmo plano espiritual é possivel unir as suas energias?"
    3. "É preciso que o comendador tenha tido relações sexuais com o alvo? Ouvi dizer que a energia sexual é eterna e que assim ajuda à união de energias eternas"
    4. "Preciso de renovar a minha amarração quando as energias cósmicas mudarem?"
  3. Médiuns, Poderes e Visões
    1. "Posso saber a resistência do alvo com recurso a um médium?"
    2. "Consegue-se saber o processo de amarração através de uma vidente?"
    3. "Pensei fazer uma amarração mas uma senhora disse-me que a pessoa que eu queria estava a ser protegida pelo falecido pai"
    4. "Um médium disse-me que é impossível a minha união porque tenho um encosto"

Decidi colocar aqui algumas das questões que inadvertidamente foram as mais colocadas, e que no fim de contas são aquelas que mais inquietam os leitores. A todos desde já agradeço as vossas questões.

Este tema é delicado, e agora poderão melhor o porquê de ter iniciado este post com aquele prelúdio.

Muitas destas questões têm raizes em crenças. Cada leitor e cada pessoa tem dentro de si o seu sistema de crenças. Muitas das «crenças» erróneas sobre as «ciências ocultas», resultam do facto de os leitores receberem desinformação. Esta desinformação brota principalmente do início da globalização, quando certos «autores do oculto» em vez de estudarem divulgaram de forma sensacionalista livros e coleções de ensaios com misturas de tudo e mais alguma coisa.

Não é díficil nenhum leitor se dirigir a uma livraria e encontrar nas estantes do «esoterismo» ou «ciências ocultas», montes de livros que tratam imensos temas de maneiras diferentes, muitas das vezes contraditórias entre si e que alegam ser a panaceia de todo o conhecimento «sobrenatural». Nós encontramos reencarnações, forças cósmicas, energias místicas, consciências quânticas, teorias da conspiração planetária, vidências, sonhos e calamidades, energias sexuais, etc....

Muitos destes temas e a maneira que são explorados resultam de um movimento apedidado de «New Age» ou «Nova Era» que resultam de uma mistura pela mistura de crenças sem critérios que procura pegar em temas de diferentes tradições, retirando-as do contexto que lhes conferia inteligibilidade, inserindo num novo contexto e procurando conferir-lhes inteligibilidade não pela sua ligação a uma narrativa cultural mas pela junção de outras crenças que perderam o contexto que lhes conferia inteligibilidade. Desse modo umas crenças suportam as outras, a imagem explicativa que me vem sempre à mente é o de uma Árvore sem raizes apenas feita da soma de ramos cortados a outras árvores. Para melhor exemplificar isso procurei uma imagem que mostrasse a ideia que vos quero transmitir:
Imagem Explicativa do movimento «New Age»


Infelizmente, o movimento «New Age» vingou e conseguiu infiltrar-se de forma bem sucedida nas «ciências ocultas» tanto que a maior parte dos livros que se encontram naquela estante de livros que vos expliquei é ele de uma maneira directa ou indirecta descendente da «New Age». Como tal, outra coisa que caracteriza a «New Age» para além do desenraimento são as constantes auto-contradições e incoêrencias das suas crenças.

Expliquei isto, porque nota-se nas questões feitas pelos leitores o enquadramento «New Age», não quero de alguma forma atacar os leitores, mas apenas evidenciar isto que pelas conversas que tenho tido não se apercebem da influência «New Age» das suas crenças.

Tendo isto por mente posso agora passar às questões.

Sinceramente, e sei que é a crença partilhada por muita gente, não creio e os grandes clássicos da Magia não crêem em Vidas Passadas e Reencarnações. Como tal às perguntas (1.1); (1.2); (1.3) a resposta é não.

Ao contrário do que vem escrito na maioria dos livros «New Age» a reencarnação não nasce apenas no Oriente com o Budismo e afins. Podemos ir para mais perto e observar que os Gregos já possuiam essas crenças, até o livro «O Fedro» do Platão que aqui já recomendei, quando chegam a meio do livro podem lá encontrar descrita a narração de como supostamente uma alma poderia ascender ao céu encontra outra a puxaria para a Terra para assim sucessivamente Reencarnar. A crença da Reencarnação não é algo puramente oriental. Curiosamente essas crenças nasceram do facto dos nossos antepassados não terem um pensamento temporal linear.
Passo a explicar, só recentemente é que na história da humanidade o tempo foi concebido enquanto linear ou seja similar a uma recta que parte imaginemos do 0 e caminha em linha recta em direcção a (+oo) sem tocar no ponto de origem. Para os nossos antepassados, eles observavam o mundo à sua volta como um enorme cíclo de repetições, para os gregos o facto de as estações do ano repetirem-se de forma cíclia, o facto das formas da lua também se repetir de forma cíclica, juntamente com o observarem o constante ciclo das colheitas, das pessoas e dos animais, em que uns morriam e outros nasciam, fê-los pensar que o tempo era como um enorme cíclo em que tudo estava condenado a repetir-se.
É desta repetição Grega que surge a ideia do Mito do Eterno Retorno, que no sex. XIX é retomado pelo fílosofo Nietzsche nos seus livros. Foi esta ideia que teve por detrás do surgimento da ideia de encarnação, que chega agora até aos nossos dias de forma completamente deturpada. Pessoalmente não creio na reencarnação, e respeito quem tenha tal crença. Por agora, não vou avançar muito mais neste tema, mais à frente irei dedicar um post somente a ele, mas por agora apenas vou afirmar que a resposta é Não. 


Com respeito às energias algo de similar acontece, as energias foram temas pegados de tradições antigas, juntas às emergentes ideias da física do princípio do sec. XX que formaram um cocktail de ideias sobre nós e energias, que mais recentemente viram a incorporação da mecânica quântica para cientificamente legitimar esta salada de ideias.
Como é obvío usam a mecânica quântica de forma abusiva daquilo que os modelos teóricos procuram representar, mesmo que actualmente na comunidade científica acha um conflito de interpretações sobre a mesma, não é preciso estudar-se muito para perceber que estas ideias das Dimensões Quânticas, e das Consciências Quanticas com as Energias Cósmicas e outros tantos proclamados pela «New Age» apenas é um tecido formado por linhas e padrões contraditórios.

