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22.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 16: Post conclusivo, alertas, recomendações Amarração - Magia do Amor)

Chegámos ao fim da série de posts sobre amarrações. Apesar disso muito ficou por escrever e por dizer. Nos livros que estou a escrever e que infelizmente estão mais atrasados do que aquilo que desejava, a parte que diz respeito às amarrações é somente técnica, pois os fundamentos da magia estão descritos anteriormente. Se observarem nesta série de posts no meio da parte técnica tive de colocar fundamentos teóricos, pois sem os fundamentos teóricos os aspectos técnicos podem ser impercéptiveis e aspectos importantes a ser compreendidos podem passar despercebidos.

Todo o conteúdo destes posts será colocado por ordem ascendente numa página que criei neste menu aqui de cima com o título: Amarrações. Foi uma excelente recomendação de um leitor para que seja mais fácil a consulta sequencial de toda a informação que aqui coloquei, desde já o meu agradecimento por esta sugestão.

Espero que esta série tenha ajudado os leitores a melhor perceberem a Magia dos Relacionamentos, nomeadamente a Magia das Amarrações. Ao longo desta série de posts fui desmistificando uma série de mitos relacionadas com as amarraçõs que povoam o senso-comum desinformado das pessoas.

As Amarrações e Magia do Amor funcionam na realidade. Contudo, tenho encontrado muitas pessoas que comigo vêm ter já totalmente descrentes nas possibilidades da Magia, nomeadamente no que diz respeito às Amarrações.Creio que esta descrença surge de dois factores:
  1. Dentro do ramo das ditas «ciências ocultas» e dentro destas o sub-ramo da Prática Mágica, existem muitos burlões, existem muitas pessoas que não sendo burlões não têm formação e conhecimento suficiente para praticarem rituais de forma correcta, e em verdade, só conheço em Portugal cerca de três dúzias de pessoas que realmente praticam Magia.
  2. O facto de uma Amarração bem sucedida não ser alvo de publicidade, mas antes exigir silêncio e descrição. Sendo a única publicidade existente aquela que resulta dos fracassos e não dos sucessos. Quando a Amarração alcançar o seu fim, as pessoas devem guardar silêncio até dos Alvos do trabalho feito, e depois por uma questão de estigma social ninguém anda por ai a dizer que mantém um casamento ou um namoro porque fez uma Amarração. O silêncio é ao mesmo tempo fundamental para a Amarração, mas prejudicial para a forma como as pessoas vêm as Amarrações. Por outro lado, considero que aqueles testemunhos que se podem observar em certos sites são fraudulentos. Quem se Amarra com sucesso deve guardar silêncio sobre o que fez, até do facto de procurar o serviço deve guardar silêncio, e quando obtiver aquilo que deseja deve permanecer em silêncio.
    As pessoas nem imaginam a quantidade de relações felizes que por ai vemos que são fruto de Amarrações e de Magia.

Relacionado com o ponto (1.), e com a descrença das pessoas face a este tipo de Magia, resulta das imensas ofertas de Amarrações e do facto delas serem fraudulentas. Como expliquei ao longo deste posts existem algumas formas das pessoas perceberem se estão a ser enganadas. Vou repetir aqui algo que já expliquei:

  1. É o mito de que a Magia e consequentemente as Amarrações são como Fast Food. Magia não é Fast Food. Ou seja, quando realizada não existem resultados imediatos e instantâneos, Magia e por conseguinte a Amarração demora tempo a operar até se alcançar o objectivo pretendido. Infelizmente as pessoas não têm paciencia e querem resultados em tempos absurdos como 2 Dias ou 15 Dias. Por isso é que tantas são enganadas por anúncios que prometem trazer o seu amor de volta em tão curto espaço de tempo. Como se costuma dizer: «A pressa é inimiga da perfeição».
  2. É o mito de que a Magia é Milagreira. A realização da Magia não é a realização de Milagres. A Magia tem limites e fronteiras. Este mito está intrinsecamente relacionado com o anterior. Nomeadamente, no que diz respeito às Amarrações ou Magia do Amor há certas coisas que são impossíveis de se alcançar. Por conseguinte, as Amarrações têm também elementos necessários para se obter sucesso, um deles é o Comendador e o Alvo conhecerem-se pessoalmente. Existem muitas pessoas que são enganadas porque lhes prometem em 5 dias obter uma amarração com «celebridades» da TV que nunca as viram na vida. Uma amarração não funciona sem ter havido contacto entre Alvo e Comendador, por conseguinte não é possível que uma pessoa que nunca tenha conhecido minimamente o George Clooney possa obter aquilo que pretende com uma Amarração.


