Mostrar mensagens com a etiqueta Conjuração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Conjuração. Mostrar todas as mensagens

11.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 7: O Início do processo de Amarração - Magia do Amor)

Tendo em mente os conteúdos dos últimos posts podemos agora avançar mais um pouco na explicação sobre o processo de Amarração ou Magia do Amor.

Uma vez todos os detalhes tratados, nomeadamente conhecendo o alvo e procurando estimar a sua resistência, sabendo o tipo de trabalho, escolhida a entidade e todos os detalhes tratados entre o comendador e o Mago, a conjuração acontece e dá-se início ao processo de Amarração. E é a este início que agora nos vamos debruçar.

Contudo, convém mencionar de forma simples a própria conjuração em si, sabendo que esta varia consoante várias variáveis que já fui explicando ao longo do post, mas para que se fique com uma ideia vou indicar a estrutura geral, sabendo-se que existem diferentes alterações consoante cada caso. Então, a estrutura geral pode ser dividida em onze etapas:
  1. Ritos Iniciais da Conjuração. Esta fase é o início de toda e qualquer conjuração, variando em alguns casos;
  2. Rito de Purificação. Nesta fase logo após o início do trabalho o Mago purifica-se, assim como os intervenientes directos neste trabalho, a saber, o Alvo e o Comendador;
  3. Primeira Oblação. Nesta fase é oferecida a primeira parte do pagamento à Entidade;
  4. Inicio da Conjuração em si Mesmo. É nesta fase que a Entidade vem de forma explícita ao Mago.
  5. Apresentação do Trabalho. É nesta fase que é explicado junto da Entidade aquilo que se pretende, ou seja, o fim que a que se destina o trabalho, os seus pormenores e para o qual a Entidade foi Invocada.
  6. Segunda Oblação. Nesta fase é oferecida a segunda parte do pagamento à Entidade;
  7. Apresentação dos Intervenientes. É nesta fase que são apresentados os intervenientes do trabalho que já foi explicado. É referido quem é o Alvo e o Comendador.
  8. Terceira Oblação. Nesta fase é oferecida a terceira e última parte do pagamento à Entidade;
  9. (opcional) Quarta Oblação. Nesta fase, que varia em certos casos, pode ser oferecida um quarto pagamento à Entidade, também conhecido como o Sacríficio Maldito (só aplicado em certas circunstâncias).
  10. Ritos Conclusivos. Nesta fase a Entidade aparta-se do Mago, sendo lançada sobre o trabalho.
  11. Ritos Finais. Nesta fase o Mago termina a Conjuração.
Contudo, o trabalho não fica realizado com o término dos Ritos Finais. Por isso será agora importante desmistificar um dos mitos mais consensuais sobre as Amarrações e pelo qual tanta gente é enganada. Eu pessoalmente chamo-lhe o Mito do Sofá.

Muitas das pessoas que pretendem uma Amarração pensam que obtê-la é como quem vai comprar uma televisão a um estabelecimento comercial. Uma vez paga a televisão somente é necessário instalá-la em casa, sentarem-se no sofá e assim deslumbrarem-se com todos os conteúdos que passam no visor. Ao contrário daquilo que vulgarmente se pensa, a Amarração ou Magia do Amor não se dá por terminada com os Ritos Finais. Um dos aspectos mais importantes deste Trabalho e de Toda a Magia, é que após a conclusão da Conjuração ainda existe trabalho a fazer para se levar a Magia a bom porto.

Agora se juntarmos a este mito os dois outros mitos que expliquei na parte 5 destes posts, a saber: o mito de que a Magia e consequentemente as Amarrações são como Fast Food e o mito de que a Magia é Milagreira. Podemos compreender porque é que existem tantos casos defraudados nas Amarrações. E isto deve-se a três factores que as pessoas desejam e projectam na Amarração e que ficam decepcionadas quando lhes digo que a coisa não é bem assim:
  1. Quanto mais rápido melhor, então se for em uma semana ainda melhor;
  2. Quanto menos trabalhoso melhor, então se a pessoa não tiver de fazer rigorosamente nada e esperar que tudo lhe caia de bandeja ainda melhor;
  3. Quanto mais milagroso melhor.
São estes os três factores responsáveis por haverem tantas Amarrações defraudadas.

Tendo isto em mente, podemos agora avançar para o funcionamento da Amarração depois da Conjuração.

Uma vez realizada a conjuração, a Entidade é lançada. Quando ela é lançada, ao contrário do que se pensa, não é só lançada na direção do Alvo, mas também na direção do Comendador. Por causa disso, é que alerto as pessoas, para o caso de sentirem um certo desconforto na primeira semana após a realização do trabalho. Em raros casos este desconforto pode durar até três semanas, ou até em casos muito excepcionais durar mais do que isso. Não se trata de nada grave, que comprometa a saúde ou a vida do Comendador. Geralmente manifesta-se com dificuldades em dormir, pesadelos, acordar a meio da noite até certas coisas «estranhas» acontecerem. Existe grande variedade de sintomas, mas apesar de serem um pouco incómodos de forma alguma comprometem a saúde, ou a integridade física, ou em geral a vida como um todo do Comendador. Há pessoas que os sentem em maior grau, mesmo que em curto espaço de tempo, outras pessoas sentem em menor grau mas por periodos mais longos. Cada caso é um caso, se se recordam do que escrevi sobre a resistência do Alvo, podem agora comprender o porquê de eu mencionar a própria resistência do Comendador.

Esta fase de mal estar é breve e é em regra geral sinal de que o trabalho já está a correr. Ao mesmo tempo os alvos vão passar o mesmo que o Comendador. Só que neles o desenrolar vai ser diferente.

Agora, estou apto a desmistificar um outro mito da Amarração a que lhe chamo o Mito Sexual da Amarração. Este mito prende-se com o facto de as pessoas serem erróneamente informadas de que na Amarração os Alvos são tentados com desejos sexuais para a direita e para a esquerda, e que não conseguem sequer fazer a sua vida normal até terem relações sexuais com o Comendador. Não quero com isto dizer que parte disto defacto não aconteça, apenas estou a querer salientar que não é bem assim, nem com a quantidade exagerada deste tipo de relatos.

