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8.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 6: As Entidades na Amarração - Magia do Amor)

Uma vez com os conteúdos dos posts anteriores em Mente podemos prosseguir.
No último post nós vimos a diferença entre as pessoas e como estas podem oferecer resistência à Magia, assim como dois mitos que estão associados e que agora poderemos melhor compreender o seu desmantelamento.

As entidades tal como já tive oportunidade de dizer têm limites, contudo apesar da resistência que os Alvos possam oferecer elas conseguem muitas vezes ultrapassá-los.

Prosseguindo, assim que o comendador contacta o mago e ambos acertam o que têm de acertar, e independetemente do tipo de Amarração (que será tratado em posts subsequentes), esta SÓ SE REALIZA COM RECURSO A UMA CONJURAÇÃO CERIMONIAL, QUE É O RITUAL PRÓPRIO DA CONJURA E ENVIO DAS ENTIDADES E, SEM ELAS NÃO EXISTE MAGIA DO AMOR.

Coloquei aquela informação em Caps Lock, porque muitas pessoas são desinformadas a verem revistas ou sites ou livros onde se diz para fazer bonecas, ou rezar somente ladainhas, ou tomar bebidas, ou dar bebidas a beber ao alvo, ou dar pózinhos a colocar sobre o alvo, ou a dar coisas para o alvo pisar. NADA DISSO FUNCIONA, A AMARRAÇÃO SÓ FUNCIONA PORQUE SÃO AS ENTIDADES QUE GARANTEM A AMARRAÇÃO.

Tendo isto em cima esclarecido é preciso desmistificar mais um mito associado às Entidades. Vou o designar pelo Mito da Referência e da Denotação.

Então, eu pessoalmente devido ao facto de que a Tradição das Artes Negras assenta nos Grimoriuns utilizo como nome das Entidades os que vêm descritos no Lemegeton. Contudo, existem outros livros e outras fontes com nomes totalmente diferentes. O Mito consiste em as pessoas pensarem que se tratam de entidades diferentes.
Eu chamo-lhe de Mito da Referência porque isto tem a ver com o fenómeno da própria referência.
Ou seja, vou começar por usar o exemplo dos nomes das pessoas. O nome Stephan em Inglês pode ser traduzido para Português pelo nome Estefano, contudo a tradução literal e correcta de Stephan para Português é Estevão. No entanto, nós temos duas traduções possíveis para Stephan = Estefano e Estevão.
Ou outro exemplo, eu pensava que o jogador brasileiro de futebol Bebeto tinha esse nome como seu apelido, só mais tarde soube que essa era uma Alcunha, e que o seu nome real é José de Oliveira. Por exemplo, se alguém me dissesse que o jogador brasileiro José de Oliveira marcou um golo na final do mundial eu ficaria espantado e diria: «Não sei quem é esse jogador, em que clube ele joga?»; mas se me dissessem que o jogador Bebeto marcou um golo na final do mundial eu não ficaria espantado e saberia quem é. Na verdade estes dois nomes referem-se à mesma pessoa.
Prosseguindo, durante o tempo dos Descobrimentos os Europeus quando chegaram a terras novas e da necessidade de contacto para com as pessoas locais latinizaram os seus nomes. Um desses exemplos é o do Rei do Congo, de seu nome original Nzinga a Nkuwu mas rebaptizado de João I. Quando nos referimos a Nzinga a Nkuwu ou João I do Congo estamos a denotar ou seja a referirmo-nos exactamente à mesma pessoa mas com nomes diferentes.

Porque é que me detive nestes exemplos? Porque muitas pessoas encontram afirmações dispersas ou variações de nomes dos demónios e se confundem pensando ser entidades diferentes, mas na verdade são exactamente as mesmas entidades só que as pessoas não sabem.

Mas então donde vêem esses nomes diferentes? Esses nomes vêem do facto dos Magos ao longo dos tempos e das culturas traduzirem os nomes das entidades com quem contactavam, para versões similares às da sua cultura. Por isso encontramos a mesma referência para certos demónios com nomes de origem Persa, ou Grega, ou Latina. Decidi esclarecer isto, visto ser uma confusão frequente quando se usa o nome de demónios de fontes diferentes.

Fiz este diagrama para exemplificar o que é a Hierarquia Horizontal e Vertical no que diz respeito às Entidades.

 A escolha da entidade é fundamental. Contudo, é preciso aqui esclarecer três pontos:
  1. Diz respeito à hierarquia das próprias entidades. Cada entidade está posicionada segundo uma hierarquia, quando nós encontramos os nomes descritos nos livros sobre as entidades, geralmente apresentam a hieraquia em que está inserida. As hierarquias estão divididas em posições horizontais e verticais. Agora, quando um Mago diz vamos trabalhar com a entidade X ou Y, em verdade não se está a trabalhar directamente com essa entidade mas com um subalterno por assim dizer, a não ser que se decida trabalhar com a própria entidade líder da hierarquia. Imaginemos que alguém vai a um consultório de advogados que tem o nome pomposo Z. A pessoa não vai ser representada pelo advogado Z a não ser que o peça explicitamente sabendo que para isso vai ter de pagar mais pelos seus serviços do que se fosse representado por um advogado que trabalha para o consultório Z. Contudo, se o consultório Z está horizontalmente mais bem conoctado do que o consultório W, então pode acontecer que um dos advogados do consultório Z seja mais bem pago do que o próprio director do consultório W, para melhor entender isso fiz um pequeno diagrama para procurar explicar isso.
  2. Relacionado com o primeiro ponto, deve-se entender que mesmo que não seja a Entidade líder de uma hierarquia a realizar o trabalho, a não ser que assim o seja exigido, não é a entidade subalterna que aparece na conjuração, mas o topo da sua hierarquia. Imaginemos que se vai conjurar Astaroth para um trabalho complexo de Amarração, onde não é o próprio Astaroth quem vai realizar o trabalho, mas na conjuração o conjurado deve ser o líder da hierarquia e neste caso com quem o Mago intervem é com o próprio Astaroth mesmo que não seja ele a realizar o trabalho. Até porque o Mago quando estabelece um Pacto Tácito com as entidades, o faz com o Líder da Hierarquia e não com os subalternos. Por exemplo, imaginemos que uma empresa de comércio quer construir uma Mega Superfície Comercial, abre um concurso e escolhe uma Grande Empresa de Construção Cívil, essa empresa de comercío vai negociar com os responsáveis dessa Grande Empresa de Construção Cívil, mas não são esses com quem negoceiam quem vai construir a Mega Superfície Comercial, tanto que essas Grandes Empresas de Construção Cívil recorrem a várias empresas como subempreitadas para realizar o trabalho. Por isso, é que mesmo nos pactos parciais que os comendadores podem realizar eles estabelecem o pacto com o líder da hierarquia mesmo que não seja esse quem lhes vai realizar o trabalho e cumprir o acordo estabelecido.
  3. Deve-se procurar fazer o máximo com o mínimo. Com isto quero dizer que na escolha da Entidade, se o alvo parecer não oferecer grande resistência, e se o trabalho que o comendador pede não for complexo mas simples não há necessidade de perder tempo e recursos em por exemplo usar o próprio Astaroth em pessoa para a realização do trabalho. Por isso quando digo que se deve procurar fazer o máximo com o mínimo quero dizer que deve-se procurar alcançar sempre os melhores resultados mas com o mínimo possível para o fazer e que não comprometa o resultado final. Como se costuma dizer não se mata uma mosca com uma caçadeira.