Agora se juntarmos a estes dois mitos aquilo que as pessoas querem e pensam que é e não é então podemos melhor compreender porque é que existem tantos casos defraudados nas Amarrações. E isto deve-se a três factores que as pessoas desejam e projectam na Amarração e que ficam decepcionadas quando lhes digo que a coisa não é bem assim, as amarrações fraudulentas costumam apresentar estes factores:
  1. Quanto mais rápido melhor, então se for em uma semana ainda melhor;
  2. Quanto menos trabalhoso melhor, então se a pessoa não tiver de fazer rigorosamente nada e esperar que tudo lhe caia de bandeja ainda melhor;
  3. Quanto mais milagroso melhor.
São estes os três factores responsáveis por haverem tantas Amarrações defraudadas. Regra geral as pessoas querem Amarrações em tempo Record, sem lhes dar trabalho, e sem ouvirem falar em obstáculos ou dificuldades ao processo.
Tive uma vez uma senhora que recomendada por outra pessoa veio ter comigo. Ela desejava uma Amarração mas exigia que acontecesse em 1 Semana, com uma série de condições sobre o Alvo. Eu disse à senhora que isso era impossível. Ela ficou chateada pelo meu «não» e disse-me que havia outras pessoas que entre 2 a 7 dias traziam de volta o Amarrado. Eu disse duas coisas à senhora: a primeira é que iria certamente ser enganada, e a segunda que dentro em breve nos iriamos ver.
Acontece que essa senhora foi procurar os serviços de 4 pessoas diferentes que prometiam os resultados milagrosos, todos falsos, depois veio ter comigo e vive hoje com o marido. 

Por último devo salientar para quem desejar alguns livros que podem ser uma mais valia na compreensão das Entidades e como elas agem em nós.

Quando comecei a ser um formando do meu Mestre uma das coisas que ele me obrigou a ler foi os grandes livros clássicos do Misticismo. Estes livros escritos pelos grandes mestres da mística, e não confudamos mística com vidências ou energias, eram o resultado de uma série de grandes pessoas ao longo da história de diferentes confissões religiosas e outros nem religiosos eram, que tinham uma grande sensibilidade para as moções e as experiências espirituais. Estes mestres escrevem como é óbvio no contexto de que fazem parte. Mestre Eckhardt escreve no seu contexto Católico e Jalāl Balkhī escreve no seu contexto islâmico. Mas o meu mestre era unânime, estas pessoas notáveis ao longo da história foram aquelas que conseguiram compreender como nós somos estimulados pelas Entidades, e subsequentemente aprendermos como elas agem em nós. Isso percebe-se quando nós lemos estes grandes mestres. 

Recordo-me que no final da tarefa, na altura enfadonha de ler aqueles místicos quando pensava que o meu Mestre me iria por a ler todos os Grimoiriuns, eu percebi o porquê do meu Mestre me ter exigido aquilo. E hoje, agradeço cada vez mais as opções que o meu Mestre tomou para a minha formação e estou-lhe muito grato.

Para os Comendadores costumo em certos casos recomendar um livro, que apesar de ser um livro sério mascarado de ficção é um excelente resumo da acção das entidades em nós, e para quem já leu os clássicos vai perceber que a estrutura de fundo do livro é similar à história da Mística.
Esse livro tem de títulos em língua portuguesa os seguintes: «Vorazmente teu», «Cartas do Inferno», «Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz». Contudo, o título original do livro que aqui deixo à vossa disposição é «The Screwtape Letters».
O autor é o C.S. Lewis, o mesmo dos livros e agora filmes das Crónicas de Narnia pelo qual ele é mais famoso. Contudo, apesar disso ele era um Cristão acérrimo, professor universitário, apologista cristão que neste livrinho que vos recomendo poe em contexto contemporâneo a história e a forma como as Entidades trabalham em nós. Devo desde já avisar que este livro é uma ficção, as «Entidades» não têm sobrinhos ou tios e não andam em escolas para aprender a chatear os «humanos», mas aquilo que desejo que tenham em conta é a forma subtil como as entidades nos movem através de tentações, desejos e moções da nossa mente. É claro que só recomendo este livro a quem queira começar por algum lado. Mas aviso desde já que este livro é ficção, mas é uma boa metáfora explicativa.
Para quem quiser ler este livro que recomendo basta carregar neste link: LEWIS, C. - The Screwtape Letters. Nova Iorque: Harper Collins, 1941.

Qualquer dúvida, pergunta ou esclarecimento não hesite em contactar.