Em ordem a desmistificar este mito e melhor compreender a Amarração será importante ter em conta que as Entidades não têm um conhecimento a priori sobre a totalidade das pessoas que são os intervenientes. Quero com isto dizer, uma coisa que pode parecer estranha, mas no início do Trabalho de Amarração, o primeiro passo das Entidades vai ser dado na direção de irem conhecer a fundo as pessoas intervenientes, isto é o Alvo como o Comendador; na sua história, na sua vida, na sua personalidade. É a partir deste momento que as Entidades vão conhecer os pontos fortes e os pontos fracos dos intervenientes e é daí que vão empreender a sua estratégia para a realização do trabalho.

Tendo nós chegado até aqui, já podemos começar a compreender o modus operandi das Entidades e da sua interacção em nós neste tipo de trabalhos. Devo novamente salientar que cada caso é um caso, mas creio que esta explicação ajudará a trazer nova luz.

Para explicar isto, vou usar duas metáforas explicativas que creio serem boas ferramentas para percebermos este processo. Mas antes temos de perceber que aquilo que as Entidades vão fazer vai ser a criação de um vínculo forte entre o Comendador e o Alvo, sendo esse vínculo o tipo de amarração que foi pedida. Para melhor perceber o vínculo, vamos partir do princípio que existem diferentes tipos de vínculos entre pessoas. Os vínculos não são algo passível de ser quantificável. Eu não consigo factualmente medir um número ou um grau para a minha relação com cada um dos meus amigos ou familiares. Por causa disso, vou propor aqui uma abstracção para melhor se entender.
Então vamos atribuir ao número 0 uma não-relação e ao número 100 uma relação ideal e perfeita entre dois seres humanos, algo como uma utopia. Convém sublinhar que uma relação entre duas pessoas pode estar condicionada pelo tipo e pela origem. Por exemplo, uma mãe pode amar imenso o seu filho, imaginemos um 95, contudo este vínculo há de ser diferente daquele que o seu filho pode ter com a sua mulher também imaginemos com o mesmo valor de 95. Ou seja, dentro desta quantificação exemplificativa a relação varia consoante o tipo, e secalhar para melhor perceber isso podemos utilizar a conceptualização Grega já explicada no post 2, do Philia, Eros e Ágape. Por conseguinte, com o exemplo acima, uma mãe pode amar o seu filho e ter um vínculo de 95 com Philia e Ágape, e o mesmo filho ter um vínculo de 95 com a sua mulher com Ágape e Eros.

Recapitulando, então vamos imaginar esta escala de 0 (não relação) a 100 (relação perfeita utópica), nas dimensões de Philia, Eros e Ágape.

Então vamos agora perceber que o papel das Entidades é estabelecer um vínculo do tipo que foi pedido no trabalho entre Comendador e Alvo. Por conseguinte, certos tipos de vínculo estão associados. Por exemplo, alguém que procure uma Amarração para ter uma relação de verdadeiro Amor com o Alvo, procurará subir o vínculo de Ágape entre ambos, mas ao mesmo tempo que sobe este valor também sobe o de Philia e de Eros. Então vamos ter em conta os seguintes factos sobre o fim a que se destina a relação e o tipo da mesma com respeito ao vínculo que dela vai resultar:
  1. Que geralmente uma Amarração em Ágape fornece proporcionalmente o maior aumento tanto em Philia como em Eros, sendo este último o que mais sobe depois de Ágape.
  2. Que geralmente uma Amarração em Eros fornece proporcionalmente menor aumento do que a anterior em Ágape e Philia, sendo esta última o que mais sobe depois de Eros.
  3. Que geralmente uma Amarração em Philia fornece proporcionalmente menos aumento do que as anteriores em Eros e Ágape, sendo esta última o que mais sobe depois de Philia.
 Fiz estes três gráficos de colunas a título exemplificativo daquilo que estou a tentar explicar.



Este post já vai longo, no próximo contínuo a mesma explicação que aqui já avancei, só que vamos nos deter no processo que as Entidades usam para estabelecer o vínculo e como elas actuam também no Comendador.

8.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 6: As Entidades na Amarração - Magia do Amor)

Uma vez com os conteúdos dos posts anteriores em Mente podemos prosseguir.
No último post nós vimos a diferença entre as pessoas e como estas podem oferecer resistência à Magia, assim como dois mitos que estão associados e que agora poderemos melhor compreender o seu desmantelamento.

As entidades tal como já tive oportunidade de dizer têm limites, contudo apesar da resistência que os Alvos possam oferecer elas conseguem muitas vezes ultrapassá-los.

Prosseguindo, assim que o comendador contacta o mago e ambos acertam o que têm de acertar, e independetemente do tipo de Amarração (que será tratado em posts subsequentes), esta SÓ SE REALIZA COM RECURSO A UMA CONJURAÇÃO CERIMONIAL, QUE É O RITUAL PRÓPRIO DA CONJURA E ENVIO DAS ENTIDADES E, SEM ELAS NÃO EXISTE MAGIA DO AMOR.

Coloquei aquela informação em Caps Lock, porque muitas pessoas são desinformadas a verem revistas ou sites ou livros onde se diz para fazer bonecas, ou rezar somente ladainhas, ou tomar bebidas, ou dar bebidas a beber ao alvo, ou dar pózinhos a colocar sobre o alvo, ou a dar coisas para o alvo pisar. NADA DISSO FUNCIONA, A AMARRAÇÃO SÓ FUNCIONA PORQUE SÃO AS ENTIDADES QUE GARANTEM A AMARRAÇÃO.

Tendo isto em cima esclarecido é preciso desmistificar mais um mito associado às Entidades. Vou o designar pelo Mito da Referência e da Denotação.

Então, eu pessoalmente devido ao facto de que a Tradição das Artes Negras assenta nos Grimoriuns utilizo como nome das Entidades os que vêm descritos no Lemegeton. Contudo, existem outros livros e outras fontes com nomes totalmente diferentes. O Mito consiste em as pessoas pensarem que se tratam de entidades diferentes.
Eu chamo-lhe de Mito da Referência porque isto tem a ver com o fenómeno da própria referência.
Ou seja, vou começar por usar o exemplo dos nomes das pessoas. O nome Stephan em Inglês pode ser traduzido para Português pelo nome Estefano, contudo a tradução literal e correcta de Stephan para Português é Estevão. No entanto, nós temos duas traduções possíveis para Stephan = Estefano e Estevão.
Ou outro exemplo, eu pensava que o jogador brasileiro de futebol Bebeto tinha esse nome como seu apelido, só mais tarde soube que essa era uma Alcunha, e que o seu nome real é José de Oliveira. Por exemplo, se alguém me dissesse que o jogador brasileiro José de Oliveira marcou um golo na final do mundial eu ficaria espantado e diria: «Não sei quem é esse jogador, em que clube ele joga?»; mas se me dissessem que o jogador Bebeto marcou um golo na final do mundial eu não ficaria espantado e saberia quem é. Na verdade estes dois nomes referem-se à mesma pessoa.
Prosseguindo, durante o tempo dos Descobrimentos os Europeus quando chegaram a terras novas e da necessidade de contacto para com as pessoas locais latinizaram os seus nomes. Um desses exemplos é o do Rei do Congo, de seu nome original Nzinga a Nkuwu mas rebaptizado de João I. Quando nos referimos a Nzinga a Nkuwu ou João I do Congo estamos a denotar ou seja a referirmo-nos exactamente à mesma pessoa mas com nomes diferentes.