Uma vez com estes pontos entendidos, podemos passar ao próximo passo a saber os recursos que serão dados à entidade. Cada entidade, com respeito à sua posição na hierarquia tem um preço à cabeça diferente (digo assim para simplificar)
Então as variáveis dos recursos oferecidos à entidade variam consoante cinco variáveis:

  1. A própria entidade. Com isto refiro-me à sua posição na hierarquia, cada entidade exige ou pede coisas diferentes. Imaginemos que um Mago pretende A. O mesmo A numa entidade de hierarquia superior consome mais recursos do que com uma entidade menor. Contudo, o Mago pode ter mais garantias com a entidade superior do que com a menor.
  2. O tipo de trabalho. Cada trabalho difere em função dos intervenientes, do fim a que se destina e da própria natureza de tipo de trabalho.
  3. A força que se pretende projectada pela entidade na realização do mesmo.
  4. A finalidade que se pretende alcançar, pois podem existir dois trabalhos que podem caber dentro de uma mesma categoria mas com finalidades diferentes.
  5. A resistência que se pode prever da parte do alvo. Às vezes é preciso reconjurar e gastar mais recursos pois a estimativa da resistência pode não se confirmar correcta. Um procedimento com sucesso e se o comendador aceitar é a realização de um pacto parcial.
Fiz este esquema para melhor explicar a Conjuração por Mediação.

Agora, quando os detalhes da Amarração são resolvidos procede-se aos detalhes que são próprios da Conjuração. A Conjuração de Amarração ou Conjuração da Magia do Amor pode ser desenvolvida de três formas diferentes:
  1. Conjuração Complexa: esta conjuração dispensa a mediação do Comendador, para poder dispensar a mediação do Comendador ela é mais forte e mais trabalhosa.
  2. Conjuração por Mediação: esta conjuração é a mais comum, pois poupa recursos tanto ao Mago como ao Comendador. A Mediação é necessária na medida em que se estabelece um vínculo entre o Comendador e a Entidade facilitando o processo de aproximação da mesma ao Comendador. Mais à frente irei explicar o que é este processo.
  3. Conjuração por Mediação com Pacto Parcial (que já em cima mencionei): esta conjuração é similar à anterior, a diferença encontra-se que além do pagamento que o Mago deve fazer à entidade, este é reforçado por um Pacto Parcial entre o Comendador e a Entidade. Isto faz com que o trabalho seja mais forte, e tem a nunca de que o Pacto Parcial só fica válido depois da Entidade realizar aquilo que o Comendador deseja, caso contrário o pacto é nulo. Este tipo também é realizado para se reforçar um trabalho já previamente feito.

Este post já vai longo no próximo irei esclarecer melhor a continuação dos posts já publicados nomeadamente no processo entre a interação da entidade, do comendador e do alvo no desenrolar da amarração.


Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 5: Resistência, Protecção e Perfil do Alvo à Amarração - Magia do Amor)

Uma vez com o conteúdo do último post em mente poderemos agora avançar na compreensão do processo de Amarração ou de Magia do Amor.

Neste seguimento de posts vou desmistificar aquilo a que  chamo os dois mitos centrais das Amarrações:







  1. É o mito de que a Magia e consequentemente as Amarrações são como Fast Food. Magia não é Fast Food. Ou seja, quando realizada não existem resultados imediatos e instantâneos, Magia e por conseguinte a Amarração demora tempo a operar até se alcançar o objectivo pretendido. Infelizmente as pessoas não têm paciencia e querem resultados em tempos absurdos como 2 Dias ou 15 Dias. Por isso é que tantas são enganadas por anúncios que prometem trazer o seu amor de volta em tão curto espaço de tempo. Como se costuma dizer: «A pressa é inimiga da perfeição».
  2. É o mito de que a Magia é Milagreira. A realização da Magia não é a realização de Milagres. A Magia tem limites e fronteiras. Este mito está intrinsecamente relacionado com o anterior. Nomeadamente, no que diz respeito às Amarrações ou Magia do Amor há certas coisas que são impossíveis de se alcançar. Por conseguinte, as Amarrações têm também elementos necessários para se obter sucesso, um deles é o Comendador e o Alvo conhecerem-se pessoalmente. Existem muitas pessoas que são enganadas porque lhes prometem em 5 dias obter uma amarração com «celebridades» da TV que nunca as viram na vida. Uma amarração não funciona sem ter havido contacto entre Alvo e Comendador, por conseguinte não é possível que uma pessoa que nunca tenha conhecido minimamente o George Clooney possa obter aquilo que pretende com uma Amarração.
Resultado destes dois mitos convém salientar outras duas coisas:
  1. A primeira é que as Amarrações não são como a maioria das pessoas pensam que são.
  2. A segunda é que as Amarrações não se processam como a maioria das pessoas pensam que se processam.
Prosseguindo, vamos agora recapitular de forma mais aprofundada o conteúdo do post anterior.