21.2.13

Actualização da Lista de Livros para Download

Chegados aqui e como tal havia dito coloco aqui alguma bibliografia que vem no seguimento de melhor esclarecer coisas que expliquei ao longo destes posts, assim como actualizar a página de Bibliografia/Downloads que já há muito desejava. Infelizmente, não tive o tempo desejado para o fazer.

No seguimento daquilo que havia dito sobre a origem da explicação das Entidades com Impregnação Religiosa recomendo este livro: WRAY, T.; MOBLEY, G - The Birth of Satan: Tracing the Devil's Biblical Roots. Nova Iorque: Palgrave Macmillan, 2005.








No seguimento da sugestão anterior, e na história da concepção das Entidades como Anjos Caídos distintos dos Anjos fieis a Deus recomendo este livro: JONES, D - Angels: a History. Oxford: Oxford University Press, 2010. (password é abc)













Para quem desejar aprofundar os seus conhecimentos na História da Magia de bases Cabalísticas, é importante que leia este livro sobre Zohar um dos mais importantes trabalhos presentes na Cabala. Já há muito que queria ter colocado aqui este livro mas não tinha tido ainda oportunidade, virei a escrever um post só sobre Zohar. Recomendo então este livro: WOLFSON, E. - Luminal Darkness: Imaginal Gleanings from Zoharic Literature. Oxford: One World, 2007.





No seguimento do estudo e aprofundamento das raízes da Magia, como por várias vezes já tive oportunidade de dizer o período Renascentista é um verdadeiro ponto de viragem. No sentido de aprofundar os fundamentos filosóficos destes Magos e deste período recomendo vivamente este livro: YATES, F. - The Occult Philosophy in the Elizabethan Age. Nova Iorque: Routledge, 2004.





Do mesmo autor, deste livro aqui em cima apresentado, disponho também uma obra muito interessante sobre o movimento do Rosacruz e dos seus manifestos. Aviso desde já o leitor que isto não trata aquilo que a «New Age» chama de Rosacruz ou as Teorias da Conspiração envolvidas à volta da história deste movimento. Este livro trata da origem e verdadeiro entendimento deste movimento o próprio autor diz: «‘Rosicrucian’ in this purely historical sense represents a phase in the history of European culture which is intermediate between the Renaissance and the so-called scientific revolution of the seventeenth century. It is a phase in which the Renaissance Hermetic-Cabalist tradition has received the influx of another Hermetic tradition, that of alchemy. The ‘Rosicrucian manifestos’ are an expression of this phase, representing, as they do, the combination of ‘Magia, Cabala, and Alchymia’ as the influence making for the new enlightenment.» Com isto em mente, recomendo vivamente este livro: YATES, F. - The Rosicrucian Enlightment. Nova Iorque: Routledge, 2003.


No seguimento das minhas sugestões sobre uma melhor comprensão da Magia através da aprendizagem da sua história, e acerca do período Renascentista, recomendo este livro: WALKER, D. - Spiritual & Demonic Magic: from Ficino to Campanella. University Park: Pennsylvania State University Press, 2000.







Outro grande livro que recomendo, apesar de este que aqui vos coloco à disposição só ter uma versão scanizada em que o livro não se encontra em perfeito estado. Contudo, o livro está perfeitamente legível, apesar de ser um pouco antigo é uma excelente referência. BUTLER, E. - Ritual Magic. Cambridge: Cambridge University Press, 1949.

6.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 3: História das Amarrações - Magia do Amor, Idade Média)

Tendo visto de forma simples a história da Amarração ou da Magia do Amor na Grécia Antiga, iremos agora avançar para o período medieval e renascentista. Com respeito ao último post perguntaram-me sobre a mesma Magia no mesmo periodo histórico mas noutras culturas, nomeadamente nas culturas Orientais. Aproveito agora para responder que infelizmente apenas sei coisas soltas sobre as velhas tradições Mágicas Orientais. Nunca me debrucei muito sobre essas tradições Mágicas. Tenho alguns bons livros sobre essas tradições, que mal tenha um pouco mais de tempo irei colocar à disposição para Download. Assim como não tão oriental mas próximo do Médio Oriente, irei colocar fontes das tradições Persas e Mesopotâneas, que foram em parte quem trouxe muitos conhecimentos Mágicos para a Grécia.

Por uma questão de simplificação vamos considerar a Idade Média como tendo ínicio após a Queda de Roma no ano de 476dc e tendo o seu fim com a queda de Constantinopla em 1453. Também por simplificação vamos considerar o Renascimento como o período que vai desde a queda de Constatinopla até ao século XVII. Logo neste post vamos cobrir este período histórico.