Porque é que me detive nestes exemplos? Porque muitas pessoas encontram afirmações dispersas ou variações de nomes dos demónios e se confundem pensando ser entidades diferentes, mas na verdade são exactamente as mesmas entidades só que as pessoas não sabem.

Mas então donde vêem esses nomes diferentes? Esses nomes vêem do facto dos Magos ao longo dos tempos e das culturas traduzirem os nomes das entidades com quem contactavam, para versões similares às da sua cultura. Por isso encontramos a mesma referência para certos demónios com nomes de origem Persa, ou Grega, ou Latina. Decidi esclarecer isto, visto ser uma confusão frequente quando se usa o nome de demónios de fontes diferentes.

Fiz este diagrama para exemplificar o que é a Hierarquia Horizontal e Vertical no que diz respeito às Entidades.

 A escolha da entidade é fundamental. Contudo, é preciso aqui esclarecer três pontos:
  1. Diz respeito à hierarquia das próprias entidades. Cada entidade está posicionada segundo uma hierarquia, quando nós encontramos os nomes descritos nos livros sobre as entidades, geralmente apresentam a hieraquia em que está inserida. As hierarquias estão divididas em posições horizontais e verticais. Agora, quando um Mago diz vamos trabalhar com a entidade X ou Y, em verdade não se está a trabalhar directamente com essa entidade mas com um subalterno por assim dizer, a não ser que se decida trabalhar com a própria entidade líder da hierarquia. Imaginemos que alguém vai a um consultório de advogados que tem o nome pomposo Z. A pessoa não vai ser representada pelo advogado Z a não ser que o peça explicitamente sabendo que para isso vai ter de pagar mais pelos seus serviços do que se fosse representado por um advogado que trabalha para o consultório Z. Contudo, se o consultório Z está horizontalmente mais bem conoctado do que o consultório W, então pode acontecer que um dos advogados do consultório Z seja mais bem pago do que o próprio director do consultório W, para melhor entender isso fiz um pequeno diagrama para procurar explicar isso.
  2. Relacionado com o primeiro ponto, deve-se entender que mesmo que não seja a Entidade líder de uma hierarquia a realizar o trabalho, a não ser que assim o seja exigido, não é a entidade subalterna que aparece na conjuração, mas o topo da sua hierarquia. Imaginemos que se vai conjurar Astaroth para um trabalho complexo de Amarração, onde não é o próprio Astaroth quem vai realizar o trabalho, mas na conjuração o conjurado deve ser o líder da hierarquia e neste caso com quem o Mago intervem é com o próprio Astaroth mesmo que não seja ele a realizar o trabalho. Até porque o Mago quando estabelece um Pacto Tácito com as entidades, o faz com o Líder da Hierarquia e não com os subalternos. Por exemplo, imaginemos que uma empresa de comércio quer construir uma Mega Superfície Comercial, abre um concurso e escolhe uma Grande Empresa de Construção Cívil, essa empresa de comercío vai negociar com os responsáveis dessa Grande Empresa de Construção Cívil, mas não são esses com quem negoceiam quem vai construir a Mega Superfície Comercial, tanto que essas Grandes Empresas de Construção Cívil recorrem a várias empresas como subempreitadas para realizar o trabalho. Por isso, é que mesmo nos pactos parciais que os comendadores podem realizar eles estabelecem o pacto com o líder da hierarquia mesmo que não seja esse quem lhes vai realizar o trabalho e cumprir o acordo estabelecido.
  3. Deve-se procurar fazer o máximo com o mínimo. Com isto quero dizer que na escolha da Entidade, se o alvo parecer não oferecer grande resistência, e se o trabalho que o comendador pede não for complexo mas simples não há necessidade de perder tempo e recursos em por exemplo usar o próprio Astaroth em pessoa para a realização do trabalho. Por isso quando digo que se deve procurar fazer o máximo com o mínimo quero dizer que deve-se procurar alcançar sempre os melhores resultados mas com o mínimo possível para o fazer e que não comprometa o resultado final. Como se costuma dizer não se mata uma mosca com uma caçadeira.

Uma vez com estes pontos entendidos, podemos passar ao próximo passo a saber os recursos que serão dados à entidade. Cada entidade, com respeito à sua posição na hierarquia tem um preço à cabeça diferente (digo assim para simplificar)
Então as variáveis dos recursos oferecidos à entidade variam consoante cinco variáveis:

  1. A própria entidade. Com isto refiro-me à sua posição na hierarquia, cada entidade exige ou pede coisas diferentes. Imaginemos que um Mago pretende A. O mesmo A numa entidade de hierarquia superior consome mais recursos do que com uma entidade menor. Contudo, o Mago pode ter mais garantias com a entidade superior do que com a menor.
  2. O tipo de trabalho. Cada trabalho difere em função dos intervenientes, do fim a que se destina e da própria natureza de tipo de trabalho.
  3. A força que se pretende projectada pela entidade na realização do mesmo.
  4. A finalidade que se pretende alcançar, pois podem existir dois trabalhos que podem caber dentro de uma mesma categoria mas com finalidades diferentes.
  5. A resistência que se pode prever da parte do alvo. Às vezes é preciso reconjurar e gastar mais recursos pois a estimativa da resistência pode não se confirmar correcta. Um procedimento com sucesso e se o comendador aceitar é a realização de um pacto parcial.
Fiz este esquema para melhor explicar a Conjuração por Mediação.

