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21.2.13

Actualização da Lista de Livros para Download

Chegados aqui e como tal havia dito coloco aqui alguma bibliografia que vem no seguimento de melhor esclarecer coisas que expliquei ao longo destes posts, assim como actualizar a página de Bibliografia/Downloads que já há muito desejava. Infelizmente, não tive o tempo desejado para o fazer.

No seguimento daquilo que havia dito sobre a origem da explicação das Entidades com Impregnação Religiosa recomendo este livro: WRAY, T.; MOBLEY, G - The Birth of Satan: Tracing the Devil's Biblical Roots. Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2005.








No seguimento da sugestão anterior, e na história da concepção das Entidades como Anjos Caídos distintos dos Anjos fieis a Deus recomendo este livro: JONES, D - Angels: a History. Oxford: Oxford University Press, 2010. (password é abc)













Para quem desejar aprofundar os seus conhecimentos na História da Magia de bases Cabalísticas, é importante que leia este livro sobre Zohar um dos mais importantes trabalhos presentes na Cabala. Já há muito que queria ter colocado aqui este livro mas não tinha tido ainda oportunidade, virei a escrever um post só sobre Zohar. Recomendo então este livro: WOLFSON, E. - Luminal Darkness: Imaginal Gleanings from Zoharic Literature. Oxford: One World, 2007.





No seguimento do estudo e aprofundamento das raízes da Magia, como por várias vezes já tive oportunidade de dizer o período Renascentista é um verdadeiro ponto de viragem. No sentido de aprofundar os fundamentos filosóficos destes Magos e deste período recomendo vivamente este livro: YATES, F. - The Occult Philosophy in the Elizabethan Age. Nova Iorque: Routledge, 2004.





Do mesmo autor, deste livro aqui em cima apresentado, disponho também uma obra muito interessante sobre o movimento do Rosacruz e dos seus manifestos. Aviso desde já o leitor que isto não trata aquilo que a «New Age» chama de Rosacruz ou as Teorias da Conspiração envolvidas à volta da história deste movimento. Este livro trata da origem e verdadeiro entendimento deste movimento o próprio autor diz: «‘Rosicrucian’ in this purely historical sense represents a phase in the history of European culture which is intermediate between the Renaissance and the so-called scientific revolution of the seventeenth century. It is a phase in which the Renaissance Hermetic-Cabalist tradition has received the influx of another Hermetic tradition, that of alchemy. The ‘Rosicrucian manifestos’ are an expression of this phase, representing, as they do, the combination of ‘Magia, Cabala, and Alchymia’ as the influence making for the new enlightenment.» Com isto em mente, recomendo vivamente este livro: YATES, F. - The Rosicrucian Enlightment. Nova Iorque: Routledge, 2003.


No seguimento das minhas sugestões sobre uma melhor comprensão da Magia através da aprendizagem da sua história, e acerca do período Renascentista, recomendo este livro: WALKER, D. - Spiritual & Demonic Magic: from Ficino to Campanella. University Park: Pennsylvania State University Press, 2000.







Outro grande livro que recomendo, apesar de este que aqui vos coloco à disposição só ter uma versão scanizada em que o livro não se encontra em perfeito estado. Contudo, o livro está perfeitamente legível, apesar de ser um pouco antigo é uma excelente referência. BUTLER, E. - Ritual Magic. Cambridge: Cambridge University Press, 1949.

8.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 6: As Entidades na Amarração - Magia do Amor)

Uma vez com os conteúdos dos posts anteriores em Mente podemos prosseguir.
No último post nós vimos a diferença entre as pessoas e como estas podem oferecer resistência à Magia, assim como dois mitos que estão associados e que agora poderemos melhor compreender o seu desmantelamento.

As entidades tal como já tive oportunidade de dizer têm limites, contudo apesar da resistência que os Alvos possam oferecer elas conseguem muitas vezes ultrapassá-los.

Prosseguindo, assim que o comendador contacta o mago e ambos acertam o que têm de acertar, e independetemente do tipo de Amarração (que será tratado em posts subsequentes), esta SÓ SE REALIZA COM RECURSO A UMA CONJURAÇÃO CERIMONIAL, QUE É O RITUAL PRÓPRIO DA CONJURA E ENVIO DAS ENTIDADES E, SEM ELAS NÃO EXISTE MAGIA DO AMOR.

