27.9.12

Sobre o Pseudomonarchia Daemonum (Libber Officiorum spirituum) (Parte 2)

 Na obra de Weyer estão presentes variações dos nomes de muitos demónios, revelando isto que ela foi redigida mais ou menos na altura em que Weyer leu as Clavículas de Salomão, cerca do ano de 1563.

Infelizmente, Weyer deixou uma nota ao leitor em que admite ter omitido muitas passagens do texto original, de forma a deixar impraticável o livro. Um estudo realizado por Boudet, inclui uma comparação detalha de dois textos da época, em que revela que a obra de Weyer já vem cortada desde o princípio,  e que essa informação diria respeito a Lucifer, Belzebu, Satan e aos quatro demónios dos pontos cardinais (Cf. BOUDET, J. - Les who's who démonologiques de la Renaissance et leurs ancêtres médiévaux. In: Mediévales, nº 44, 2003, pp. 117-140) Além disso, o ritual no fim do Pseudomonarchia é muito menor que o presente no Liber Consecrationum (Cf., KIERCKHEFER, R. - Forbidden Rites: a Necromancer's Manual of the Fifteen Century. The Pennsylvania State University Press: University Park, 1998, pp. 256-276). Por último, o próprio texto de Weyer apresenta sinais de abreviação.



Já é reconhecido desde à muito que a obra de Weyer apresenta similaridades com o primeiro livro do Lemegeton, a saber, o Ars Goetia, que corresponde de forma aproximada ao catálogo de Demónios de Weyer, apesar que no texto de Weyer não apareçam selos demoníacos, e os demónios invocados o sejam por uma simples conjuração, e não pelo completo rito do Lemegeton.


Contudo, a diferença mais relevante entre a obra de Weyer e o Ars Goetia encontra-se na ordem dos espíritos. Até agora não encontrei explicação para essa diferença, nem nos autores nem nas minhas próprias conclusões; é quase como se um baralho de cartas tivesse sido baralhado. Acrescente-se a isso que no Ars Goetia estão presentes mais quatro demónios.

Todavia, outra pequena singularidade pode ser de maior significância, a saber, que o quarto demónio presente na obra de Weyer, isto é, Ruflas (ou Bufas), foi acidentalmente deixado de lado na célebre tradução para Inglês de Reginald Scot (encontrado no seu muito racional «Descoberta da Magia» de 1584). Outra explicação pode ser o facto deste demónio não se encontrar na obra de Weyer numa edição que possa ter sido utilizada por Scot para traduzir o texto. O que é curioso sobre esta ausência de Pruflas (ou Bufas) é que é o único demónio que não consta da lista do Lemegeton. A vantagem deste enigma é que ele poderia ser resolvido, caso fosse encontrada uma edição específica que introduzisse este defeito. É que a resolver este enigma, estaríamos aptos a também corrigir, ou precisar melhor, a data da composição do Ars Goetia na sua presente forma.



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