Agora, quando os detalhes da Amarração são resolvidos procede-se aos detalhes que são próprios da Conjuração. A Conjuração de Amarração ou Conjuração da Magia do Amor pode ser desenvolvida de três formas diferentes:
  1. Conjuração Complexa: esta conjuração dispensa a mediação do Comendador, para poder dispensar a mediação do Comendador ela é mais forte e mais trabalhosa.
  2. Conjuração por Mediação: esta conjuração é a mais comum, pois poupa recursos tanto ao Mago como ao Comendador. A Mediação é necessária na medida em que se estabelece um vínculo entre o Comendador e a Entidade facilitando o processo de aproximação da mesma ao Comendador. Mais à frente irei explicar o que é este processo.
  3. Conjuração por Mediação com Pacto Parcial (que já em cima mencionei): esta conjuração é similar à anterior, a diferença encontra-se que além do pagamento que o Mago deve fazer à entidade, este é reforçado por um Pacto Parcial entre o Comendador e a Entidade. Isto faz com que o trabalho seja mais forte, e tem a nunca de que o Pacto Parcial só fica válido depois da Entidade realizar aquilo que o Comendador deseja, caso contrário o pacto é nulo. Este tipo também é realizado para se reforçar um trabalho já previamente feito.

Este post já vai longo no próximo irei esclarecer melhor a continuação dos posts já publicados nomeadamente no processo entre a interação da entidade, do comendador e do alvo no desenrolar da amarração.


5.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 2: História das Amarrações - Magia do Amor)

Tendo no post anterior introduzido de forma simples alguns dos pressupostos para toda esta série de posts. Será agora importante uma contextualização da Amarração, não só no contexto actual, mas também dentro da história da própria Magia. Aproveito desde já para actualizar os livros e fontes que disponibilizo para Download, pois neste e nos posts subsequentes irei colocar algumas fontes que me parecem importantes para quem quiser ler, estudar ou melhor se informar.

Tal como havia referido em um post anterior, a Magia Cerimonial hoje practicada tem origem nas Tradições Mágicas Antigas. Estas tradições têm origens muito remotas desde as antigas civilizações. Todavia, os primeiros registos históricos que hoje nos chegam datam da entitulada Antiguidade Clássica. Deste um dos mais importantes são os antigos papiros Egípcios.

A História da Magia do Amor já vem relatada no Antigo Egípcio, os Egípcios recorriam às Entidades para alcançarem os seus desejos Afectivos. Encontrando-se ai fontes dos rituais Mágicos por eles utilizados, que curiosamente apresentam uma estrutura similar à que hoje em dia se pratica.

Contudo, as fontes mais interessantes e detalhados sobre a história da Magia do Amor encontram-se no princípio da Tradição Helénica, e da Cultura Greco-Latina mais tardia. Nestas fontes encontramos não só rituais devidamente descritos, bem como os fundamentos que subjaziam a esse rituais, assim como o entendimento social desse tipo de Magia na Sociedade. Curiosamente, alguns dos mitos que hoje encontramos, já se encontravam presentes em preconceitos gregos sobre essa própria Magia.

Um desses preconceitos dizia respeito ao facto de serem apenas as Mulheres a recorrer a tais recursos em ordem a conquistar os seus entes amados. Contudo, uma investigação muito interessante pelo Prof. Dickie revela que os homens recorriam tanto a esses feitiços como as mulheres. Recomendo a leitura deste artigo: «DICKIE, M. "Who practised love-magic in classical antiquity and in the late Roman world?" In: The Classical Quarterly, Cambridge Journals, 50, 2000, pp. 563-583.».

É importante ter em conta que a língua Grega distingue três palavras específicas para a nossa palavra Amor. Para além das típicas combinações, os Gregos não utilizavam o termo e não pensavam o conceito como nós. Então de forma simples os Gregos consideram três conceitos:

  1. Philia (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor de Amizade ou de filiação, desta palavra chega-nos de forma imperfeita na nossa linguagem os conceitos de amizade a algo, como por exemplo: Columbofilia, Algofilia, etc.)
  2. Eros (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor Sexual ou todos os aspectos da sexualidade mas intrinsecamente ligadas ao Amor, como por exemplo a descrição em Língua Portuguesa de Sexo como «Fazer Amor» ou «Relação Amorosa». Este termo está presente na nossa linguagem como: Erotismo, Erótica, etc.)
  3. Ágape (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor Perfeito ou Puro. Neste termo encontra-se o amor de reciprocidade, de uma amor que representa fidelidade, altruismo, entrega total, amor genúino e puro. Infelizmente este termo não se encontra presente na nossa linguagem, e quando aparece está ligado ao contexto religioso cristão, como por exemplo naquele livro pateta que podemos encontrar em qualquer livraria ou na estante da Fnac de um Padre vestido de Franciscano.)

Agora, o leitor pode estar a questionar-se sobre o porquê de ser importante expor estes termos. A resposta a isso prende-se com a importância de compreender melhor a Amarração no contexto Helénico, bem como o de ser uma alavanca para a sua compreensão hoje em dia.

Por conseguinte, agora podemos entender que a Magia do Amor nos seus primórdios Helénicos encontra o seu contexto de inteligibilidade nestes três conceitos. E mesmo estes conceitos foram sofrendo diferentes entendimentos ao longo da história Grega e da nossa. Como já mencionei em cima, as diferentes religiões Cristãs aproveitaram-se esta divisão conceptual para difundir as suas crenças sobre um Amor Divino e um Amor Terreno, tal como para demarcar o que os homens deveriam seguir. Mas o mais importante é que toda a Magia do Amor subsequente encontra nestes ritos a sua origem.

Contudo, antes de avançarmos será importante ver como estes três conceitos tiveram impacto na História da Magia Cerimonial Helénica.

Comecemos pelo conceito de Eros (que já em cima resumi), durante o período clássico ele tanto foi entendido como uma força poderosa que curava e que permitia aos homens elevarem-se, assim como foi entendido como uma doença e um veneno do qual deviam de se abster (interpretação dada e seguida ao longo da história por parte do Cristianismo que procurou reprimir o prazer da sexualidade). Este Eros não era considerado somente no abstracto, mas no concreto na realidade do amante (entendido como aquela que projecta amor) e do amado (entendido como aquele que recebe e pode ou não corresponder ao Eros do amante). Um desses exemplos e um livro clássico da nossa cultura como da Magia é o Fedro de Platão (carregar no link para aceder a ele). Ao contrário daquilo que o senso-comum nos informa sobre o dito «Amor Platónico», a saber, uma versão naive e errónea daquilo que realmente encontra-se descrito em Platão, para este é uma força poderosa que está ligada principalmente à ética e ao idealismo Platónico. Nesse livro, poderão encontrar uma narração bastante interessante sobre um amante e um amado (na história ambos do sexo masculino) mas que pode ajudar a melhor compreender como era o Eros concebido em mais detalhe naquele tempo.