Coloquei aquela informação em Caps Lock, porque muitas pessoas são desinformadas a verem revistas ou sites ou livros onde se diz para fazer bonecas, ou rezar somente ladainhas, ou tomar bebidas, ou dar bebidas a beber ao alvo, ou dar pózinhos a colocar sobre o alvo, ou a dar coisas para o alvo pisar. NADA DISSO FUNCIONA, A AMARRAÇÃO SÓ FUNCIONA PORQUE SÃO AS ENTIDADES QUE GARANTEM A AMARRAÇÃO.

Tendo isto em cima esclarecido é preciso desmistificar mais um mito associado às Entidades. Vou o designar pelo Mito da Referência e da Denotação.

Então, eu pessoalmente devido ao facto de que a Tradição das Artes Negras assenta nos Grimoriuns utilizo como nome das Entidades os que vêm descritos no Lemegeton. Contudo, existem outros livros e outras fontes com nomes totalmente diferentes. O Mito consiste em as pessoas pensarem que se tratam de entidades diferentes.
Eu chamo-lhe de Mito da Referência porque isto tem a ver com o fenómeno da própria referência.
Ou seja, vou começar por usar o exemplo dos nomes das pessoas. O nome Stephan em Inglês pode ser traduzido para Português pelo nome Estefano, contudo a tradução literal e correcta de Stephan para Português é Estevão. No entanto, nós temos duas traduções possíveis para Stephan = Estefano e Estevão.
Ou outro exemplo, eu pensava que o jogador brasileiro de futebol Bebeto tinha esse nome como seu apelido, só mais tarde soube que essa era uma Alcunha, e que o seu nome real é José de Oliveira. Por exemplo, se alguém me dissesse que o jogador brasileiro José de Oliveira marcou um golo na final do mundial eu ficaria espantado e diria: «Não sei quem é esse jogador, em que clube ele joga?»; mas se me dissessem que o jogador Bebeto marcou um golo na final do mundial eu não ficaria espantado e saberia quem é. Na verdade estes dois nomes referem-se à mesma pessoa.
Prosseguindo, durante o tempo dos Descobrimentos os Europeus quando chegaram a terras novas e da necessidade de contacto para com as pessoas locais latinizaram os seus nomes. Um desses exemplos é o do Rei do Congo, de seu nome original Nzinga a Nkuwu mas rebaptizado de João I. Quando nos referimos a Nzinga a Nkuwu ou João I do Congo estamos a denotar ou seja a referirmo-nos exactamente à mesma pessoa mas com nomes diferentes.

Porque é que me detive nestes exemplos? Porque muitas pessoas encontram afirmações dispersas ou variações de nomes dos demónios e se confundem pensando ser entidades diferentes, mas na verdade são exactamente as mesmas entidades só que as pessoas não sabem.

Mas então donde vêem esses nomes diferentes? Esses nomes vêem do facto dos Magos ao longo dos tempos e das culturas traduzirem os nomes das entidades com quem contactavam, para versões similares às da sua cultura. Por isso encontramos a mesma referência para certos demónios com nomes de origem Persa, ou Grega, ou Latina. Decidi esclarecer isto, visto ser uma confusão frequente quando se usa o nome de demónios de fontes diferentes.

Fiz este diagrama para exemplificar o que é a Hierarquia Horizontal e Vertical no que diz respeito às Entidades.