Vamos partir do princípio que um Comendador contacta o Mago, diz-lhe o que pretende, e dá-lhe as informações necessárias. A partir deste ponto o Mago deverá escolher a Entidade que melhor poderá alcançar o fim que o Comendador pretende.

Contudo, ao contrário daquilo que se pensa nós não somos totalmente transparentes ou permeáveis às Entidades e à sua acção. Esse é um outro mito, nós temos algumas defesas face às entidades, e elas não podem tudo como nós pensamos que elas podem.

Cada pessoa é única, irrepetível e singular. Como tal, cada pessoa apresenta um nível diferente de resistência ao trabalho das entidades, os principais factores defensivos e de resistência que um alvo pode colocar são:
  1. Internos, ou seja, da própria natureza da pessoa, que pode ser subdividido:
    1. Do seu próprio Ser;
    2. Do seu temperamento e feitio, aqui gostaria de salientar os seguintes traços:
      1. O seu grau de Determinação;
      2. O seu grau de Teimosia;
      3. O seu grau de Resiliência;
      4. O seu grau de Fortaleza Temperamental;
      5. O seu grau de Auto-Estima
      6. Do grau de sensibilidade que tem para o seu mundo interior, ou seja, da capacidade de se escutar a si mesmo, dando nome a todas as emoções e sentimentos que vai sentido;
      7. Relacionado com o último ponto, o grau de Inteligência Emocional. Pessoas com elevada inteligência emocional são mais resistentes;
      8. Relacionado com os dois pontos anteriores, a capacidade de Ascése e de Mortificação. Infelizmente estas palavras estão cada vez mais em desuso, não só pela negra conotação católica, mas porque a nossa sociedade é um pouco alheia ao seu conteúdo. Então, para simplificar vamos considerar a capacidade de Ascése e de Mortificação como a resiliência de alguém em ir contra os seus próprios apetites, e saber discernir entre os apetites legítimos dos ilegítimos.
  1.  Externos, ou seja, que afectam a pessoa protegendo-a e defendendo:
    1. A presença de uma relação forte de amor, onde seja verdadeiramente amada por uma outra pessoa;
    2. Protecções adicionais que possua;
    3. Prática Religiosa;
    4. Limpezas que lhe tenham sido validamente submetidas.
Todos estes pontos podem ser determinantes no sucesso ou não de uma amarração, destes pretendo sublinhar o ponto (1.2.8). Creio e ao longo da minha experiência que esse é o ponto determinante na resistência que um alvo pode oferecer.
Por outro lado, esse mesmo ponto está cada vez mais diluido na nossa sociedade. As caracteristicas actuais da nossa sociedade fazem com que as pessoas tenha uma capacidade menor de ascése e de mortificação. Debaixo dos slogans «Carpe Diem», ou «Segue o que Sentes», a nossa sociedade convida-nos a viver a vida ao máximo, seguindo os nossos impulsos e desejos, entrando num frenesim por os conseguir saciar.
Contudo, não quero afirmar que isto é mau, apenas no que diz respeito ao Trabalho e Influências das Entidades, como irão mais à frente perceber isto é perfeito. O que elas querem é que nós sigamos os desejos que elas nos apresentam, tal como a publicidade e o marketing elas criam em nós necessidades em diferentes tipos de acções da sua parte.

Consequentemente, o leitor já poderá perceber porque é tão fundamental o ponto (1.2.8) no que diz respeito à resistência do Alvo face ao Trabalho de Amarração ou Magia do Amor que lhe foi Lançado.
Este Diagrama que fiz, não está lá muito perfeito, mas tem o fim exemplificar quatro pessoas com perfis diferentes de resistência. Algumas pessoas são mais resistentes internamente do que externamente e outras são o contrário. Cada pessoa é única, como tal ninguém apresenta sempre os mesmos factores de resistência. Este perfil pode também ser aplicado aos comendadores.

Contudo, estas características não são apenas importantes para o Alvo do Trabalho enquanto protecção e resistência oferecida, como também são características fundamentais para o Comendador do Trabalho.

Alvo A = Azul (+- 30%); Alvo B = Vermelho (+- 15%); Alvo C = Verde (+-50%); Alvo D = Roxo (+-5%)

Fiz o diagrama em cima para mostrar quatro tipo de perfis diferentes de pessoas. Agora, com base numa estatística simples, apenas para exemplificar que tenho feito ao longo dos anos, venho a verificar que o perfil mais comum é o ALVO C e ALVO A. Contudo, os perfis que verdadeiramente surpreendem e dificéis de antever são o ALVO B e ALVO D. Uma das maiores causas do fracasso de uma amarração resulta das pessoas serem mais resistentes do que aquilo que inicialmente se fazia prever. Nos próximos posts também irei explorar e aprofundar esse tema.

No post seguinte vou continuar a explicar o que são as amarrações, os intervenientes e o processo em maior detalhe, explicando o porquê destas resistências serem fundamentais no processo de Amarração.

5.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 1: Introdução)

Neste grupo de posts procurarei informar e responder à maioria das questões que me têm sido feitas sobre a Amarração ou Amarrações, um tipo de Magia de Amor que é conhecida deste a antiguidade como o Feitiço do Amor. Por uma questão de simplificação ao longo destes posts vou designar toda esta realidade por Amarração, por ser a designação mais frequente na Língua Portuguesa.
Ao início procurarei usar o método de Pergunta-Resposta como se de uma FAQ se tratasse. Contudo, uma vez alguns pressupostos tratados irei trabalhar por temas e não por questões.
Por uma questão de simplificação quando me refirirei a casos de amarração ou outros temas (assim como a imagens ou esquemas explicativos) irei tratá-las como entre pessoas de sexos diferentes. A amarração existe entre pessoas do mesmo sexo, e para que fique claro, rejeito veemente qualquer tipo de preconceitos homofóbicos.