Contudo, aquilo que pretendo chamar à atenção é nesta polaridade do conceito de Eros, que simplificando tanto podia ser uma cura como uma doença. Similar ao termo grego Pharmakoi, do qual herdamos a palavra fármaco ou medicamento, que tem um duplo sentido em Grego, ao contrário do nosso. Pois este termo Grego tanto significa literalmente cura como veneno.

Por conseguinte, estamos aptos a perceber o porquê de na história da amarração e da Magia do Amor, nos ritos Gregos encontramos o Eros como uma Doença e a Magia do Amor uma maldição, coisa que infelizmente ainda hoje perdura granças ao preconceito Cristão que tomou esta doutrina para condenar as Amarrações e Magia do Amor. Por outro lado, também encontramos nos ritos Gregos o Eros como saudável e a Magia do Amor como uma Cura ou um Fortalecimento. Neste último sentido, as Amarrações não eram condenadas e procuradas como forma de se encontrar cura para a nossa existência, e assim uma vida mais feliz. Recomendo para quem desejar aprofundar este tema a leitura do capítulo 8, páginas 214-234 deste livro, basta carregar no link: «OBBINK, D. (ed.) - Magika Hiera: Ancient Greek Magic and Religion. Oxford: Oxford University Press, 1991.»

Prosseguindo, deste Eros vem um dos tipos de amarração (este tópico será desenvolvido em subsequentes posts) que infelizmente anda muito desinformado, chamado de Domínio Sexual. Este tipo de amarração visava não manter uma relação amorosa estável com o Alvo (como no ágape), mas apenas alcançar o objectivo de se conseguir uma relação erótica com alvo. Importa sublinhar que neste contexto, os ritos e as descrições mágicas dos mesmos não comportavam exclusivade, ou seja, não visavam que a pessoa alvo à qual o comendador desejava manter relações sexuais fosse somente fiel ao comendador. Para quem desejar aprofundar parte deste tema recomendo a leitura das páginas 41-94 deste livro, basta carregar no link: «FARAONE, C. - Ancient Greek Love Magic. Cambridge: Harvard University Press, 1999.»

Por outro lado, a partir do philia surge um tipo de amarração bem diferente daquilo que vulgarmente hoje se entende. Esta trata-se de uma Amarração de Amizade ou Amarração de Afectos. O objectivo desta, era a criação de um laço profundo de amizade e de afeição que podia ou não originar uma relação sexual ou uma relação amorosa, mas que tinha como fim último uma aproximação entre pessoas diferentes e a cessação de hostilidades entre elas. Os termos clássicos podiam ser conceptualmente traduzidos como «suavizar os corações» ou «ligar o que anda distante». Secalhar atrevo-me a traduzir para os dias de hoje como uma Amarração Soft. Um vínculo perpetuo de amizade, entreajuda e cumplicidade. Para quem desejar aprofundar parte deste tema recomendo novamente a leitura do mesmo livro mas nas páginas 97-131, bastando carregar no link do livro:«FARAONE, C. - Ancient Greek Love Magic. Cambridge: Harvard University Press, 1999.»

Por último, a partir do Ágape surge aquilo que mais se assemelha ao entendimento geral de amarração. Esta tratava-se de criar um vínculo afectivo perfeito entre o alvo e o comendador. Ou seja, criar a possibilidade de uma verdadeira relação amorosa. Contudo, este tema vai ter de ser tratado em mais detalhe nos subsequentes posts.

Finalmente queria chamar à atenção para uma bom livro para melhor se compreender a História da Magia durante este periodo. A saber, este livro do Prof. Dickie, bastando carregar no link do livro: «DICKIE, M. - Magic and Magicians in the Greco-Roman World. Nova Iorque: Routledge, 2001».





Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 1: Introdução)

Neste grupo de posts procurarei informar e responder à maioria das questões que me têm sido feitas sobre a Amarração ou Amarrações, um tipo de Magia de Amor que é conhecida deste a antiguidade como o Feitiço do Amor. Por uma questão de simplificação ao longo destes posts vou designar toda esta realidade por Amarração, por ser a designação mais frequente na Língua Portuguesa.
Ao início procurarei usar o método de Pergunta-Resposta como se de uma FAQ se tratasse. Contudo, uma vez alguns pressupostos tratados irei trabalhar por temas e não por questões.
Por uma questão de simplificação quando me refirirei a casos de amarração ou outros temas (assim como a imagens ou esquemas explicativos) irei tratá-las como entre pessoas de sexos diferentes. A amarração existe entre pessoas do mesmo sexo, e para que fique claro, rejeito veemente qualquer tipo de preconceitos homofóbicos.

1. Será que Amarração, Amarrações, Magia do Amor, Feitiço do Amor, Magia Erótica, Feitiço Erótico, União Amorosa, Laço Amoroso, etc... é tudo a mesma coisa?

Para simplificar, todos estas designações referem-se à mesma realidade Mágica. A diferença algumas vezes encontra-se no tipo de Magia do Amor. Contudo todas elas estão por assim dizer dentro da mesma categoria. Por uma questão de simplificação ao longo destes posts vou designar toda esta realidade por Amarração, por ser a designação mais frequente na Língua Portuguesa.

2. O que é uma Amarração? Por outras palavras o que é a Magia de Amor?

A Amarração ou Magia do Amor é um tipo de Magia que é practicada em ordem a unir duas pessoas, sendo elas de sexos diferentes ou não. Existem diferentes tipos de uniões que mais adiante explicaremos. Contudo, o importante aqui a reter é que por recurso à Magia uma pessoa pretende cativar outra pessoa para um relacionamento amoroso de reciprocidade, noutros casos trata-se de um relacionamento puramento sexual, mas o fundamental é a tentativa de um vincúlo passional que vai unir a pessoa amarrada àquela que deseja a amarração.

Sendo que isto é possível através da mediação de um Mago(a) e das «Entidades» que tornam isto possível.

3.  Quem são os intervenientes no processo de Amarração?

O primeiro interveniente é o Comendador do Trabalho. O Comendador do Trabalho é aquela pessoa que deseja a amarração. Isto é, que deseja auxílio não natural para conquistar ou iniciar um relacionamento amoroso com outra pessoa.

O segundo interveniente é o Alvo do Trabalho. O Alvo do Trabalho é a pessoa que vai estar sobre o efeito da amarração. Isto é, aquela que é desejada pelo Comendador do Trabalho, aquela que ele deseja amarrar a si.