 A escolha da entidade é fundamental. Contudo, é preciso aqui esclarecer três pontos:
  1. Diz respeito à hierarquia das próprias entidades. Cada entidade está posicionada segundo uma hierarquia, quando nós encontramos os nomes descritos nos livros sobre as entidades, geralmente apresentam a hieraquia em que está inserida. As hierarquias estão divididas em posições horizontais e verticais. Agora, quando um Mago diz vamos trabalhar com a entidade X ou Y, em verdade não se está a trabalhar directamente com essa entidade mas com um subalterno por assim dizer, a não ser que se decida trabalhar com a própria entidade líder da hierarquia. Imaginemos que alguém vai a um consultório de advogados que tem o nome pomposo Z. A pessoa não vai ser representada pelo advogado Z a não ser que o peça explicitamente sabendo que para isso vai ter de pagar mais pelos seus serviços do que se fosse representado por um advogado que trabalha para o consultório Z. Contudo, se o consultório Z está horizontalmente mais bem conoctado do que o consultório W, então pode acontecer que um dos advogados do consultório Z seja mais bem pago do que o próprio director do consultório W, para melhor entender isso fiz um pequeno diagrama para procurar explicar isso.
  2. Relacionado com o primeiro ponto, deve-se entender que mesmo que não seja a Entidade líder de uma hierarquia a realizar o trabalho, a não ser que assim o seja exigido, não é a entidade subalterna que aparece na conjuração, mas o topo da sua hierarquia. Imaginemos que se vai conjurar Astaroth para um trabalho complexo de Amarração, onde não é o próprio Astaroth quem vai realizar o trabalho, mas na conjuração o conjurado deve ser o líder da hierarquia e neste caso com quem o Mago intervem é com o próprio Astaroth mesmo que não seja ele a realizar o trabalho. Até porque o Mago quando estabelece um Pacto Tácito com as entidades, o faz com o Líder da Hierarquia e não com os subalternos. Por exemplo, imaginemos que uma empresa de comércio quer construir uma Mega Superfície Comercial, abre um concurso e escolhe uma Grande Empresa de Construção Cívil, essa empresa de comercío vai negociar com os responsáveis dessa Grande Empresa de Construção Cívil, mas não são esses com quem negoceiam quem vai construir a Mega Superfície Comercial, tanto que essas Grandes Empresas de Construção Cívil recorrem a várias empresas como subempreitadas para realizar o trabalho. Por isso, é que mesmo nos pactos parciais que os comendadores podem realizar eles estabelecem o pacto com o líder da hierarquia mesmo que não seja esse quem lhes vai realizar o trabalho e cumprir o acordo estabelecido.
  3. Deve-se procurar fazer o máximo com o mínimo. Com isto quero dizer que na escolha da Entidade, se o alvo parecer não oferecer grande resistência, e se o trabalho que o comendador pede não for complexo mas simples não há necessidade de perder tempo e recursos em por exemplo usar o próprio Astaroth em pessoa para a realização do trabalho. Por isso quando digo que se deve procurar fazer o máximo com o mínimo quero dizer que deve-se procurar alcançar sempre os melhores resultados mas com o mínimo possível para o fazer e que não comprometa o resultado final. Como se costuma dizer não se mata uma mosca com uma caçadeira.

Uma vez com estes pontos entendidos, podemos passar ao próximo passo a saber os recursos que serão dados à entidade. Cada entidade, com respeito à sua posição na hierarquia tem um preço à cabeça diferente (digo assim para simplificar)
Então as variáveis dos recursos oferecidos à entidade variam consoante cinco variáveis:

  1. A própria entidade. Com isto refiro-me à sua posição na hierarquia, cada entidade exige ou pede coisas diferentes. Imaginemos que um Mago pretende A. O mesmo A numa entidade de hierarquia superior consome mais recursos do que com uma entidade menor. Contudo, o Mago pode ter mais garantias com a entidade superior do que com a menor.
  2. O tipo de trabalho. Cada trabalho difere em função dos intervenientes, do fim a que se destina e da própria natureza de tipo de trabalho.
  3. A força que se pretende projectada pela entidade na realização do mesmo.
  4. A finalidade que se pretende alcançar, pois podem existir dois trabalhos que podem caber dentro de uma mesma categoria mas com finalidades diferentes.
  5. A resistência que se pode prever da parte do alvo. Às vezes é preciso reconjurar e gastar mais recursos pois a estimativa da resistência pode não se confirmar correcta. Um procedimento com sucesso e se o comendador aceitar é a realização de um pacto parcial.
Fiz este esquema para melhor explicar a Conjuração por Mediação.

Agora, quando os detalhes da Amarração são resolvidos procede-se aos detalhes que são próprios da Conjuração. A Conjuração de Amarração ou Conjuração da Magia do Amor pode ser desenvolvida de três formas diferentes:
  1. Conjuração Complexa: esta conjuração dispensa a mediação do Comendador, para poder dispensar a mediação do Comendador ela é mais forte e mais trabalhosa.
  2. Conjuração por Mediação: esta conjuração é a mais comum, pois poupa recursos tanto ao Mago como ao Comendador. A Mediação é necessária na medida em que se estabelece um vínculo entre o Comendador e a Entidade facilitando o processo de aproximação da mesma ao Comendador. Mais à frente irei explicar o que é este processo.
  3. Conjuração por Mediação com Pacto Parcial (que já em cima mencionei): esta conjuração é similar à anterior, a diferença encontra-se que além do pagamento que o Mago deve fazer à entidade, este é reforçado por um Pacto Parcial entre o Comendador e a Entidade. Isto faz com que o trabalho seja mais forte, e tem a nunca de que o Pacto Parcial só fica válido depois da Entidade realizar aquilo que o Comendador deseja, caso contrário o pacto é nulo. Este tipo também é realizado para se reforçar um trabalho já previamente feito.