Um dos problemas de responder a esta questão é como é que eu e o leitor compreendemos o conceito de «Energia». Para que um diálogo seja proveitoso, os interlucutores de um diálogo têm que concordar entre si no significado dos termos utilizados. Caso contrário como diz a expressão popular: «Misturamos Alhos com Bugalhos».
Vou tentar descrever o que entendo por energia começando de forma negativa, ou seja dizendo aquilo que não considero ser. Não considero «Energia» como um pseudo-existente Metafísico. Eu creio que o conceito de energia deva ser naturalizado, e descrito como a ciência o faz como Energia Cinética e Energia Potencial. Sendo estas dimensões exclusivas da matéria e das partículas que a constituem. Por isso mesmo e respondendo às questões que me foram feitas nada disso se verifica.

Secalhar para clarificar vou explicar a questão das relações de outra forma. Tal como havia dito nos posts em que tratei as relações, aqueles valores que exemplifiquei repito são apenas metáforas explicativas, e não metáforas factuais. Fiz este esquema para ser mais claro:



As relações entre as pessoas não são resultados de energias que têm de se fundir. Todas as nossas teias de relações encontram-se na nossa mente. É lá que temos as nossas memórias, assim como os sentimentos que experienciamos ao longo da vida. Tudo isso é vivido materialmente no nosso cérebro. Os vínculos entre duas pessoas acontece nos nossos cérebros e faz parte da nossa vida social e mental. O trabalho espiritual das Entidades em nós, é o resultado da estimulação mental/espiritual nas nossas mentes. Quando as Entidades fazem os alvos desejar, fazem-no através da estimulação mental. Quando somos persuadidos pela publicidade que expliquei no post anterior, a nossa mente é estimulada. Este estímulo resulta de processos internos, mas os processos internos acontecem porque fomos estimulados externamente.

Por isso é que não pode haver Amarrações com pessoas das quais não temos contacto nem relação, ou seja vínculo 0, porque as Entidades não têm matéria no Alvo para trabalhar. O facto do trabalho das entidades nos Alvos ser tão personalizado deve-se ao facto de que cada caso é um caso, cada pessoa encerra em si própria uma identidade única e uma narrativa pessoal. Dentro dessa narrativa, faz parte as pessoas da nossa vida, tenhamos ou não um vínculo forte com elas. É das memórias, da nossa personalidade e temperamento que as Entidades movem no sentido de persuadir o Alvo em direção a alguma coisa.

Os nossos vínculos não resultam de processos cósmicos energéticos, e muito menos de energias sexuais. Se observarem, caros leitores, pessoas com casamentos de 60 anos com muitos anos de relações sexuais praticadas entre elas, caso sejam victimas da doença de Alzheimer podem esquecer completamente quem foi o seu Amor e Companheiro de todo uma vida. Quando o cérebro e a função da memória fica irremediavelmente doente e afectada a própria identidade e narrativa da pessoa fica comprometida.

A história do vínculo entre duas pessoas nos seus altos e baixos, não resulta de energias e não é metafísica, é algo bem concreto e definido nos processos mentais de cada um. As entidades actuam em nós através da estimulação desses processos, e mesmo assim nos seus limites de interação nós nunca estamos completamente nus a elas.


Com respeito à última pergunta, a minha crença e a tradição da Magia revela que o Homem só consegue o que consegue com auxílio das Entidades. Eu sou igual aos leitores, não tenho poderes, não tenho visões. Ao contrário do que se pensa, a vidência só é possível mediante um universo determinista, a consequência de um universo determinista é que não existe liberdade ou subjectividade. Pois o universo determinista é aquele em que tudo está fechado porque tudo vai ser como é não podendo ser de outra maneira, não há espaço para a arbitrariedade ou para a indeterminação. Só é possível conhecer o futuro se ele estiver fechado e consequentemente receptivo a ser lido, pois já está «escrito» o que irá acontecer. Mas a experiência com as entidades revela nos seus limites a indeterminação do próprio universo.

Tal como disse à pouco, nem as entidades quando perscrutam o nosso interior são capazes de «ver tudo», nós não somos um cofre totalmente aberto a elas, e nós nunca conhecemos verdadeiramente o interior de uma pessoa. Aquilo que faz que uma pessoa seja única é ao mesmo tempo aquilo que tem de inacessível. Muitas vezes nós podemos calcular, estimar e prever o comportamento ou o modo de ser de uma pessoa, mas isso não é conhecimento é sempre um palpite que se pode ou não realizar.

Ao longo de muito tempo tenho conhecido imensos médiuns, e não estou a dizer que eles mentem propositadamente, acredito que muitas pessoas acreditam ter dons e agem de boa vontade. Mas tudo o que encontrei são pessoas convencidas de um dom que às vezes pode acertar outras vezes falhar consoante o grau de previsibilidade das suas crenças futuras. Mesmo acontecimentos pouco prováveis podem ser de antemão previstos sem haver verdadeira vidência. Por exemplo, as pessoas que acertaram nos jogos de azar como o Euromilhoes e outras lotarias cujas probabilidades são baixíssimas não sabiam de antemão que aquela iria ser a chave premiada, apenas tiveram palpites que felizmente para elas estiveram correctos.

Sei que este é um outro tema delicado que mais tarde aprofundarei. Mas a resposta é negativa a todas essas questões

Aviso desde já que não quero faltar ao respeito de alguém ou das suas crenças.

No seguinte post porque este já vai longo vou deixar Bibliografia que penso ser importante para se melhor compreender tudo aquilo que tenho vindo a escrever


19.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 13: A Ética ou Moral da Amarração - Magia do Amor)

Chegou agora a altura de falar de um tema que me parece importante a saber a Ética ou a Moral das Amarrações ou Magia do Amor.
AVISO: Saliento desde já que este tema é muito delicado, e que por motivos de espaço e para todos o perceberem decidi simplificar ao máximo. Devo desde já dizer que não procuro aqui fazer uma Apologia da Amarração, nem uma Condenação da Amarração. As minhas opiniões aqui expostas, não traduzem tudo o que penso e acho sobre o mesmo assunto. Apesar de poder vir a incorrer em riscos de má interpretação daquilo que aqui escrevi, considero o tema demasiado importante para ser ignorado. Por isso, prefiro abordar o tema do que simplesmente ignorá-lo mesmo correndo riscos interpretativos.

Antes demais é importante esclarecer um outro mito que já fui abordado ao longo dos posts, a que chamo do Mito da Negação da Liberdade.