O terceiro interveniente é o Mago(a). O Mago é a pessoa que vai ser o mediador para que a amarração venha a surgir. Isto é, aquela pessoa que irá ser contactada pelo Comendador do Trabalho em vista a alcançar o objectivo que pretende neste casso a Amarração. O Trabalho do Mago para além de orientar e guiar o Comendador é o de ser ele a intervir junto das Entidades para que o Trabalho Mágico aconteça.

O quarto interveniente é a Entidade. A Entidade é a «pessoa» que vai fazer com que o trabalho seja possível. Vai ser ela que por vários meios irá procurar vincular o Alvo ao Comendador, em ordem a que a Magia seja realizada.

Esquema Explicativo dos Intervenientes e do Processo de Amarração. + Malleus Maleficium


P.S: Aqui para me libertar da contaminação teológica, irei utilizar o termo «Entidade». Contudo, a expressão mais vulgar é demónio, espírito, anjo, etc...

30.10.12

Preparação de um Amuleto Pendente - Preparação para uma Conjuração Parte 7

Como se observa em praticamente todos os livros das Artes, um instrumento valioso para qualquer Mago é o Pendente, ou também se poderá dizer o Amuleto (Talismã). Este artefacto Mágico tanto serve para a conjuração em si, não só para protecção do Mago, bem como para o diálogo com o Espírito Invocado. Nos Livros Negros, como o Lemegeton, vem de forma bem clara que o Mago tem de usar o Selo, gravado no Pendente, do Demónio que pretende conjurar, caso contrário este não cederá aos intentos do Mago. E para quem já experimentou, as Entidades são muito sensíveis no que toca aos seus selos e à forma como estes são empregues pelo Mago. Por isso, se há elemento que não pode ser ignorado por alguém que comece a iniciar-se nas artes é o Pendente.

Escusado será explicar, que o Pendente não deverá ser usado por motivos estéticos e, que este só deve ser colocado na Preparação de uma Conjuração, ou na própria Conjuração.

Existem variadíssimos Pendentes: segundo os Ritos Astrológicos, segundo os Ritos Angélicos, segundo os Ritos Herméticos e segundo os Ritos Negros. Cada qual tem o seu modo de preparação, assim como cada qual tem os seus próprios materiais. Como se pode observar tanto nas Claviculas como nos Grimoriuns, estes podem ser de Cobre, Estanho, Ferro, Bronze, Chumbo, Ouro, Prata e Mercúrio. Este último, o Mercúrio não pode ser transformado em Pendente por razões óbvias, por isso os Magos Contemporâneos têm nos elaborado com Alumínio.

Quando comecei, deparei-me com o problema de que não tinha nenhuma forja em casa, nem ferramentas apropriadas para gravar estes materiais. Recorri naquela altura de forma subtil aos meios que me eram próximos, sem grande sucesso no princípio, pelo que ainda me recordo bem das minhas pesquisas na literatura de forma a encontrar um meio viável de prosseguir os meus intentos. Recordo-me de o meu mestre me ter ensinado que bastava um pouco desse material no Pendente e que este de forma alguma teria de ser maciço. Pelo que ele me havia alertado para várias passagens nos Grimoriuns que referem o uso de Pendentes feitos de Cera. Apesar da minha obstinação, pelo facto de o meu Mestre ter os dele maciços e também eu querer uns iguais para mim, lá me resignei e comecei por fazer os meus primeiros em cera, coisa que ainda faço apesar de já possuir os meus Pendentes em metal (não maciços mas com um núcleo da matéria principal), que mais tarde colocarei um post de como os preparar.

Por conseguinte, podemos encontrar no livro de Abramelin, ou no livro Manual de Munique: Magia Demoníaca, ou no livro Liber Juratos, ou no Grimoirium Imperium referências aos Pendentes de Cera, assim como nos livros dos Anjos (Magia Branca) como o Liber Angelis.

Em verdade, não existe nada de mal com os Selos e Pendentes de Cera. Este é um  material que é empregue pela sua pureza e propriedades mágicas em vários ritos, desde para fazer estátuas, imagens e até mesmo anéis (como vem citado no Hygromanteia), o que permitiu resolver o meu dilema passado em realizar os tão necessários Pendentes.

Com respeito à preparação é fácil, foi preciso algum treino para eu começar a fazer as coisas direitinhas, mas qualquer pessoa será capaz de o fazer.

Ingredientes:

  1. Resina;
  2. Cera de Abelha Genuína (nada de mistura de vela, parafina ou cetina (substância proveniente da baleia que também serve para fazer cera para velas).
  3. Folha de Ouro, ou Folha de Ouro de imitação (opcional).
Preparação:

Então, começa-se por colocar a resina no almofariz, e com pilão começa-se a bater até formar um pó fino. Como vão ver é fácil de se o fazer, e vai ficar um pó amarelado.

Depois de a resina estar em pó, derrete-se a Cera de Abelha. E coloca-se a resina em pó junto da cera derretida e depois começa-se a mexer bem até toda a resina ficar derretida com a cera e formar um composto homogéneo. Este composto formará uma cera mais rígida, o que é perfeito para se gravar.

De seguida, despejar a cera num molde. Contudo, eu prefiro fazer outra coisa. Eu aqueço água num bule de chá redondo que tenho, e para ai despejo a cera. A água afunda-se e a cera fica a boiar. Quando a mistura arrefecer, a cera irá formar um disco redondo perfeito. O truque está que se tirarmos logo a cera ela vai-se partir, por isso eu coloco o bule no congelador, e deixo estar uns minutos. A cera contrai-se no congelador e sairá de forma perfeita sem se partir.

Depois, de a cera estar pronta e termos um disco perfeito, limpa-se bem com um pano ou com papel absorvente, e deixa-se a secar um pouco. É nessa altura que se começa a gravar no Pendente com o selo que pretendermos, neste exemplo aqui gravei um Selo de Salomão. Atenção, convém gravar o selo com a cera fria, pois se se deixar esta estar muito tempo nas nossas mãos, vai começar a ficar mais mole.

Para quem desejar, pode usar folha de ouro, ou então folha de ouro de imitação. Neste selo aqui como era para uma das minhas experiências, utilizei folha de ouro de imitação. Escusado será dizer que deve-se começar por experimentar com as nossas próprias mãos em materiais mais pobres e só quando se adquirir alguma prática se passa a usar materiais mais nobres.

Então para este Pendente, antes de aplicar a folha de ouro, tive o cuidado de deixar secar muito bem a cera.