Este post já vai longo no próximo irei esclarecer melhor a continuação dos posts já publicados nomeadamente no processo entre a interação da entidade, do comendador e do alvo no desenrolar da amarração.


6.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 3: História das Amarrações - Magia do Amor, Idade Média)

Tendo visto de forma simples a história da Amarração ou da Magia do Amor na Grécia Antiga, iremos agora avançar para o período medieval e renascentista. Com respeito ao último post perguntaram-me sobre a mesma Magia no mesmo periodo histórico mas noutras culturas, nomeadamente nas culturas Orientais. Aproveito agora para responder que infelizmente apenas sei coisas soltas sobre as velhas tradições Mágicas Orientais. Nunca me debrucei muito sobre essas tradições Mágicas. Tenho alguns bons livros sobre essas tradições, que mal tenha um pouco mais de tempo irei colocar à disposição para Download. Assim como não tão oriental mas próximo do Médio Oriente, irei colocar fontes das tradições Persas e Mesopotâneas, que foram em parte quem trouxe muitos conhecimentos Mágicos para a Grécia.

Por uma questão de simplificação vamos considerar a Idade Média como tendo ínicio após a Queda de Roma no ano de 476dc e tendo o seu fim com a queda de Constantinopla em 1453. Também por simplificação vamos considerar o Renascimento como o período que vai desde a queda de Constatinopla até ao século XVII. Logo neste post vamos cobrir este período histórico.


Infelizmente desde a Queda de Roma até ao Renascimento, sendo que este último foi um dos periodos mais férteis da História da Magia, assiste-se a uma carência de informação sobre a transição dos Ritos Mágicos Helénicos até aos Ritos Mágicos Renascentistas que são aqueles que tomam a forma mais similar com aquilo que hoje em dia se pratica. Aquilo que temos actualmente ao nosso dispor são pontas soltas. Contudo, essas pontas soltas são em número suficiente para termos uma boa imagem da História da Magia do Amor durante aquele período.

Durante o período da Idade Média, poucos eram aqueles que sabiam ler e escrever, por causa disso muitas das informações que temos vêem da parte de membros da Igreja Católica que praticavam Magia Cerimonial. Por isso, em parte o que sabemos vem destas fontes.

No que diz respeito às Amarrações e à Magia do Amor,  observamos que existem algumas coisas que se mantêm desde o período Helénico e outras que se alteram. Como havia mencionado no post anterior, novamente as mulheres são victímas do estereótipo e mito de serem as responsáveis pela práctica e desenvolvimento deste tipo de Magia.

Por outro lado, um impulso dado nos Ritos de Amarração ou de Magia do Amor acontece com a obra de São Cipriano, onde começa a surgir uma sistematização de vários Ritos Gregos e Egípcios, tendo como fim último a Amarração de Ágape, aquela que é similar ao entendimento comum de hoje em dia. E é com base nesta sistematização de São Cipriano que encontramos vários ritos e notas ao longo da subsequente história medieval, como por exemplo a do Monge Alemão Jonas Sufurino no ano de 1001.

Ao mesmo tempo, observa-se a um renovamento da Amarração de Eros, tendo o fim último de apenas se alcançar relações sexuais. Estes ritos ganham nova forma na Idade Média, e os seus relatos e ritos escritos dizem respeito a Monges e membros do Clero Católico. Poder-se-ia dizer que o fim último destes ao recorrerem a este tipo de Magia era o de Flertarem (perdoem-me o neologismo). É interessante observar que este uso da Magia de Amor surge num contexto muito diferente daquele donde teve a sua origem. Em certos estratos e pontos da Cultura Grega assistia-se a uma liberalização da sexualidade sendo nesse contexto o surgimento de vários relatos da Amarração de Eros. O que agora é curioso na Idade Média Cristã é o ressurgimento e reforço desta prática Mágica, mas agora num contexto em que a sexualidade é reprimida.