1. Será que Amarração, Amarrações, Magia do Amor, Feitiço do Amor, Magia Erótica, Feitiço Erótico, União Amorosa, Laço Amoroso, etc... é tudo a mesma coisa?

Para simplificar, todos estas designações referem-se à mesma realidade Mágica. A diferença algumas vezes encontra-se no tipo de Magia do Amor. Contudo todas elas estão por assim dizer dentro da mesma categoria. Por uma questão de simplificação ao longo destes posts vou designar toda esta realidade por Amarração, por ser a designação mais frequente na Língua Portuguesa.

2. O que é uma Amarração? Por outras palavras o que é a Magia de Amor?

A Amarração ou Magia do Amor é um tipo de Magia que é practicada em ordem a unir duas pessoas, sendo elas de sexos diferentes ou não. Existem diferentes tipos de uniões que mais adiante explicaremos. Contudo, o importante aqui a reter é que por recurso à Magia uma pessoa pretende cativar outra pessoa para um relacionamento amoroso de reciprocidade, noutros casos trata-se de um relacionamento puramento sexual, mas o fundamental é a tentativa de um vincúlo passional que vai unir a pessoa amarrada àquela que deseja a amarração.

Sendo que isto é possível através da mediação de um Mago(a) e das «Entidades» que tornam isto possível.

3.  Quem são os intervenientes no processo de Amarração?

O primeiro interveniente é o Comendador do Trabalho. O Comendador do Trabalho é aquela pessoa que deseja a amarração. Isto é, que deseja auxílio não natural para conquistar ou iniciar um relacionamento amoroso com outra pessoa.

O segundo interveniente é o Alvo do Trabalho. O Alvo do Trabalho é a pessoa que vai estar sobre o efeito da amarração. Isto é, aquela que é desejada pelo Comendador do Trabalho, aquela que ele deseja amarrar a si.

O terceiro interveniente é o Mago(a). O Mago é a pessoa que vai ser o mediador para que a amarração venha a surgir. Isto é, aquela pessoa que irá ser contactada pelo Comendador do Trabalho em vista a alcançar o objectivo que pretende neste casso a Amarração. O Trabalho do Mago para além de orientar e guiar o Comendador é o de ser ele a intervir junto das Entidades para que o Trabalho Mágico aconteça.

O quarto interveniente é a Entidade. A Entidade é a «pessoa» que vai fazer com que o trabalho seja possível. Vai ser ela que por vários meios irá procurar vincular o Alvo ao Comendador, em ordem a que a Magia seja realizada.

Esquema Explicativo dos Intervenientes e do Processo de Amarração. + Malleus Maleficium


P.S: Aqui para me libertar da contaminação teológica, irei utilizar o termo «Entidade». Contudo, a expressão mais vulgar é demónio, espírito, anjo, etc...

24.10.12

Preparação de uma Varinha para Magia Cerimonial de Conjuração - Preparação para uma Conjuração (Parte 6)

Uma das ferramentas essenciais na Magia de Conjuração Cerimonial é a varinha. Este instrumento Mágico é o prolongamento das ordens de comando do Mago sobre as entidades que são conjuradas. As Clavicula Salomoni, prescrevem vários materiais para a sua realização. Hoje em dia possuo dois tipos de varinhas, uma para as Artes Negras feita de Ébano e outra feita de Aveleira para outro tipo de entidades e de trabalhos.

Neste post vou mostrar uma das primeiras varinhas que fiz, que foi durante a mesma altura da realização do Círculo Mágico que aqui já mostrei.

Esta varinha foi feita por mim há já vários anos, quando me iniciei nas Artes. Para isso não precisava de algo muito trabalhoso e dispendioso, quem começa a aprender deve começar por ferramentas simples. Da mesma maneira, algum aluno que comece a aprender um instrumento em concreto, começa por instrumentos mais baratos e só depois é que irá adquirir e usar instrumentos mais precisos e valiosos. Apesar de tudo, esta varinha foi me de grande utilidade e ainda a conservo apesar de lhe ter deixado de dar uso.

O modo de preparação é simples, fui a uma loja que vendia bengalas e pedi para comprar a estrutura básica de uma bengala em pinho com cerca de um metro de comprimento sem punho. Depois levei a bengala a um marceneiro e pedi que fizesse uma peça simples em madeira para servir de punho. Se não estou em erro o total que gastei foram 20€.

Depois segui o Rito segundo a Arte de Trithemius, mas em vez de colocar o «Ego alpha et omega» como expliquei no Post do Círculo Mágico decidi incorporar a palavra «Azot» à volta da varinha, para significar a mesma coisa, mas de forma mais pura. Uma vez decidido o esquema do que iria fazer marquei tudo com lápis e gravei a quente, tendo aplicado depois no fundo da gravação uma tinta prateada. Terminei o trabalho passando com verniz e pregando de forma simples com um prego o punho à estrutura da bengala.

Escusado será dizer que todos os materiais necessários, desde o prego, a tinta, a máquina para gravar a quente, o lápis e até o martelo que usei para pregar o punho foram todos aspergidos, fumegados e purificados segundo o ritual da Clavicula. Porém, o esquema de consagração que se seguiu uma semana depois da elaboração da varinha, que a partir daí deixou de ser bengala, foi o Rito segundo a Arte de Trithemius.

Já há muito que deixei de usar esta varinha. Ela é boa para iniciação, e não foi uma ferramenta mágica que tenha saído cara a sua realização. Além do mais, é algo de fundamental que nenhum Mago pode dispensar. Hoje possuo duas diferentes, mas para alguém se iniciar esta serve bem as suas funções.