Este mito basicamente diz que as pessoas que estão a ser Alvos de um processo de Amarração vêm o seu livre-arbitrio negado e consequentemente tornam-se uns meros Fantoches dos Comendadores, sem qualquer espaço para escolherem, vendo assim a sua liberdade completamente negada e aprisionada.

Como já tive oportunidade de ir explicando se há coisa que pode fazer com que uma Amarração não funcione é o facto do Alvo mesmo sobre acção das Entidades poder a qualquer altura dizer em consciência e de livre vontade Não às Entidades. Como já expliquei a nossa realidade é indeterminista, ou seja não está determinada e não é previsível. Na consequência disso, e da natureza da nossa própria subjectivadade um dos limites que em qualquer trabalho de Magia as Entidades possuem é o facto de não conseguirem remover a liberdade Humana.
Por conseguinte, a nossa liberdade é existêncial, e nenhum trabalho de Magia consegue negar este ponto. Numa Amarração bem sucedida o Alvo teve de dizer Sim à Entidade.
Consequentemente, um Comendador que se encontre a viver com um Alvo não está a viver com uma Marioneta, mas com uma pessoa Livre que disse Sim ao Trabalho mesmo que condicionada ou persuadida. Tanto é que como já expliquei num post anterior, se o Comendador fizer borrada pode ver o Alvo a afastar-se dele.

Prosseguindo é agora importante considerar como é possível o Alvo relacionar-se com o Comendador se não vê a sua Liberdade Negada.

Uma metáfora explicativa e um conceito que gosto de usar para explicar isto é o de Persuasão.
Portanto, todas as insídias e tentações das Entidades sobre o Alvo vão no sentido de Persuadir o Alvo não só a desejar uma melhor relação com o Comendador (consoante o tipo de trabalho), bem como a colocar o Alvo a Actualizar esses desejos numa relação real e concreta com o Comendador.

Vejamos, quando alguém se dirige a uma grande superfície comercial, a pessoa está a ser persuadida através de cores, imagens, ideias e sons a dirigir-se a determinados estabelecimentos comerciais. No fundo o trabalho do Marketing e Publicidade é esse mesmo, fazer com que as pessoas se interessem por um determinado producto e o desejem, com o intuito de depois darem o passo de não só desejá-lo como comprá-lo.
Esta persuasão é como já indiquei realizada através de Ideias que são transmitidas às pessoas. Quando observamos determinados anúncios publicitários a entidades bancárias em que mais do que falar do próprio Banco, aparece o mundialmente conhecido treinador de futebol José Mourinho a falar sobre si ou algum outro tema, vemos que a publicidade desta Entidade Bancária procura persuadir a obtenção de novos clientes transmitindo uma ideia de Segurança/Escolha Acertada/Confiança/Profissionalismo, etc...
Ou seja, estas ideias que são transmitidas não tanto pelas cores ou sons, mas pela presença de uma figura pública de competência reconhecida, são os meios pelos quais aquela publicidade procura não só que possíveis clientes tenham o desejo de depositar naquele banco a sua confiança, bem como para além do desejo o cheguem mesmo a fazer.
Em ambos os casos, seja o de alguém que vá a uma grande superfície comercial ou dos anúncios publicitários com figuras públicas que transmitem determinadas ideias, qualquer pessoa está a ser Persuadida não só a desejar bem como a tornar real o seu desejo.
E, no entanto, nenhum de nós está a ver a sua liberdade de decisão negada, nenhum de nós é um fantoche, porque apesar da persuasão somos nós que em liberdade temos a última palavra sobre aquilo que fazemos.

O mesmo acontece com as Amarrações, mudando apenas que a Persuasão é realizada por uma Entidade, e quando o trabalho é bem sucedido o Alvo apesar de manter com o Comendador um vínculo mais forte do que uma pessoa mantém com o seu Banco, o Alvo mantém a sua liberdade, isto porque o Alvo vem de livre-vontade (a saber, persuadido) a actualizar aquilo que foi levado a desejar com o Comendador.

Uma vez com isto em mente podemos agora prosseguir para a Ética.

Então, de forma bastante simplista até porque a Ética e a Moral têm muito que se lhe diga, vou resumir a Ética e a Moral, como a procura da Felicidade Pessoal ou Comunitária em Sociedade.

A Ética encontra-se e faz parte de diferentes dimensões da nossa vida, mesmo que não a tenhamos algum dia estudado. Ela encontra-se nos nossos costumes sobre o como se deve fazer e se se deve fazer, ela encontra-se nas nossas leis sobre o que é legal e ilegal, ela encontra-se na política sobre o que é comunitariamente certo e errado, ela encontra-se nos nossos comportamentos como bons ou maus e também se encontra na nossa mente, nos nossos projectos ou intenções como devo ou não devo.

Ao mesmo tempo e ao contrário do que o Homem durante muito tempo pensou, a ética e a moral encontram-se relativizadas no espaço e no tempo. Com isto quero dizer que não existe um conjunto de leis morais universais que todos os seres racionais (como Kant) devam ou não seguir. Ou seja, quero afirmar que a Ética e a Moral encontram-se circunscritas nas culturas em que crescemos e habitamos. Por exemplo, se for convidado para jantar em Portugal e chegar à mesa e comer aquilo que o anfitrião colocou no meu prato com as mãos (sem pedir autorização e com os talheres diante de mim) então o meu comportamento é moralmente errado pois estou a ser «mal-educado» é uma «falta de respeito». Contudo se eu for convidado para jantar em certas culturas da Indía e chegar à mesa e comer aquilo que o anfitrião me colocou no prato com recurso a talheres, então o meu comportamento é moralmente errado pois estou a ser «mal-educado» é uma «falta de respeito» (em certas culturas Indianas os convidados devem comer a comida com as mãos, como sinal de agradecimento pelo convite). 
Ou seja, aquilo que é certo ou errado de se fazer em determinadas situações depende da cultura em que estou inserido.