É interessante também se observar que a Amarração ou a Magia do Amor é um dos princípais alvos por parte da Inquisição sobre quem pratica as Artes, como se observa numa nota de 1627 em Veneza por parte do tribunal da Inquisição. Para mais detalhes pode-se ver no seguinte livro nas páginas 80-82, basta carregar no link: «Davies, O - Grimoires: A History of Magic Books. Oxford: Oxford University Press, 2009»

Contudo, deste último ponto é importante salientar que surge um novo tipo de Amarração, ou mais precisamente, não um novo tipo mas uma nova finalidade. A ideia que hoje temos de casamento (ou matrimónio num paradigma cristão), tem a sua origem com a evolução do cristianismo. Por isso, na Idade Média começa-se a assistir a amarrações com o objectivo último de salvar casamentos. Apesar de a questão do divórcio ser quase nula durante aquele período, o objectivo era salvar a relação e não evitar o divórcio como infelizmente hoje acontece. Um desses relatos, chega-nos de uma Maga (ou Bruxa para quem preferir) de nome Elisabete que procura recuperar a relação amorosa com o seu marido Teodorico. Contudo, como anteriormente havia referido não eram só as mulheres que praticavam a Amarração, mas os homens igualmente o faziam. Para mais detalhes sobre este tema, recomendo a leitura da página 187-188 do seguinte livro, basta carregar no link: «LÁNG, B. - Unlocked Books: Manuscripts of Learned Magic in the Medieval Libraries of Central Europe. University Park: Pennsylvania State University Press, 2008».

Ao mesmo tempo, começa-se a observar o uso da antiga Amarração Grega baseada na Philia (que expliquei no post anterior), a saber, uma amarração para criar um vínculo de amizade, mas desta vez com fins políticos. Existem relatos de que o Rei Polaco Augustine Sigismund (1520-1572), seria alvo deste tipo de trabalhos para se obter favores políticos com recurso a influências femininas. Para se ver fontes diversificadas sobre este tema basta carregar neste link: «Brzeżinska, A. - “Female Control of Dynastic Politics in Sixteenth-Century Poland"». E neste link: «Brzeżinska, A. - “Political Significance of Love Magic Accusations at the Jagiellonian Court”»

Então, deixa de ser praticada a Amarração de Afectos com o fim de «suavizar os corações» ou «ligar o que anda distante» para ser agora uma forma de vínculo a melhor se conseguir algo de um determinado alvo.

É no final do Renascimento com o surgimento dos Grimoriuns (com a forma actual com que se apresentam) que as Amarrações ou Magia do Amor foram  consolidadas.

Muito mais haveria para se dizer sobre este e o período da Antiguidade Clássica. Contudo, estes posts procuram ser simples. Em princípio não irei tratar o periodo histórico subsequente até aos nossos dias, visto já serem muito similares com o que hoje praticamos. Para mais informações este próximo livro também é interessante, basta carregar no link: «SZEGHYOVA, B. - The Roles of Magic in the Past. Bratislava: Pro Historia, 2005».




5.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 1: Introdução)

Neste grupo de posts procurarei informar e responder à maioria das questões que me têm sido feitas sobre a Amarração ou Amarrações, um tipo de Magia de Amor que é conhecida deste a antiguidade como o Feitiço do Amor. Por uma questão de simplificação ao longo destes posts vou designar toda esta realidade por Amarração, por ser a designação mais frequente na Língua Portuguesa.
Ao início procurarei usar o método de Pergunta-Resposta como se de uma FAQ se tratasse. Contudo, uma vez alguns pressupostos tratados irei trabalhar por temas e não por questões.
Por uma questão de simplificação quando me refirirei a casos de amarração ou outros temas (assim como a imagens ou esquemas explicativos) irei tratá-las como entre pessoas de sexos diferentes. A amarração existe entre pessoas do mesmo sexo, e para que fique claro, rejeito veemente qualquer tipo de preconceitos homofóbicos.

1. Será que Amarração, Amarrações, Magia do Amor, Feitiço do Amor, Magia Erótica, Feitiço Erótico, União Amorosa, Laço Amoroso, etc... é tudo a mesma coisa?

Para simplificar, todos estas designações referem-se à mesma realidade Mágica. A diferença algumas vezes encontra-se no tipo de Magia do Amor. Contudo todas elas estão por assim dizer dentro da mesma categoria. Por uma questão de simplificação ao longo destes posts vou designar toda esta realidade por Amarração, por ser a designação mais frequente na Língua Portuguesa.