Preparação do Óleo (ou Unguento) das Artes Negras - Magia Negra

O Óleo (ou Unguento) das Artes Negras são utilizados para dois fins. O primeiro é para trabalhos negros como por exemplo: imprecações, pregações e contaminações. O segundo é para a realização dos Pactos Negros, ou para rituais em que tem de se estar diante de um Demónio ou Espírito Impuro. A maioria dos ingredientes usados neste preparado, costumam ser os habituais em preparações para rituais mais específicos. Em particular, um dos ingredientes, a saber o verbasco (para saber mais), parece conferir às Artes Negras um auxílio na sua dimensão invocacional. Todo este preparado aumenta a capacidade para coagir as forças que são conjuradas. Contudo, se não pretende usar o Óleo nas Artes Negras para conjurar Demónios e Espíritos impuros recomendo que não coloque Verbasco.
 
Todavia, se pretende fazer algum mal a um seu inimigo, recorrendo a uma pregação ou imprecação, então deve ungir e aspergir com este óleo o rito material, para infligir grande dor no seu alvo. Para conjuração, o próprio Mago deve ungir-se com o Óleo, assim como aos materiais da preparação (por exemplo as velas, a varinha ou a faca sacrificial). O unguento também poderá servir para criar uma barreira extra no seu círculo Mágico.

Ingredientes:

  1. Patchouli (costumo mandar vir do Brasil);
  2. Raiz de Valeriana
  3. Sementes de Mostarda Preta;
  4. Musgo Espanhol (ou também conhecido como Barba de Velho, arranja-se cá em Portugal, mas é uma espécie especifica);
  5. Verbasco;
  6. Enxofre;
  7. Nove grãos inteiros de pimenta preta;
  8. Azeite q.b. (geralmente uso um copo de água);
  9. Cânfora (opcional).
Preparação:

Junta-se no almofariz uma colher de café de Patchouli, Raiz de Valeriana, Verbasco, Sementes de Mostarda Preta. Depois esmaga-se tudo muito bem com o pilão. Uma vez tudo bem esmagado coloca-se dentro do recipiente de vidro. Depois coloca-se metade de uma colher de chá de enxofre. E abana-se o frasco de vidro. Depois adiciona-se o Azeite e o musgo espanhol (sem ser esmagado) e mexe-se um pouco. Terminado este processo deixa-se a descansar por uma semana num local escuro, mas tendo o cuidado de pelo menos uma vez ao dia ir mexendo o frasco. Passada essa semana, existem Magos que colocam Cânfora no Óleo para evitar que este fique rançoso, contudo pessoalmente não me importo que os Unguentos fiquem nesse estado devido à sua própria natureza. Independentemente se coloca cânfora ou não, terá de colocar na mistura os nove grãos de pimenta preta esmagados e reservar por mais três dias.

Consagração:

A consagração do Óleo Negro é relativamente fácil, bastando conjurar alguma entidade negra menor na Sexta-Feira entre as 23h e a meia-noite. Pedindo a sua intercessão para que as forças impuras carreguem este Unguento em todos os intentos do Mago, que lhe prestem todo o tipo de auxílio e que o guardem de todo o erro.

Magia Negra para se Ganhar Dinheiro e Ficar Rico - Recensão e Apresentação do livro «Financial Sorcery: Magical Strategies to Create Real and Lasting Wealth»

Já várias pessoas me questionaram se a Magia Negra não podia ajudar alguém a enriquecer. Em verdade, tal pode ser feito, contudo é um tipo de ritual que não aprecio. Para mim as Artes Negras têm valor pelas Artes que são, e por aquilo que nos ajudam a descobrir sobre a nossa realidade. Uma fonte de conhecimentos que nos está acessível, mas que é difícil de se alcançar. E esta fonte, assim como a praxis desta Arte é que carregam um tesouro muito mais valioso do que o dinheiro.

Os Magos não procuram as Artes para enriquecer, e isto pode ser contraditório quando fazemos trabalhos com as Artes para outras pessoas a troco de dinheiro. Contudo, ninguém enriquece com este tipo de trabalhos, eles permitem o nosso sustento assim como são um pretexto para nos encontrarmos com estas entidades. Quem vai ao seu encontro, apenas pelo encontro e sem um motivo sólido, geralmente acaba por perecer, por mais forte que seja, as Artes Negras também corrompem o Mago.

Assim como eu, todos os verdadeiros Magos que conheci são pessoas que levam vidas simples, não têm grandes luxos. Não procuram riqueza, não conduzem carros de alta cilindrada, não se vestem com roupas de marca, não comem em restaurantes de luxo e não fazem viagens paradisíacas. Em verdade, quase todo o dinheiro que não vai para a subsistência, uma subsistência simples, é gasto em materiais para as Artes, são nelas que depositamos os nossos «fundos», pois é para elas que entregamos a nossa vida.

Para responder às inúmeras questões que me têm sido feitas deixo aqui disponível para Download o livro de Miller, um Mago que conheço pessoalmente, e que publicou este livro neste Verão: «Financial Sorcery: Magical Strategies to Create Real and Lasting Wealth».

Existem inúmeros livros sobre Magia e Dinheiro, assim como feitiços que prometem mudar a vida financeira de uma pessoa apenas com um ritual. Contudo, não é isso que trata este livro. Aquilo que Miller procura responder é à questão de que a maioria das pessoas leigas interessadas em Magia costumam fazer, a saber: «Se a Magia é real, e se se podem lançar feitiços, porque é que então tu não és rico?». Eu já comecei por responder a esta questão logo no início deste post. Contudo, segundo Miller as pessoas interessadas no Oculto, e que não são verdadeiramente Magos, podem recorrer a uma estratégia Mágica para construirem o seu património. Mais do que um Grimoirium ou um livro de feitiços, este é um livro que conjuga Magia mas principalmente com Estratégia.