Mas para além de depender da cultura em que estou inserido, também depende dos valores que cada um tenha.
Hoje em dia muito se ouve sobre «crise de valores», esse termo é um equívoco. Na verdade, os valores não estão em crise, o que eles estão é a ser substituídos por valores que antigamente não eram considerados valores mas desvalores. Por exemplo, antigamente as pessoas tinham o valor de respeitar os mais velhos e cuidar ao máximo do pai e da mãe. Era impensável antigamente os filhos abandonarem os pais em centro de idosos e mal os visitarem. Contudo, hoje em dia vê-se infelizmente com frequência filhos que deixam os pais ao abandono quando estes se tornam inválidos. Em verdade, o que aconteceu não foi o desaparecimento do valor, mas a transferência do mesmo para a ideia de que «eles estão para morrer e dão trabalho, é mais importante seguir a minha vida em frente» (escrevi deste modo para simplificar). Ou seja, aquilo que antigamente era um valor hoje passou para alguns a ser um desvalor, e aquilo que antigamente era um desvalor (não cuidar de pai e mãe) passou a ser para algumas pessoas um valor.

Esta mudança e transformação dos valores deve-se em muito à mesma mudança na sociedade. Em grande medida, as transformações da nossa sociedade são as responsáveis pelas transformações dos valores.

Independentemente disso, cada pessoa comporta em si mesmo um conjunto de valores, e não me refiro àquilo que as pessoas proclamam mas àquilo que as pessoas fazem. Não é muito díficil abrirmos algum meio de comunicação social e observarmos políticos a fazer juramentos na sua tomada de posse e logo de seguida fazerem algum discurso em que enalteçam esses valores e logo de seguida abrirmos os meios de comunicação social e constatármos que estão a fazer exactamente o contrário daquilo que haviam proclamado. Será que os valores se alteraram em tão curto espaço de tempo? Não, só que existe uma diferença entre aquilo que se diz e aquilo que se pensa, e geralmente sabe-se aquilo que se pensa por aquilo que se faz.

Por conseguinte, todos nós temos uma tabela de valores (por assim dizer), que nos ajudam a alcançarmos o fim da Ética, a saber, a felicidade e para o fazer temos de viver numa sociedade, sendo que a sociedade nos ajuda a termos a nossa tabela de valores, ao mesmo tempo que a sociedade pode ser um obstáculo ou uma via para alcançarmos a felicidade.

Para exemplificar, todas as pessoas de uma maneira ou de outra buscam a felicidade, mas como já podemos compreender esta busca é informada pelos valores que temos e pelo que a sociedade possibilita.
Portanto, e simplificando, há pessoas para quem a sua felicidade passa por obter muito dinheiro e para elas a ganância ou riqueza a qualquer custo é um valor. Há ou outras para quem a sua felicidade passa por obter muito poder, e para elas o cinismo ou a agressividade pode ser um valor. Há pessoas para quem a sua felicidade passa por ter materialmente muitas coisas (mais ter coisas do que dinheiro, até porque como vários de vós, já devem ter conhecido pessoas que amontoam grandes quantias de dinheiro só por amontoar e não gastam em nada) e para quem a posse é um valor. Há outras pessoas para quem a sua felicidade passa por ter uma vida honrada, e para elas a virtude e a rectidão são valores. Há outras pessoas para quem a sua felicidade passa por terem uma vida ao lado da pessoa que amam e para elas a família e a fidelidade são valores. Há outras pessoas para quem a sua felicidade passa por fazer da sua vida um auxílio aos outros ou a causas, e para elas o altruismo e generosidade são valores. Etc... Etc... Etc...

Isto está explicado de forma simplista apenas para perceberem a imagem.

Como tal, se é Éticamente ou Moralmente correcto um Comendador desejar e realizar uma Amarração com um Alvo apenas depende do juízo e dos valores do Comendador.

A maior parte dos Comendadores que procuram estes trabalhos valorizam a relação. Contudo, convém ao Mago filtrar comparativamente com a sua própria tabela de valores, se deve ou não realizar determinado trabalho. Se é verdade que existem Magos que realizam qualquer trabalho e deixam o juízo moral a quem pede o trabalho, há outros que em consciência colocam barreiras naquilo que fazem ou não fazem.

Mas a verdade, é que ninguém pode condenar como a infração de uma lei universal uma Amarração quando o fim último da mesma é alcançar determinada relação com o Alvo, apesar de ser livre para o fazer. Em última instância, a moralidade ou não da Amarração assenta no juízo do próprio Comendador, pois regra geral é ele quem irá viver com o Alvo sabendo como em parte conseguiu isso. Agora, poder-se-á questionar: «Então e o Alvo?»
De um ponto de vista, o Alvo pode ser uma víctima, ele não pediu a Amarração disse «Sim» encontrando-se persuadido. Contudo, como expliquei no início deste post o «Alvo» é como a pessoa que está exposta à persuasão publicitária, eu não considero as pessoas que fazem compras em determinadas lojas ou aderem a determinados pacotes publicitários como «víctimas». Somente os considero «víctimas» quando aquilo a que foram «persuadidos» se tornou mau para os próprios.
Um exemplo disso é quando os «Comendadores» em vez de proporcionarem uma vida «boa» ao Alvo, cometem alguma borrada que leva à ruptura da relação. Ai eu considero a «Amarração» como moralmente errada.

Devo salientar, no final deste post que este é um tema muito sensível e delicado, que efectivamente necessitaria de uma maior reflexão. Em parte a minha opinião aqui exposta está sintetizada e tenho receio que conduza a interpretações erróneas ou igualmente simplistas. Não procuro defender as «Amarrações» como algo Moralmente Bom ou como algo Moralmente Mau. Principalmente, considero que a Avaliação Moral da mesma deve em Primeira Instância ser realizada pelo Comendador, e se for necessária Arbitrada pelo Mago(a).
Por último, é uma questão que ficará sempre em aberto: «Os fins justificam os meios?»






18.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 12: Os Casos Raros e Especiais da Amarração - Magia do Amor)

Tendo em mente o conteúdo dos últimos posts poderemos agora avançar para casos mais complicados. Toda a informação que tenho vindo a explicar estará presente de forma mais desenvolvida nos livros que estou a escrever. Mas penso ser importante agora falar dos casos mais complicados e complexos.

Até agora temos visto como se processam as Amarrações de forma linear, em ordem a melhor compreender o que é uma Amarração ou Magia do Amor, e como ela funciona. Agora será importante introduzir mais algumas variáveis.