2. O que é uma Amarração? Por outras palavras o que é a Magia de Amor?

A Amarração ou Magia do Amor é um tipo de Magia que é practicada em ordem a unir duas pessoas, sendo elas de sexos diferentes ou não. Existem diferentes tipos de uniões que mais adiante explicaremos. Contudo, o importante aqui a reter é que por recurso à Magia uma pessoa pretende cativar outra pessoa para um relacionamento amoroso de reciprocidade, noutros casos trata-se de um relacionamento puramento sexual, mas o fundamental é a tentativa de um vincúlo passional que vai unir a pessoa amarrada àquela que deseja a amarração.

Sendo que isto é possível através da mediação de um Mago(a) e das «Entidades» que tornam isto possível.

3.  Quem são os intervenientes no processo de Amarração?

O primeiro interveniente é o Comendador do Trabalho. O Comendador do Trabalho é aquela pessoa que deseja a amarração. Isto é, que deseja auxílio não natural para conquistar ou iniciar um relacionamento amoroso com outra pessoa.

O segundo interveniente é o Alvo do Trabalho. O Alvo do Trabalho é a pessoa que vai estar sobre o efeito da amarração. Isto é, aquela que é desejada pelo Comendador do Trabalho, aquela que ele deseja amarrar a si.

O terceiro interveniente é o Mago(a). O Mago é a pessoa que vai ser o mediador para que a amarração venha a surgir. Isto é, aquela pessoa que irá ser contactada pelo Comendador do Trabalho em vista a alcançar o objectivo que pretende neste casso a Amarração. O Trabalho do Mago para além de orientar e guiar o Comendador é o de ser ele a intervir junto das Entidades para que o Trabalho Mágico aconteça.

O quarto interveniente é a Entidade. A Entidade é a «pessoa» que vai fazer com que o trabalho seja possível. Vai ser ela que por vários meios irá procurar vincular o Alvo ao Comendador, em ordem a que a Magia seja realizada.

Esquema Explicativo dos Intervenientes e do Processo de Amarração. + Malleus Maleficium


P.S: Aqui para me libertar da contaminação teológica, irei utilizar o termo «Entidade». Contudo, a expressão mais vulgar é demónio, espírito, anjo, etc...

29.10.12

Bibliografia Actualizada

Venho informar que a secção de Bibliografia/Downloads foi actualizada com os seguintes volumes. Dentro em breve será novamente actualizada com novos volumes.



A Chave para as Clavículas de Salomão (The Key to Solomon's Key, Duquette)


The Keys to the Gateway of Magic, Summoning the Solomonic Archangels and Demon Princes, Skinner & Rankine, Golden Hoar Press


Grimoirium do Papa Honorius III (The Great Grimoire of Pope Honorius III, versão clássica)









O Goetia Luciferiano (The Luciferian Goetia, Ford)


The Baphomet Codex - Ego Diabolus (O Código de Bafomé) 


Baphomet Magie, Walter Jautschilk, Verlag 
 

A Modern Goetic Grimoire, Rufus Opus (Grimorium Moderno de Goetia)


Edição Especial do Goetia (recomendo esta versão melhorada do Goetia)


Aleister Crowley's Illustrated Goetia (O Goetia Ilustrado de Aleister Crowley) 


Pacts with the Devil: a Chronicle of Sex, Blasphemy and Liberation, Hyatt & Black


The Black Raven: the Three fold Coercion of Hell 


The Book of Black Magic and of Pacts: Including the Rites and Mysteries of Goetic Theurgy, Sorcery, and Infernal Necromancy, Waite 


The Book of Cerimonial Magic: the Secret Tradition in Goetia, including the Rites and Mysteries of Goetic Theurgy, Waite 


The Infernal Conjurations of the Notorious Grimoire of Honorius




Collectanea Hermetica, Westcott, Theosophical Publishing Society 



Dark Mirrors: Azazel and Satanael in Early Jewish Demonology, Andrei Orlov, State University of New York
 

25.10.12

Filosofia da Magia - Recensão do Livro «The Language of Demons and Angels: Cornelius Agrippa's Occult Philosophy» e Download

Talvez um dos maiores Magos de toda a História, e uma figura notável do Renascimento Alemão foi Heinrich Cornelius Agrippa Von Nettesheim. Actualmente é mais conhecido por Cornelius Agrippa. Infelizmente no mundo do Esoterismo e das Ciências Ocultas, faz-se um estranho dualismo entre as importantes obras de Agrippa para a Magia Cerimonial e a sua Filosofia e Pensamento. O porquê de para alguns Magos ser difícil aplicar os conhecimentos da Magia de Agrippa resulta do facto de estarem a ler apenas os seus Grimoiriuns como se de um livro de receitas se tratasse (erro muito frequente neste e noutros autores), negligenciando a importância de toda a sua obra Filosófica, Alquimica, Astrológica e Teológica. De todas elas, a mais importante é sem dúvida a sua obra Filósofica.