Para além disso, o que se destaca neste livro são conselhos práticos a nível fiscal, planeamento económico, técnicas de investimento, e procura de emprego. Essencialmente é um livro que combina um esboço de estilo de vida com Magia. Além disso, este livro possui ainda informação sobre como livrar-se de dívidas, testar ideias de negócios, gerir dinheiro, entrevistas para empregos e potencializar promoções.

Por último, deixo este livro para quem pretender. Contudo, para mim pessoalmente não é uma área que me agrade muito. Nunca procurei as Artes para enriquecer, mas para aprender. Quem realmente se incorpora nos Cultos Negros, irá compreender que existem coisas mais valiosas que o Dinheiro ou a Ostentação de Riqueza. Mas cada um é como cada qual, e a mim não me compete julgar ninguém. E por isso, nem posso negar o potencial da Magia para isto, nem posso negar que já ajudei pessoas neste campo. O Mago apenas serve os desejos daqueles que o procuram.

23.10.12

Realização do Círculo Mágico da Arte - Preparação para uma Conjuração (Parte 5)

Como já referi no post anterior, para a realização de Magia Cerimonial de Conjuração é necessário um Círculo Mágico. Nest post vou mostrar como fiz um dos meus primeiros círculos há vários anos atrás. Mostro este porque é relativamente simples de ser feito, e bom para iniciados.

Então o desenho que utilizei foi este aqui (que já mostrei no post anterior): 


Por conseguinte, uma vez com o desenho e para manifestar esta Magia na nossa realidade concreta, tive de procurar tudo o que era necessário para a sua realização. Para isso, comecei por ir comprar uma lona de algodão. O algodão também serve para o efeito pretendido, contudo os materiais mais nobres são o linho ou carpete. Na altura, por não poder despender de muitos recursos económicos optei pelo algodão, e para alguém se iniciar não é preciso investir assim muito dinheiro. O que agora uso, um círculo bastante diferente em lona de Linho para Alta Magia Negra, custou-me há uns anos cerca de 650€ só o tecido. Contudo, em algodão se a memória não me atraiçoa foi qualquer coisa como 40€.

Então, nessa altura comprei lona de algodão com 1.8m por 2.4m, o que era o tamanho necessário para trabalhos sobre quatro paredes, além de ser o tamanho que cabia na sala de magia do sítio onde na altura morava.

Depois fui comprar tinta preta acrílica, vários pincéis, cordel e fita autocolante para pinturas. Em todo o material que utilizei, aspergi, fumeguei e purifiquei segundo os ritos do Clavicula Salomonis. E juntei todo o material em frente de uma vela consagrada, e rezei as orações próprias de consagração e purificação.

Depois passei à purificação do tecido, tendo colocado Óleo de Abramelin (mais à frente colocarei um post sobre a importância e preparação de Óleo de Abramelin) nos quatro cantos do tecido, mais nos quatro cantos dos pontos cardinais a virem ser desenhados no tecido. Depois queimei ólibano e mirra e levantando o tecido fui fumegando por cerca de uma hora, de maneira a que estes odores mágicos de purificação se fossem entranhando no tecido.

Durante o processo de realização do círculo apenas tinha vestido uma túnica branca devidamente consagrada, isto porque teria de estar agachado sobre o tecido pelo que teria de tocar no tecido, e arruinaria o projecto tocá-lo sem antes eu próprio estar purificado e alvo, assim como o tecido sobre mim.

Depois com o auxílio da fita autocolante, também ela purificada, ia colocando sobre o tecido não só para auxiliar nas pinturas, mas principalmente para nessa fita fazer as inscrições a lápis para depois em cima fazê-las mais direitinhas com o pincel.

Depois com o auxílio de um cd que tinha por casa; que também ele foi fumegado e purificado, pois o seu uso apenas que simples, sem as devidas preparações, poderia ter arruinado todo o projecto, utilizei para fazer os cantos interiores da cruz com forma circular.   

Uma vez tendo terminado o processo, peguei em todos os instrumentos consagrados, atei-os e coloquei dentro de um saco de tecido de algodão que previamente comprei para quando preciso de deitar fora as ferramentas. Como se sabe, os materiais consagrados não podem ser deitados para o lixo como fazemos com os restos da comida. Ou se queimam, ou se enterram em locais próprios. Como na altura não tinha uma lareira para os queimar, e como na altura também morava no centro da cidade, não podia fazer uma fogueira na rua, então de noite levei-os para o terreno de um cemitério nas redondezas da cidade e ali enterrei-os a uma boa profundidade. Só mais tarde vim a saber, que também os poderia ter deitado ao Rio ou então enterrado-os num sitio mais seguro para mim, a saber numa propriedade onde estivesse uma Igreja presente.

Uma semana depois do Círculo Mágico preparado, chega a altura em que se vai consagrar o próprio Círculo em si. Isto é um longo processo, como vem bem descrito no Clavicula Salomonis, mas como tinha em mente este Círculo Simples vir a ser usado na minha iniciação à mais Pura Magia Negra, então tive no ritual de consagração no mesmo, beber uma mistura profana de sangue de boi (comprado num talho) com vinho tinto e sal. Foi talvez a pior altura de todo o processo, porque é algo que me repugna, mas na Magia Negra temos de ter a capacidade de fazer sacrifícios, e alguns deles (até os mais fáceis) são termos de fazer coisas que nos repugnam à mente e aos sentidos.

Uma vez o processo completado, no dia seguinte alinhei o Círculo na minha pequena Sala Mágica, com o auxílio de uma bússola para os pontos cardinais correctos. E acendi uma vela consagrada para Este. Nessa noite realizei um pequeno Rito Cerimonial de conclusão de todo o processo, pedindo protecção e luz para todas as Artes que ali viria a realizar, sem que as trevas do engano me pudessem comprometer.  