Depois comecei por aplicar a folha de ouro de imitação com muito cuidado, usando para isso um cotonete. Depois de a folha de outro começar a assentar, convém pressionar levemente com o polegar em toda a superfície. Basta isso, pois o calor da nossa mão é suficientemente moderado para derreter ligeiramente a cera e fazer com que a folha de ouro fique presa, este método é mais seguro do que um que inicialmente utilizei recorrendo a um candeeiro que tinha com uma lâmpada daquelas amarelas que aquece. Depois volta-se a pressionar, passa-se novamente com um cotonete para tentar corrigir imperfeições.

Por último, é somente realizar todas as purificações prescritas, assim como consagrá-lo no tempo devido do fim para que se destina o Pendente, assim como da entidade a que o pendente se refere.

24.10.12

Preparação de uma Varinha para Magia Cerimonial de Conjuração - Preparação para uma Conjuração (Parte 6)

Uma das ferramentas essenciais na Magia de Conjuração Cerimonial é a varinha. Este instrumento Mágico é o prolongamento das ordens de comando do Mago sobre as entidades que são conjuradas. As Clavicula Salomoni, prescrevem vários materiais para a sua realização. Hoje em dia possuo dois tipos de varinhas, uma para as Artes Negras feita de Ébano e outra feita de Aveleira para outro tipo de entidades e de trabalhos.

Neste post vou mostrar uma das primeiras varinhas que fiz, que foi durante a mesma altura da realização do Círculo Mágico que aqui já mostrei.

Esta varinha foi feita por mim há já vários anos, quando me iniciei nas Artes. Para isso não precisava de algo muito trabalhoso e dispendioso, quem começa a aprender deve começar por ferramentas simples. Da mesma maneira, algum aluno que comece a aprender um instrumento em concreto, começa por instrumentos mais baratos e só depois é que irá adquirir e usar instrumentos mais precisos e valiosos. Apesar de tudo, esta varinha foi me de grande utilidade e ainda a conservo apesar de lhe ter deixado de dar uso.

O modo de preparação é simples, fui a uma loja que vendia bengalas e pedi para comprar a estrutura básica de uma bengala em pinho com cerca de um metro de comprimento sem punho. Depois levei a bengala a um marceneiro e pedi que fizesse uma peça simples em madeira para servir de punho. Se não estou em erro o total que gastei foram 20€.

Depois segui o Rito segundo a Arte de Trithemius, mas em vez de colocar o «Ego alpha et omega» como expliquei no Post do Círculo Mágico decidi incorporar a palavra «Azot» à volta da varinha, para significar a mesma coisa, mas de forma mais pura. Uma vez decidido o esquema do que iria fazer marquei tudo com lápis e gravei a quente, tendo aplicado depois no fundo da gravação uma tinta prateada. Terminei o trabalho passando com verniz e pregando de forma simples com um prego o punho à estrutura da bengala.

Escusado será dizer que todos os materiais necessários, desde o prego, a tinta, a máquina para gravar a quente, o lápis e até o martelo que usei para pregar o punho foram todos aspergidos, fumegados e purificados segundo o ritual da Clavicula. Porém, o esquema de consagração que se seguiu uma semana depois da elaboração da varinha, que a partir daí deixou de ser bengala, foi o Rito segundo a Arte de Trithemius.

Já há muito que deixei de usar esta varinha. Ela é boa para iniciação, e não foi uma ferramenta mágica que tenha saído cara a sua realização. Além do mais, é algo de fundamental que nenhum Mago pode dispensar. Hoje possuo duas diferentes, mas para alguém se iniciar esta serve bem as suas funções.


Preparação do Óleo (ou Unguento) das Artes Negras - Magia Negra

O Óleo (ou Unguento) das Artes Negras são utilizados para dois fins. O primeiro é para trabalhos negros como por exemplo: imprecações, pregações e contaminações. O segundo é para a realização dos Pactos Negros, ou para rituais em que tem de se estar diante de um Demónio ou Espírito Impuro. A maioria dos ingredientes usados neste preparado, costumam ser os habituais em preparações para rituais mais específicos. Em particular, um dos ingredientes, a saber o verbasco (para saber mais), parece conferir às Artes Negras um auxílio na sua dimensão invocacional. Todo este preparado aumenta a capacidade para coagir as forças que são conjuradas. Contudo, se não pretende usar o Óleo nas Artes Negras para conjurar Demónios e Espíritos impuros recomendo que não coloque Verbasco.
 
Todavia, se pretende fazer algum mal a um seu inimigo, recorrendo a uma pregação ou imprecação, então deve ungir e aspergir com este óleo o rito material, para infligir grande dor no seu alvo. Para conjuração, o próprio Mago deve ungir-se com o Óleo, assim como aos materiais da preparação (por exemplo as velas, a varinha ou a faca sacrificial). O unguento também poderá servir para criar uma barreira extra no seu círculo Mágico.

Ingredientes:

  1. Patchouli (costumo mandar vir do Brasil);
  2. Raiz de Valeriana
  3. Sementes de Mostarda Preta;
  4. Musgo Espanhol (ou também conhecido como Barba de Velho, arranja-se cá em Portugal, mas é uma espécie especifica);
  5. Verbasco;
  6. Enxofre;
  7. Nove grãos inteiros de pimenta preta;
  8. Azeite q.b. (geralmente uso um copo de água);
  9. Cânfora (opcional).
Preparação:

Junta-se no almofariz uma colher de café de Patchouli, Raiz de Valeriana, Verbasco, Sementes de Mostarda Preta. Depois esmaga-se tudo muito bem com o pilão. Uma vez tudo bem esmagado coloca-se dentro do recipiente de vidro. Depois coloca-se metade de uma colher de chá de enxofre. E abana-se o frasco de vidro. Depois adiciona-se o Azeite e o musgo espanhol (sem ser esmagado) e mexe-se um pouco. Terminado este processo deixa-se a descansar por uma semana num local escuro, mas tendo o cuidado de pelo menos uma vez ao dia ir mexendo o frasco. Passada essa semana, existem Magos que colocam Cânfora no Óleo para evitar que este fique rançoso, contudo pessoalmente não me importo que os Unguentos fiquem nesse estado devido à sua própria natureza. Independentemente se coloca cânfora ou não, terá de colocar na mistura os nove grãos de pimenta preta esmagados e reservar por mais três dias.

Consagração:

A consagração do Óleo Negro é relativamente fácil, bastando conjurar alguma entidade negra menor na Sexta-Feira entre as 23h e a meia-noite. Pedindo a sua intercessão para que as forças impuras carreguem este Unguento em todos os intentos do Mago, que lhe prestem todo o tipo de auxílio e que o guardem de todo o erro.