Por tudo isso, recomendo este excelente livro para os mais ávidos em conhecimento: «The Language of Demons and Angels: Cornelius Agrippa's Occult Philosophy». Este livro foi escrito pelo Professor Christopher Lehrich da Universidade de Boston, e procura responder ao porquê de Agrippa ter exercido uma influência tremenda no seu tempo ainda como tem no nosso. As conclusões do Professor Lehrich assentam na própria filosofia e bases fundamentais de Agrippa, a saber a sua formação Neoplatónica, que o comprometia numa distinção fundamental entre fé e razão; entre o estudo do divino (teologia fundamental) e o estudo das coisas criadas (teologia natural).

Agrippa considerava que as incertezas da revelação Cristã, não nos referimos aos Dogmas ou aos Artigos de Fé, deveriam ser objectos do debate teológico, pelo que pensava ser adequado acomodar textos mais esotéricos assim como estratégias interpretativas para melhor se abarcar o problema da existência. O Professor Lehrich também mostra nesta importante obra, que o divino ocupa um lugar central na principal Obra Mágica de Agrippa, isto é o «De Occulta Philosophia» (1533) através da noção de «cadeia de vivificação» que liga o natural, com o celestial e com o mundo divino.

Esta noção é desenvolvida pelo autor em mais detalhe no capítulo 2 sobre o mundo natural; no capítulo 3 sobre o mundo celestial; no capítulo 4 sobre a realidade divina. Estes três capítulos centrais estão enquadrados por um capítulo introdutório, em que se anuncia possíveis ramificações teoréticas para a história da religião, da filosofia e da Magia. A obra termina com um capítulo conclusivo que sumariza a coerência do projecto intelectual de Agrippa, assim como as suas implicações para a história das ideias no período pós-moderno como nos dias de hoje.


23.10.12

Realização do Círculo Mágico da Arte - Preparação para uma Conjuração (Parte 5)

Como já referi no post anterior, para a realização de Magia Cerimonial de Conjuração é necessário um Círculo Mágico. Nest post vou mostrar como fiz um dos meus primeiros círculos há vários anos atrás. Mostro este porque é relativamente simples de ser feito, e bom para iniciados.

Então o desenho que utilizei foi este aqui (que já mostrei no post anterior): 


Por conseguinte, uma vez com o desenho e para manifestar esta Magia na nossa realidade concreta, tive de procurar tudo o que era necessário para a sua realização. Para isso, comecei por ir comprar uma lona de algodão. O algodão também serve para o efeito pretendido, contudo os materiais mais nobres são o linho ou carpete. Na altura, por não poder despender de muitos recursos económicos optei pelo algodão, e para alguém se iniciar não é preciso investir assim muito dinheiro. O que agora uso, um círculo bastante diferente em lona de Linho para Alta Magia Negra, custou-me há uns anos cerca de 650€ só o tecido. Contudo, em algodão se a memória não me atraiçoa foi qualquer coisa como 40€.

Então, nessa altura comprei lona de algodão com 1.8m por 2.4m, o que era o tamanho necessário para trabalhos sobre quatro paredes, além de ser o tamanho que cabia na sala de magia do sítio onde na altura morava.

Depois fui comprar tinta preta acrílica, vários pincéis, cordel e fita autocolante para pinturas. Em todo o material que utilizei, aspergi, fumeguei e purifiquei segundo os ritos do Clavicula Salomonis. E juntei todo o material em frente de uma vela consagrada, e rezei as orações próprias de consagração e purificação.

Depois passei à purificação do tecido, tendo colocado Óleo de Abramelin (mais à frente colocarei um post sobre a importância e preparação de Óleo de Abramelin) nos quatro cantos do tecido, mais nos quatro cantos dos pontos cardinais a virem ser desenhados no tecido. Depois queimei ólibano e mirra e levantando o tecido fui fumegando por cerca de uma hora, de maneira a que estes odores mágicos de purificação se fossem entranhando no tecido.