Da minha experiência são mais as variáveis que não sabemos do que aquelas que sabemos. Regra geral, as variáveis que não conhecemos não causam grande transtorno e podem ser facilmente ultrapassadas mas infelizmente nem sempre é assim. Por causa disto este post vai abordar os casos especiais, isto é, os mais complicados e complexos que vou dividir em 8 categorias que vão ser sucessivamente abordados:
  1. Quando o Alvo é altamente influênciado por uma pessoa amiga ou familiar e que pode comprometer a Amarração;
  2. Quando o Alvo já se encontra numa relação amorosa que tanto pode ser um namoro ou um matrimónio com uma terceirra pessoa;
  3. Quando ou o Alvo ou o Comendador ou mesmo Ambos foram víctimas de algum tipo de trabalho, tanto à relação como à própria pessoa;
  4. Quando o Alvo ou o Comendador se encontram enquadrados dentro do plano das Entidades;
  5. Relacionado com o último ponto, quando o Alvo ou o Comendador são Vocacionados;
  6. Quando o Alvo sofre de algum problema ou desordem mental e psicológica;
  7. Quando ou o Alvo ou Comendador se encontram numa situação muito rara;
  8. Quando é «Sem Causa Procedente»

(1.) e (2.)

Então, em primeiro lugar vamos considerar que o Alvo encontra-se sempre como qualquer pessoa neste mundo numa teia de diferentes relações, onde entre elas encontra-se a sua relação com o Comendador. Fiz este diagrama simplista para exemplificar:

Diagrama da teia de relações em que se encontra o Alvo. As setas de diferentes tamanhos são abstrações dos diferentes tipos de vínculos que o Alvo mantém com as pessoas que o rodeiam.

 Agora, será importante considerar que os casos mais complexos dizem respeito a quando esta teia de relações, a saber, o contexto único em que o Alvo se encontra pode ser um obstáculo ou uma dificuldade ao processo de Amarração. Vamos agora considerar os seguintes casos:

Diagrama da influência por parte de alguém com forte vínculo ao Alvo para prejudicar uma relação, ou ser obstáculo à mesma. Clique no Diagrama para fazer zoom.
Diagrama de quando o Alvo já tem uma relação amorosa forte ou quando está atraido e deseja uma relação amorosa forte com uma terceira pessoa.
  1. Quando o Alvo é influenciado ou tem um vínculo forte com alguém que pode ser um obstáculo à Amarração. Estes casos são mais frequentes de acontecer quando alguém perto do Alvo podendo ser um familiar próximo (exemplo o Pai ou a Mãe ou até algum irmão, etc.) procuram influenciar negativamente o Alvo na direção do Comendador.
    Também pode acontecer que essa influência negativa pode advir de algum amigo(a) que exerça pressão de alguma forma que tanto pode ser no sentido de afastar o Alvo do Comendador como pode ser de o querer aproximar de outra pessoa.
    Um caso frequente costumam ser aqueles «amigos» que procuram influenciar o Alvo na direção da pessoa A ou B.
  2. Quando o Alvo já tem uma relação amorosa forte que tanto pode ser com um namorado(a) ou se o Alvo já se encontra casado, ou então se o Alvo se encontra atraído por uma outra pessoa.

Estas situações podem dificultar o processo de Amarração, mas como já expliquei cada caso é um caso. Em qualquer uma destas situações a Entidade procurará começar por minar e diminuir a esfera de inflûencia sobre o alvo que têm estas pessoas.

Diagrama da dificuldade colocada à Amarração pela Esfera de Influência a que o Alvo possa estar sujeito. Quanto maior a área do círculo maior a dificuldade. Clique para Ampliar.


Por causa disso, e seguindo o lema que já expliquei num outro post: «Fazer o Máximo com o Mínimo». Ou seja, em muitos casos não é preciso sequer fazer um trabalho anterior a este e na amarração simples a entidade consegue superar essa situação, é claro que isto não dispensa as anteriores variáveis como a própria projecção de força no trabalho ou uma entidade mais superior.

Contudo, nem sempre é assim, nos casos que possam parecer mais difíceis, temos duas opções:
  1. Ou reforça-se o trabalho projectando mais força nele, ou então apostando numa Entidade Superior;
  2. Ou para se ter uma garantia superior do sucesso do mesmo procede-se à realização de um trabalho anterior ao de Amarração com o intuito de cortar aquele cordião umbilical que liga o Alvo das influências que podem comprometer o trabalho.
Este trabalho com vista a (2.) pode ser feito de diferentes modos e de diferentes tipos, tanto pode ser algo simples como um mero desmancho ou envenenamento da relação que o Alvo mantém com pessoa X. Ou então pode ser algo mais complexo e superior que passa não só pelo afastamento mas pela criação de um hiato entre essas pessoas. Geralmente este último procedimento é recomendado quando a esfera de influência entre a pessoa X e o Alvo é muito grande.
Então um trabalho de Amarração entre Comendador e Alvo que esteja sujeito a estas variáveis pode encontrar a necessidade da realização de 2 trabalhos para melhor se alcançar o fim a que se pretende.


(3.) Quando ou o Alvo ou o Comendador ou mesmo Ambos foram víctimas de algum tipo de trabalho, tanto à relação como à própria pessoa;


Contudo, dentro dos casos especiais existem ainda uns mais complicados e delicados para se lidar.

Entre esses acontecem casos em que ou o Alvo ou o Comendador foram previamente victimas de algum tipo de Trabalho. Dentro desta categoria já vi muita coisa e vou agora mencionar os principais:
  1. Quando o Comendador e o Alvo tinham uma relação forte e esta foi desfeita com recurso a um trabalho;
  2. Quando o Comendador e o Alvo tinham uma relação forte e esta foi desfeita com recurso a um trabalho, e uma terceira pessoa Amarrou-se ao Alvo (similar àquilo descrito em cima mas desta vez o Comendador e Alvo encontram-se em lados opostos);
  3. Quando o Comendador ou o Alvo não têm uma relação forte mas algum deles foi víctima de algum trabalho. É importante ter em conta não só o tipo mas também a força desse trabalho, podendo encontrar-se algum destes:
    1. Imprecação;
    2. Maldição;
    3. Contaminação;
    4. Pregação;
    5. Cessação;
    6. Forma menor de Possessão;
    7. Desmancho;
    8. Amarração;
    9. Diminuição;
    10. Altercação;