Depois dessa parte do processo ter sido completada, e como me destinava a ali realizar Magia Negra, tive de fazer três Pentagramas em placas de madeiras. Dois destinavam-se à colocação das Velas Consagradas no Círculo. O terceiro destinava-se para colocar o fogareiro a carvão para as fumegações necessárias na Magia Cerimonial. Para isso comprei três placas de madeira simples com 15 cm de diâmetro. Hoje utilizo em ébano. Neles desenhei um pentagrama com o auxílio de um compasso e de um transferidor. Gravei os desenhos a quente recorrendo a um instrumento eléctrico para fazer gravações a quente de uma pessoa conhecida. Utilizei uma versão dos Diagramas Mágicos prescritos para aquele pentagrama, uma versão Negra. Uma vez com essa parte feita, apliquei um verniz e um revestimento final. O final do processo foi a consagração final que só fiz na noite seguinte.

Todo o processo levou-me cerca de duas semanas a completar. A parte mais chata do processo é quando temos de ser meticulosos em colocar a geometria direitinha, e se temos em vista Magia Negra, o Rito do Mago Negro (a parte de beber o preparado dito «vermelho»).
Este círculo é simples, portátil e mais barato que os normais, é uma boa Peça de Magia indispensável a quem pretende seguir estes Mistérios. Foi me de grande utilidade, e ainda o conservo. Mesmo não possuindo a habilidade de certos Magos para o desenho perfeito e para um traço fino, volto a dizer que o mais importante é a fidelidade e a concentração a todo o ritual.

22.10.12

O Círculo Mágico da Arte - Preparação para uma Conjuração (Parte 4)

Quase todos os Magos gostam de Círculos. E isso deve-se ao facto de eles terem sido usados, suspeita-se, muito antes do aparecimento dos primeiros registos escritos acerca da Magia para protecção, isolamento, contenção, ou simplesmente para marcar um limite de espaço num Ritual de Magia. O Círculo da Arte é crucial para a Magia de Conjuração, como podemos ver nos clássicos da Magia (Clavicula Salomonis, Heptameron, Grimoiriuns). Esta tradição mágica acabou por ter impacto na própria cultura, onde se pode ver influências em videojogos, filmes e arte. Apesar dessas aparências nas imagens culturais, as pessoas não têm em mente que o Círculo Mágico é uma ferramenta importante usada no Ritual para protecção e contenção de um espaço consagrado.

Por causa disso, e em verdade, os Círculos Mágicos não precisam de ser muito complexos. Tanto que, em teoria, um simples anel à volta do Mago durante o Rito de Conjuração, feito com terra e purificado com Sal Consagrado, seria suficiente para todos os intentos e objectivos. Em alguns casos na tradição hermética, podem ser usados também na consagração do Círculo voces magicae «vozes de poder». Quem pratica Wicca pode usar um círculo com velas ou com corda.

Contudo, os Magos que seguem as Artes Negras, ou também conhecidos como Magos Goetic (como eu), que se dedicam à Conjuração de Persuasão Demoníaca do Lemegeton, seguem o modelo completo do Círculo de Salomão. Isto, porque o efeito é muito mais forte, coisa que se deve por se incluir todos os desenhos geométricos, nomes das entidades, forças e consagrações.

Um tal círculo, é preferível para espaços onde se vão realizar trabalhos permanentes ou para carpetes, lonas, plataformas que possam ser transportadas de local para local.

No próximo post vou mostrar um dos primeiros círculos que usei, quando me iniciei nas Artes Mágicas.

Bom, então para a preparação de uma Conjuração o Mago irá ter de preparar o Círculo onde vai acontecer o Ritual Mágico. O que está prescrito nas Clavículas é um círculo com cerca de três metros de diâmetro. Porém, não é necessário fazer algo tão grande, pelos menos quando alguém se inicia nas Artes Negras.

Existem muitos desenhos nos Clássicos da Magia sobre Círculos, aqui vou apresentar o que segui quando comecei a lidar com as Artes Negras.


Para se construir o círculo começa-se por fazer dois círculos um sobre o outro. No anel entre os círculos escreve-se os nomes das entidades que governam cada ponto cardinal. Neste caso, aqui é Agla para o este, Adonai para o Sul, Eheieh para Oeste e Eloah para o Norte. Estes nomes representam as entidades para os quatro elementos, governadores dos cardinais segundo Agrippa. Segundo ele:
  • Agla (אגלא), é a contracção de Ateh Gibor Le-Olam Amen, e está associado ao Fogo através da palavra do poder «Gibor».
  • Adonai (אדני) está associado com a Terra através do nome da entidade «Malkuth, Adonai ha-Aretz».
  • Eheieh (אהיה) está associado com o Ar e relacionada com a entidade de puro espírito «Kether».
  • Eloah (אלוה) está associado com a Água através das duas primeiras letras «El (אל)» da entidade a Norte.

Neste esquema, todos os nomes das Entidades estão no círculo exterior e têm quatro letras, começando com a letra aleph (א), o que mostra uma harmonia entre todos os elementos e direcções juntos num tipo de unidade espacial e espiritual. Neste esquema pode ser omitido o uso do Tetragrammaton, especialmente visto que raramente deve ser mencionado (mas poucas vezes é omitido), para além de que o Tetragrammaton já tem implícitos os quatro elementos, coisa que está explícita neste Círculo, pelo que pode ser dispensado.

Dentro do círculo, existe um diamante (losango) onde o Mago deve se posicionar, com uma cruz no seu interior, com uma letra do Tetragrammaton em cada ponta da cruz. Os cantos do diamante, a cruz e as letras do Tetragrammaton estão alinhados para as suas direcções e elementos próprios (yod para este e fogo, heh para sul e terra, vav para oeste e Ar, e o outro tipo de heh para norte e água).

O círculo interior pode ser considerado como as fronteiras para o mundo celestial, e o diamante as fronteiras para o mundo terrestre. Fora do diamante e alinhado com cada uma das quatro direcções estão quatro hexagramas, que são conhecidos por terem qualidades de protecção e de expulsão contra energias perigosas. Contudo, ao contrário do estilo de hexagramas das Clavículas que têm as letras da palavra Adonai escritas à sua volta com a cruz grega Tau no meio, este círculo possui a estrela de azot (influência da magia renascentista).
 