Durante o processo de realização do círculo apenas tinha vestido uma túnica branca devidamente consagrada, isto porque teria de estar agachado sobre o tecido pelo que teria de tocar no tecido, e arruinaria o projecto tocá-lo sem antes eu próprio estar purificado e alvo, assim como o tecido sobre mim.

Depois com o auxílio da fita autocolante, também ela purificada, ia colocando sobre o tecido não só para auxiliar nas pinturas, mas principalmente para nessa fita fazer as inscrições a lápis para depois em cima fazê-las mais direitinhas com o pincel.

Depois com o auxílio de um cd que tinha por casa; que também ele foi fumegado e purificado, pois o seu uso apenas que simples, sem as devidas preparações, poderia ter arruinado todo o projecto, utilizei para fazer os cantos interiores da cruz com forma circular.   

Uma vez tendo terminado o processo, peguei em todos os instrumentos consagrados, atei-os e coloquei dentro de um saco de tecido de algodão que previamente comprei para quando preciso de deitar fora as ferramentas. Como se sabe, os materiais consagrados não podem ser deitados para o lixo como fazemos com os restos da comida. Ou se queimam, ou se enterram em locais próprios. Como na altura não tinha uma lareira para os queimar, e como na altura também morava no centro da cidade, não podia fazer uma fogueira na rua, então de noite levei-os para o terreno de um cemitério nas redondezas da cidade e ali enterrei-os a uma boa profundidade. Só mais tarde vim a saber, que também os poderia ter deitado ao Rio ou então enterrado-os num sitio mais seguro para mim, a saber numa propriedade onde estivesse uma Igreja presente.

Uma semana depois do Círculo Mágico preparado, chega a altura em que se vai consagrar o próprio Círculo em si. Isto é um longo processo, como vem bem descrito no Clavicula Salomonis, mas como tinha em mente este Círculo Simples vir a ser usado na minha iniciação à mais Pura Magia Negra, então tive no ritual de consagração no mesmo, beber uma mistura profana de sangue de boi (comprado num talho) com vinho tinto e sal. Foi talvez a pior altura de todo o processo, porque é algo que me repugna, mas na Magia Negra temos de ter a capacidade de fazer sacrifícios, e alguns deles (até os mais fáceis) são termos de fazer coisas que nos repugnam à mente e aos sentidos.

Uma vez o processo completado, no dia seguinte alinhei o Círculo na minha pequena Sala Mágica, com o auxílio de uma bússola para os pontos cardinais correctos. E acendi uma vela consagrada para Este. Nessa noite realizei um pequeno Rito Cerimonial de conclusão de todo o processo, pedindo protecção e luz para todas as Artes que ali viria a realizar, sem que as trevas do engano me pudessem comprometer.  

Depois dessa parte do processo ter sido completada, e como me destinava a ali realizar Magia Negra, tive de fazer três Pentagramas em placas de madeiras. Dois destinavam-se à colocação das Velas Consagradas no Círculo. O terceiro destinava-se para colocar o fogareiro a carvão para as fumegações necessárias na Magia Cerimonial. Para isso comprei três placas de madeira simples com 15 cm de diâmetro. Hoje utilizo em ébano. Neles desenhei um pentagrama com o auxílio de um compasso e de um transferidor. Gravei os desenhos a quente recorrendo a um instrumento eléctrico para fazer gravações a quente de uma pessoa conhecida. Utilizei uma versão dos Diagramas Mágicos prescritos para aquele pentagrama, uma versão Negra. Uma vez com essa parte feita, apliquei um verniz e um revestimento final. O final do processo foi a consagração final que só fiz na noite seguinte.

Todo o processo levou-me cerca de duas semanas a completar. A parte mais chata do processo é quando temos de ser meticulosos em colocar a geometria direitinha, e se temos em vista Magia Negra, o Rito do Mago Negro (a parte de beber o preparado dito «vermelho»).
Este círculo é simples, portátil e mais barato que os normais, é uma boa Peça de Magia indispensável a quem pretende seguir estes Mistérios. Foi me de grande utilidade, e ainda o conservo. Mesmo não possuindo a habilidade de certos Magos para o desenho perfeito e para um traço fino, volto a dizer que o mais importante é a fidelidade e a concentração a todo o ritual.