Mesmo nestes casos às vezes basta apenas a Amarração para a coisa funcionar e o Comendador alcançar o que pretende seguindo o lema: «Fazer o Máximo com o Mínimo», outras vezes é necessária outra abordagem.
A abordagem mais comum nestes casos, e volto a recordar que «cada caso é um caso», passa por começar por retirar os obstáculos, nestes casos seria necessário limpar aquilo que previamente foi feito. Este tema dará uma série de posts em que mais à frente explicarei como isso se processa, mas por agora irei resumir que devem seguir-se três passos:
  1. Identificar o problema, esta identificação passa por saber em concreto o que é que foi feito;
  2. Relacionado com o ponto anterior, e caso se verifique haver algo, saber o nome da Entidade responsável por aquilo que foi feito (devo salientar que apesar de ser possível saber a proveniência do ataque, nem sempre isso é possível)
  3. Sabendo o que foi feito e a Entidade empregue para tal, remover a Entidade. Ao contrário do que o senso-comum pensa isto não é uma luta entre Entidades. Ou seja, entre as entidades não existem lutas como se de um videojogo se tratasse, aquilo que pode acontecer é uma espécie de licitação que pode ser resolvida de dois modos:
    1. Saber o que a Entidade Hostil pretende para parar de fazer o que está a fazer ou para desmanchar o que foi feito, trata-se então de oferecer mais do que aquilo que foi previamente oferecido;
    2. Ou, procurar uma Entidade topo de hierarquia superior em ordem a dar comando de suspensão do trabalho que havia sido feito
Com respeito a isto, convém atender o que anteriormente foi dito sobre o escalonamento hierárquico das Entidades.
Uma vez com aquele procedimento realizado pode-se então concentrar-se no trabalho próprio da Amarração ou Magia do Amor.


(4.) e (5.) Quando o Alvo ou o Comendador se encontram enquadrados dentro do plano das Entidades, e quando um deles é um Vocacionado


Outro caso ainda especial e mais raro é quando Alvo ou Comendador se encontram de alguma maneira ou forma dentro dos planos das «Entidades». Bom este é um tópico polémico e de díficil explicação. De forma muito rara e sem saber muito bem o porquê e o como, nós vivemos dentro desta enorme «trama», alguns preferem «tragédia» da própria existência. Este tema enquadra-se mais dentro da interação e relação das Entidades connosco, do que própriamente dentro das «Amarrações». Este brota de um mistério quase tão antigo como a própria humanidade, se observarmos a própria Magia teve origem quando o homem começou a compreender de forma revelada esta nova dimensão da sua existência e da sucessão de interacções.

Foi muito em parte devido a esta interação que as «Entidades» viram-se enquadradas na nossa cultura, e na nossa tentativa explicativa de as compreender e melhor entender, nos paradigmas religiosos de então.

Qualquer um de nós na «Cultura Ocidental» (vou dizer assim para simplificar), estou influenciado pela narrativa «Ocidental», influenciada por si na «nossa tradição religiosa», que nos informa de que as «Entidades», de sua designação cultural e popular como «Demónios», que têm nome de origem Grega, mas cujo nome perdeu o contexto de inteligibilidade que lhe conferia sentido, vêem ao mundo pelo facto de se terem revoltado contra Deus (sendo que este «Deus» é concebido segundo a nossa tradição religiosa ocidental), pelo que cairam no «Mundo» e, que por sua vez, vieram habitá-lo connosco e desde então eles «governam o mundo», pelo que toda a sua acção no mundo visa «afastar os homens da verdadeira adoração a Deus» e, consequentemente, os planos que para nós têm incluem este fim último.

Ou seja, na nossa cultura ocidental esta é a versão normal ou tradicional na qual enquadramos as Entidades na coabitação da existência connosco. Contudo, se formos ler esta mesma história no contexto Grego original, ou no contexto Egípcio original, ou no contexto Extremo Asiático, ou no contexto Indo-Americano, ou mesmo no contexto do Médio Oriente, encontramos similitudes ao mesmo tempo grandes diferenças.

A nossa explicação «Ocidental» para este facto deriva em última análise de uma explicação «Religiosa» que apesar das mutações tem toda a sua explicação no povo Hebraico e no início da Tradição Religiosa Hebraica.

Se me perguntarem, pessoalmente essa narrativa de explicação das «Entidades», na verdade não têm como fim último «explicá-las», mas somente o de ASSUSTAR as pessoas em ordem a serem mais facilmente MANIPULADAS pela Religião Ocidental.

Apesar de reconhecer que este tema precisa até da minha parte maior esclarecimento por agora vou sintetizar nos seguintes pontos: que as entidades têm para alguns de nós certos planos isso parece assim ser, que esses planos são insondáveis para nós também me parece assim ser.
Mas, que apesar disso, NÓS NÃO ESTAMOS CONDENADOS AOS SEUS PLANOS, isto porque: AS ENTIDADES TÊM LIMITES e A EXISTÊNCIA NÃO ESTÁ PREVIAMENTE DETERMINADA, ou seja, NÓS POSSUÍMOS O LIVRE-ARBÍTRIO. Sendo que deste último ponto, o livre-arbítrio é um dos principais pontos pelo qual qualquer Magia, inclusive a da Amarração pode falhar. Em última instância as ENTIDADES NADA PODEM EM NÓS SE DISSERMOS VEEMENTE NÃO ÀS SUAS INSÍDIAS.

Para finalizar, com isto queria dizer que as pessoas para as quais as Entidades têm planos, nenhuma Magia que tentamos lançar sobre elas que vá em direção oposta ao planos das Entidades irá resultar.

Consequentemente, e resultado disso, algumas pessoas são Vocacionadas ou para as seguir, ou para serem Magos, ou para fazerem algo que elas pretendam. Aos Vocacionados não são concedidos trabalhos que resultem se de alguma forma esse trabalho comprometer ou for em direcção oposta do plano das Entidades.

Por último, recordo que esses mesmos planos não estão determinados que resultem, eles podem não funcionar se apesar das suas insídias decidirmos em livre-consciência dizer que não.


(6.) Quando o Alvo sofre de algum problema ou desordem mental e psicológica;


Em verdade este tema devia de ter sido inserido no post sobre o alvo, mas eu preferi enquadrá-lo nos casos especiais.