23.10.12

Realização do Círculo Mágico da Arte - Preparação para uma Conjuração (Parte 5)

Como já referi no post anterior, para a realização de Magia Cerimonial de Conjuração é necessário um Círculo Mágico. Nest post vou mostrar como fiz um dos meus primeiros círculos há vários anos atrás. Mostro este porque é relativamente simples de ser feito, e bom para iniciados.

Então o desenho que utilizei foi este aqui (que já mostrei no post anterior): 


Por conseguinte, uma vez com o desenho e para manifestar esta Magia na nossa realidade concreta, tive de procurar tudo o que era necessário para a sua realização. Para isso, comecei por ir comprar uma lona de algodão. O algodão também serve para o efeito pretendido, contudo os materiais mais nobres são o linho ou carpete. Na altura, por não poder despender de muitos recursos económicos optei pelo algodão, e para alguém se iniciar não é preciso investir assim muito dinheiro. O que agora uso, um círculo bastante diferente em lona de Linho para Alta Magia Negra, custou-me há uns anos cerca de 650€ só o tecido. Contudo, em algodão se a memória não me atraiçoa foi qualquer coisa como 40€.

Então, nessa altura comprei lona de algodão com 1.8m por 2.4m, o que era o tamanho necessário para trabalhos sobre quatro paredes, além de ser o tamanho que cabia na sala de magia do sítio onde na altura morava.

Depois fui comprar tinta preta acrílica, vários pincéis, cordel e fita autocolante para pinturas. Em todo o material que utilizei, aspergi, fumeguei e purifiquei segundo os ritos do Clavicula Salomonis. E juntei todo o material em frente de uma vela consagrada, e rezei as orações próprias de consagração e purificação.

Depois passei à purificação do tecido, tendo colocado Óleo de Abramelin (mais à frente colocarei um post sobre a importância e preparação de Óleo de Abramelin) nos quatro cantos do tecido, mais nos quatro cantos dos pontos cardinais a virem ser desenhados no tecido. Depois queimei ólibano e mirra e levantando o tecido fui fumegando por cerca de uma hora, de maneira a que estes odores mágicos de purificação se fossem entranhando no tecido.

Durante o processo de realização do círculo apenas tinha vestido uma túnica branca devidamente consagrada, isto porque teria de estar agachado sobre o tecido pelo que teria de tocar no tecido, e arruinaria o projecto tocá-lo sem antes eu próprio estar purificado e alvo, assim como o tecido sobre mim.

Depois com o auxílio da fita autocolante, também ela purificada, ia colocando sobre o tecido não só para auxiliar nas pinturas, mas principalmente para nessa fita fazer as inscrições a lápis para depois em cima fazê-las mais direitinhas com o pincel.

Depois com o auxílio de um cd que tinha por casa; que também ele foi fumegado e purificado, pois o seu uso apenas que simples, sem as devidas preparações, poderia ter arruinado todo o projecto, utilizei para fazer os cantos interiores da cruz com forma circular.   

Uma vez tendo terminado o processo, peguei em todos os instrumentos consagrados, atei-os e coloquei dentro de um saco de tecido de algodão que previamente comprei para quando preciso de deitar fora as ferramentas. Como se sabe, os materiais consagrados não podem ser deitados para o lixo como fazemos com os restos da comida. Ou se queimam, ou se enterram em locais próprios. Como na altura não tinha uma lareira para os queimar, e como na altura também morava no centro da cidade, não podia fazer uma fogueira na rua, então de noite levei-os para o terreno de um cemitério nas redondezas da cidade e ali enterrei-os a uma boa profundidade. Só mais tarde vim a saber, que também os poderia ter deitado ao Rio ou então enterrado-os num sitio mais seguro para mim, a saber numa propriedade onde estivesse uma Igreja presente.

Uma semana depois do Círculo Mágico preparado, chega a altura em que se vai consagrar o próprio Círculo em si. Isto é um longo processo, como vem bem descrito no Clavicula Salomonis, mas como tinha em mente este Círculo Simples vir a ser usado na minha iniciação à mais Pura Magia Negra, então tive no ritual de consagração no mesmo, beber uma mistura profana de sangue de boi (comprado num talho) com vinho tinto e sal. Foi talvez a pior altura de todo o processo, porque é algo que me repugna, mas na Magia Negra temos de ter a capacidade de fazer sacrifícios, e alguns deles (até os mais fáceis) são termos de fazer coisas que nos repugnam à mente e aos sentidos.

Uma vez o processo completado, no dia seguinte alinhei o Círculo na minha pequena Sala Mágica, com o auxílio de uma bússola para os pontos cardinais correctos. E acendi uma vela consagrada para Este. Nessa noite realizei um pequeno Rito Cerimonial de conclusão de todo o processo, pedindo protecção e luz para todas as Artes que ali viria a realizar, sem que as trevas do engano me pudessem comprometer.  

Depois dessa parte do processo ter sido completada, e como me destinava a ali realizar Magia Negra, tive de fazer três Pentagramas em placas de madeiras. Dois destinavam-se à colocação das Velas Consagradas no Círculo. O terceiro destinava-se para colocar o fogareiro a carvão para as fumegações necessárias na Magia Cerimonial. Para isso comprei três placas de madeira simples com 15 cm de diâmetro. Hoje utilizo em ébano. Neles desenhei um pentagrama com o auxílio de um compasso e de um transferidor. Gravei os desenhos a quente recorrendo a um instrumento eléctrico para fazer gravações a quente de uma pessoa conhecida. Utilizei uma versão dos Diagramas Mágicos prescritos para aquele pentagrama, uma versão Negra. Uma vez com essa parte feita, apliquei um verniz e um revestimento final. O final do processo foi a consagração final que só fiz na noite seguinte.

Todo o processo levou-me cerca de duas semanas a completar. A parte mais chata do processo é quando temos de ser meticulosos em colocar a geometria direitinha, e se temos em vista Magia Negra, o Rito do Mago Negro (a parte de beber o preparado dito «vermelho»).
Este círculo é simples, portátil e mais barato que os normais, é uma boa Peça de Magia indispensável a quem pretende seguir estes Mistérios. Foi me de grande utilidade, e ainda o conservo. Mesmo não possuindo a habilidade de certos Magos para o desenho perfeito e para um traço fino, volto a dizer que o mais importante é a fidelidade e a concentração a todo o ritual.