Este hexagrama fonte da influência renascentista na Magia, que muitas vezes em português existe a tentação de traduzir por Azoto, mas que deveria ser traduzido por Azote, e que aqui prefiro usar um termo intermédio com Azot, é uma palavra muito poderosa, que vem da alquimia para se referir aos espíritos essenciais de todas as coisas, a razão suprema, e a acção que determina todas as coisas em todas as realidades. Além disso, pode ser formado por quatro letras dos três grandes alfabetos usados no Ocultismo:
  • A para aleph (א), alfa, ou ay, a primeira letra do alfabeto de origem pré-fenícia.
  • Z para zed, a última letra do alfabeto latino.
  • O para omega (Ω), a última letra do alfabeto grego.
  • T para tav (ת), a última letra do alfabeto hebraico.
Deste modo, nós temos o princípio e o fim de todas as coisas, combinados numa única unidade «Azot»(אZΩת).  Tem uma significado similar, desta maneira com a frase: «[EGO] ALPHA ET OMEGA», contudo devo confessar que essa frase me incomoda porque é estranho ver os nomes das letras gregas pronunciadas em Latim. Contudo, apesar disso, o importante é que este hexagrama possui uma simetria excepcional, pois pode representar os sete planetas como podemos ver:


Por conseguinte, tudo isto resulta num Círculo Mágico forte e harmonioso que se presta a quem começa a lidar com as Artes. Contudo, e fica o aviso, este Círculo não deve ser usado para Alta Magia Negra, pois o Mago não está suficientemente protegido para aquilo com irá ter de enfrentar. Para mim, este círculo é bom para a formação prática do Mago, e para pequenos trabalhos. De vez em quando recorro a ele, por ser simples, para trabalhos simples. Mas nunca para muitas lides infernais. Além do mais, este círculo combina a representação dos elementos, dos planetas, das entidades, com o Mago estando no centro de tudo. Com o processo de elaboração do círculo, falta juntar uma outra dimensão, a saber, a força operativa ou uma «quinta essência» que junta todas as forças do Cosmos, isto é, o próprio Mago. No próximo post explico e mostro fotos do meu processo de elaboração deste círculo quando me iniciei, contudo deixo aqui uma imagem do círculo que agora uso para Magia Negra, mas para conjurações cerimoniais que posso fazer entre quatro paredes.



16.10.12

Mesa do Ritual Mágico segundo a Arte de Trithemius - Versão mais simples

 Recebi duas mensagens após o meu post: "Preparação do Altar e da Mesa do Ritual Mágico segundo a Arte de Trithemius" em que me perguntavam se não haveria um método mais barato e mais fácil ou mais simples de se preparar uma Mesa do Ritual Mágico segundo a Arte e o Rito de Trithemius. E, que não tinha ficado claro nesse meu post a vantagem de se usar uma em detrimento de um círculo simples.

Respondendo à primeira questão, em verdade existe uma maneira mais simples de se a elaborar, contudo os resultados obtidos nela não são tão fortes.

Respondendo à segunda questão, a Mesa do Ritual Mágico é uma ferramenta usada para conjurar espíritos, a vantagem é que esta funciona como um círculo permanente de convocação ou conjuração. O benefício de se usar uma Mesa é que o Mago não tem de voltar a consagrar e purificar uma determinada área sempre que pretende realizar um ritual de conjuração. Esta actua de forma similar ao Círculo e Triângulo da Arte segundo o Rito de Salomão, só que como um altar. Por último, tem a vantagem de ser muito portátil.

Por causa de tudo isto, decidi colocar este post mostrando uma das primeiras Mesas do Ritual Mágico segundo a Arte de Trithemius que fiz há vários anos, quando me iniciei nas Artes Negras.

As indicações principais já encontram no meu post anterior, agora a diferença é que naquela altura não tinha dinheiro para comprar ébano, além de não poder contar com a presença do meu bom amigo para me fazer as gravações na madeira de forma limpa.

Então, naquela altura tive de usar um esquema mais simples, apenas com o estritamente necessário, utilizei o seguinte diagrama:



Então, coloquei os nomes dos planetas e respectivas entidades da parte de fora escritos segundo o alfabeto Celestial com o respectivo símbolo planetário fora do anel, os nomes dos quatro Reis dentro do anel, e da parte de dentro o respectivo triângulo. Nessa altura, decidi remover o nome Tetragrammaton inscrito na parte de dentro do círculo e fora do triângulo, porque iria dar mais trabalho, além de que poderia desconfigurar a Mesa Mágica, e a sua necessidade imediata não parece óbvia.

Nessa altura, comprei uma placa de madeira já cortada na forma circular com cerca de 20 cm de diâmetro, e pedi emprestado a um familiar meu que tinha uma oficina uma máquina para gravar madeira a quente, comprei um verniz e calquei o diagrama na placa de madeira com carvão.

Depois foi meter as mãos à obra e começar, mas antes de começar a placa de madeira usei um outro bocado de madeira para praticar os símbolos. Ao mesmo tempo que ia começando a gravar a madeira, utilizei uma pequena lixa para aplanar, depois limpava aplicava algum verniz na área queimada da gravação, deixava secar e continuava. No final apliquei a última camada de verniz geral em toda a madeira.

Por último, e não descrevi no post anterior, procedi a rituais de consagração e purificação, mas num post mais à frente irei os explicar de forma mais detalhada. Apesar de algumas falhas de principiante à uns bons largos anos, também esta Mesa Mágica foi me de grande utilidade, mas a qualidade da magia também é afectada pela qualidade dos materiais. E com a que utilizo agora, quando emprego os Ritos da Arte de Trithemius obtenho melhores resultados. No entanto, e se a memória não me falha esta ficou-me por qualquer coisa como 60,00€.