Regra geral, nunca se deve lançar uma Amarração sobre um Alvo que tenha problemas mentais e psicológicos, pois a coisa pode simplesmente não funcionar. A Entidade para trabalhar bem sobre um Alvo precisa que este esteja mentalmente e psicológicamente saudável. Ao contrário do que se pensa as pessoas com problemas psicológicos e mentais não são mais influenciáveis às Entidades. Mas, bem antes pelo contrário, podem se tornar altamente imprevisíveis.

Além disso, e em regra geral, deve-se excluir sempre a realização de uma Amarração se o Alvo não é Mentalmente ou Psicologicamente São. 


(7.) Quando ou o Alvo ou Comendador se encontram numa situação muito rara;


Dentro desta categoria, vou colocar os casos muito mas muito raros que podem acontecer e que de certa maneira podem estar relacionados com os pontos anteriores.

Um destes casos, pode acontecer quando um obstáculo à relação do tipo (3.), é lançado pessoalmente por um outro Mago(a).

Conheço um caso em que uma Pessoa A estando unida a uma Pessoa B, viu o seu amado ser separado dela por Magia Negra e com a mesma Magia a Pessoa C amarrou-se à Pessoa B, sendo o raro deste caso que a Pessoa C é um Mago(a) tendo um pacto Tácito.

A tentativa de resolução de um caso raro deste tipo é que a Pessoa A através de um pacto Parcial consiga libertar a Pessoa B daquilo que foi sujeita, visto que o pacto Parcial da Pessoa A está explicitamente dirigido a conseguir esse fim, enquanto que o pacto Tácito da Pessoa C não está dirigido a esse fim(nem pode estar), e apenas a Pessoa C dele usou para realizar o que era necessário ao Desmancho e à consequente Amarração, e para isso não deu equivalente à pessoa A. Mas a pessoa A também tem a desvantagem de não ter um pacto Tácito coisa que pode também dar mais influência à Pessoa C.

Por isso este é um tipo de caso 50-50%.

(8.) Quando é «Sem Causa Procedente»

Este é aquele tipo de casos que pode ser de origem de alguns dos pontos anteriores mas do qual não se conhece a procedência da causa do porquê da Amarração não funcionar.

O meu mestre designava-os por «Sem Causa Procedente», uma designação Renascentista para casos nos quais parecia não haver «Causa Procedente» que levasse um caso a não resultar, ou a resultar de modo oposto ao pretendido. Estes casos são no entanto muito mas muito raros.

Este tipo de casos aplica-se a toda e a qualquer Magia.


Este post já vai longo, no próximo irei continuar a abordar a relação entre as Entidades e Nós.


8.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 6: As Entidades na Amarração - Magia do Amor)

Uma vez com os conteúdos dos posts anteriores em Mente podemos prosseguir.
No último post nós vimos a diferença entre as pessoas e como estas podem oferecer resistência à Magia, assim como dois mitos que estão associados e que agora poderemos melhor compreender o seu desmantelamento.

As entidades tal como já tive oportunidade de dizer têm limites, contudo apesar da resistência que os Alvos possam oferecer elas conseguem muitas vezes ultrapassá-los.

Prosseguindo, assim que o comendador contacta o mago e ambos acertam o que têm de acertar, e independetemente do tipo de Amarração (que será tratado em posts subsequentes), esta SÓ SE REALIZA COM RECURSO A UMA CONJURAÇÃO CERIMONIAL, QUE É O RITUAL PRÓPRIO DA CONJURA E ENVIO DAS ENTIDADES E, SEM ELAS NÃO EXISTE MAGIA DO AMOR.

Coloquei aquela informação em Caps Lock, porque muitas pessoas são desinformadas a verem revistas ou sites ou livros onde se diz para fazer bonecas, ou rezar somente ladainhas, ou tomar bebidas, ou dar bebidas a beber ao alvo, ou dar pózinhos a colocar sobre o alvo, ou a dar coisas para o alvo pisar. NADA DISSO FUNCIONA, A AMARRAÇÃO SÓ FUNCIONA PORQUE SÃO AS ENTIDADES QUE GARANTEM A AMARRAÇÃO.

Tendo isto em cima esclarecido é preciso desmistificar mais um mito associado às Entidades. Vou o designar pelo Mito da Referência e da Denotação.

Então, eu pessoalmente devido ao facto de que a Tradição das Artes Negras assenta nos Grimoriuns utilizo como nome das Entidades os que vêm descritos no Lemegeton. Contudo, existem outros livros e outras fontes com nomes totalmente diferentes. O Mito consiste em as pessoas pensarem que se tratam de entidades diferentes.
Eu chamo-lhe de Mito da Referência porque isto tem a ver com o fenómeno da própria referência.
Ou seja, vou começar por usar o exemplo dos nomes das pessoas. O nome Stephan em Inglês pode ser traduzido para Português pelo nome Estefano, contudo a tradução literal e correcta de Stephan para Português é Estevão. No entanto, nós temos duas traduções possíveis para Stephan = Estefano e Estevão.
Ou outro exemplo, eu pensava que o jogador brasileiro de futebol Bebeto tinha esse nome como seu apelido, só mais tarde soube que essa era uma Alcunha, e que o seu nome real é José de Oliveira. Por exemplo, se alguém me dissesse que o jogador brasileiro José de Oliveira marcou um golo na final do mundial eu ficaria espantado e diria: «Não sei quem é esse jogador, em que clube ele joga?»; mas se me dissessem que o jogador Bebeto marcou um golo na final do mundial eu não ficaria espantado e saberia quem é. Na verdade estes dois nomes referem-se à mesma pessoa.
Prosseguindo, durante o tempo dos Descobrimentos os Europeus quando chegaram a terras novas e da necessidade de contacto para com as pessoas locais latinizaram os seus nomes. Um desses exemplos é o do Rei do Congo, de seu nome original Nzinga a Nkuwu mas rebaptizado de João I. Quando nos referimos a Nzinga a Nkuwu ou João I do Congo estamos a denotar ou seja a referirmo-nos exactamente à mesma pessoa mas com nomes diferentes.

Porque é que me detive nestes exemplos? Porque muitas pessoas encontram afirmações dispersas ou variações de nomes dos demónios e se confundem pensando ser entidades diferentes, mas na verdade são exactamente as mesmas entidades só que as pessoas não sabem.

Mas então donde vêem esses nomes diferentes? Esses nomes vêem do facto dos Magos ao longo dos tempos e das culturas traduzirem os nomes das entidades com quem contactavam, para versões similares às da sua cultura. Por isso encontramos a mesma referência para certos demónios com nomes de origem Persa, ou Grega, ou Latina. Decidi esclarecer isto, visto ser uma confusão frequente quando se usa o nome de demónios de fontes diferentes.

Fiz este diagrama para exemplificar o que é a Hierarquia Horizontal e Vertical no que diz respeito às Entidades.

 A escolha da entidade é fundamental. Contudo, é preciso aqui esclarecer três pontos:
  1. Diz respeito à hierarquia das próprias entidades. Cada entidade está posicionada segundo uma hierarquia, quando nós encontramos os nomes descritos nos livros sobre as entidades, geralmente apresentam a hieraquia em que está inserida. As hierarquias estão divididas em posições horizontais e verticais. Agora, quando um Mago diz vamos trabalhar com a entidade X ou Y, em verdade não se está a trabalhar directamente com essa entidade mas com um subalterno por assim dizer, a não ser que se decida trabalhar com a própria entidade líder da hierarquia. Imaginemos que alguém vai a um consultório de advogados que tem o nome pomposo Z. A pessoa não vai ser representada pelo advogado Z a não ser que o peça explicitamente sabendo que para isso vai ter de pagar mais pelos seus serviços do que se fosse representado por um advogado que trabalha para o consultório Z. Contudo, se o consultório Z está horizontalmente mais bem conoctado do que o consultório W, então pode acontecer que um dos advogados do consultório Z seja mais bem pago do que o próprio director do consultório W, para melhor entender isso fiz um pequeno diagrama para procurar explicar isso.
  2. Relacionado com o primeiro ponto, deve-se entender que mesmo que não seja a Entidade líder de uma hierarquia a realizar o trabalho, a não ser que assim o seja exigido, não é a entidade subalterna que aparece na conjuração, mas o topo da sua hierarquia. Imaginemos que se vai conjurar Astaroth para um trabalho complexo de Amarração, onde não é o próprio Astaroth quem vai realizar o trabalho, mas na conjuração o conjurado deve ser o líder da hierarquia e neste caso com quem o Mago intervem é com o próprio Astaroth mesmo que não seja ele a realizar o trabalho. Até porque o Mago quando estabelece um Pacto Tácito com as entidades, o faz com o Líder da Hierarquia e não com os subalternos. Por exemplo, imaginemos que uma empresa de comércio quer construir uma Mega Superfície Comercial, abre um concurso e escolhe uma Grande Empresa de Construção Cívil, essa empresa de comercío vai negociar com os responsáveis dessa Grande Empresa de Construção Cívil, mas não são esses com quem negoceiam quem vai construir a Mega Superfície Comercial, tanto que essas Grandes Empresas de Construção Cívil recorrem a várias empresas como subempreitadas para realizar o trabalho. Por isso, é que mesmo nos pactos parciais que os comendadores podem realizar eles estabelecem o pacto com o líder da hierarquia mesmo que não seja esse quem lhes vai realizar o trabalho e cumprir o acordo estabelecido.
  3. Deve-se procurar fazer o máximo com o mínimo. Com isto quero dizer que na escolha da Entidade, se o alvo parecer não oferecer grande resistência, e se o trabalho que o comendador pede não for complexo mas simples não há necessidade de perder tempo e recursos em por exemplo usar o próprio Astaroth em pessoa para a realização do trabalho. Por isso quando digo que se deve procurar fazer o máximo com o mínimo quero dizer que deve-se procurar alcançar sempre os melhores resultados mas com o mínimo possível para o fazer e que não comprometa o resultado final. Como se costuma dizer não se mata uma mosca com uma caçadeira.

Uma vez com estes pontos entendidos, podemos passar ao próximo passo a saber os recursos que serão dados à entidade. Cada entidade, com respeito à sua posição na hierarquia tem um preço à cabeça diferente (digo assim para simplificar)
Então as variáveis dos recursos oferecidos à entidade variam consoante cinco variáveis:

  1. A própria entidade. Com isto refiro-me à sua posição na hierarquia, cada entidade exige ou pede coisas diferentes. Imaginemos que um Mago pretende A. O mesmo A numa entidade de hierarquia superior consome mais recursos do que com uma entidade menor. Contudo, o Mago pode ter mais garantias com a entidade superior do que com a menor.
  2. O tipo de trabalho. Cada trabalho difere em função dos intervenientes, do fim a que se destina e da própria natureza de tipo de trabalho.
  3. A força que se pretende projectada pela entidade na realização do mesmo.
  4. A finalidade que se pretende alcançar, pois podem existir dois trabalhos que podem caber dentro de uma mesma categoria mas com finalidades diferentes.
  5. A resistência que se pode prever da parte do alvo. Às vezes é preciso reconjurar e gastar mais recursos pois a estimativa da resistência pode não se confirmar correcta. Um procedimento com sucesso e se o comendador aceitar é a realização de um pacto parcial.
Fiz este esquema para melhor explicar a Conjuração por Mediação.

Agora, quando os detalhes da Amarração são resolvidos procede-se aos detalhes que são próprios da Conjuração. A Conjuração de Amarração ou Conjuração da Magia do Amor pode ser desenvolvida de três formas diferentes:
  1. Conjuração Complexa: esta conjuração dispensa a mediação do Comendador, para poder dispensar a mediação do Comendador ela é mais forte e mais trabalhosa.
  2. Conjuração por Mediação: esta conjuração é a mais comum, pois poupa recursos tanto ao Mago como ao Comendador. A Mediação é necessária na medida em que se estabelece um vínculo entre o Comendador e a Entidade facilitando o processo de aproximação da mesma ao Comendador. Mais à frente irei explicar o que é este processo.
  3. Conjuração por Mediação com Pacto Parcial (que já em cima mencionei): esta conjuração é similar à anterior, a diferença encontra-se que além do pagamento que o Mago deve fazer à entidade, este é reforçado por um Pacto Parcial entre o Comendador e a Entidade. Isto faz com que o trabalho seja mais forte, e tem a nunca de que o Pacto Parcial só fica válido depois da Entidade realizar aquilo que o Comendador deseja, caso contrário o pacto é nulo. Este tipo também é realizado para se reforçar um trabalho já previamente feito.

Este post já vai longo no próximo irei esclarecer melhor a continuação dos posts já publicados nomeadamente no processo entre a interação da entidade, do comendador e do alvo no desenrolar da amarração.