Infelizmente desde a Queda de Roma até ao Renascimento, sendo que este último foi um dos periodos mais férteis da História da Magia, assiste-se a uma carência de informação sobre a transição dos Ritos Mágicos Helénicos até aos Ritos Mágicos Renascentistas que são aqueles que tomam a forma mais similar com aquilo que hoje em dia se pratica. Aquilo que temos actualmente ao nosso dispor são pontas soltas. Contudo, essas pontas soltas são em número suficiente para termos uma boa imagem da História da Magia do Amor durante aquele período.

Durante o período da Idade Média, poucos eram aqueles que sabiam ler e escrever, por causa disso muitas das informações que temos vêem da parte de membros da Igreja Católica que praticavam Magia Cerimonial. Por isso, em parte o que sabemos vem destas fontes.

No que diz respeito às Amarrações e à Magia do Amor,  observamos que existem algumas coisas que se mantêm desde o período Helénico e outras que se alteram. Como havia mencionado no post anterior, novamente as mulheres são victímas do estereótipo e mito de serem as responsáveis pela práctica e desenvolvimento deste tipo de Magia.

Por outro lado, um impulso dado nos Ritos de Amarração ou de Magia do Amor acontece com a obra de São Cipriano, onde começa a surgir uma sistematização de vários Ritos Gregos e Egípcios, tendo como fim último a Amarração de Ágape, aquela que é similar ao entendimento comum de hoje em dia. E é com base nesta sistematização de São Cipriano que encontramos vários ritos e notas ao longo da subsequente história medieval, como por exemplo a do Monge Alemão Jonas Sufurino no ano de 1001.

Ao mesmo tempo, observa-se a um renovamento da Amarração de Eros, tendo o fim último de apenas se alcançar relações sexuais. Estes ritos ganham nova forma na Idade Média, e os seus relatos e ritos escritos dizem respeito a Monges e membros do Clero Católico. Poder-se-ia dizer que o fim último destes ao recorrerem a este tipo de Magia era o de Flertarem (perdoem-me o neologismo). É interessante observar que este uso da Magia de Amor surge num contexto muito diferente daquele donde teve a sua origem. Em certos estratos e pontos da Cultura Grega assistia-se a uma liberalização da sexualidade sendo nesse contexto o surgimento de vários relatos da Amarração de Eros. O que agora é curioso na Idade Média Cristã é o ressurgimento e reforço desta prática Mágica, mas agora num contexto em que a sexualidade é reprimida.

É interessante também se observar que a Amarração ou a Magia do Amor é um dos princípais alvos por parte da Inquisição sobre quem pratica as Artes, como se observa numa nota de 1627 em Veneza por parte do tribunal da Inquisição. Para mais detalhes pode-se ver no seguinte livro nas páginas 80-82, basta carregar no link: «Davies, O - Grimoires: A History of Magic Books. Oxford: Oxford University Press, 2009»

Contudo, deste último ponto é importante salientar que surge um novo tipo de Amarração, ou mais precisamente, não um novo tipo mas uma nova finalidade. A ideia que hoje temos de casamento (ou matrimónio num paradigma cristão), tem a sua origem com a evolução do cristianismo. Por isso, na Idade Média começa-se a assistir a amarrações com o objectivo último de salvar casamentos. Apesar de a questão do divórcio ser quase nula durante aquele período, o objectivo era salvar a relação e não evitar o divórcio como infelizmente hoje acontece. Um desses relatos, chega-nos de uma Maga (ou Bruxa para quem preferir) de nome Elisabete que procura recuperar a relação amorosa com o seu marido Teodorico. Contudo, como anteriormente havia referido não eram só as mulheres que praticavam a Amarração, mas os homens igualmente o faziam. Para mais detalhes sobre este tema, recomendo a leitura da página 187-188 do seguinte livro, basta carregar no link: «LÁNG, B. - Unlocked Books: Manuscripts of Learned Magic in the Medieval Libraries of Central Europe. University Park: Pennsylvania State University Press, 2008».

Ao mesmo tempo, começa-se a observar o uso da antiga Amarração Grega baseada na Philia (que expliquei no post anterior), a saber, uma amarração para criar um vínculo de amizade, mas desta vez com fins políticos. Existem relatos de que o Rei Polaco Augustine Sigismund (1520-1572), seria alvo deste tipo de trabalhos para se obter favores políticos com recurso a influências femininas. Para se ver fontes diversificadas sobre este tema basta carregar neste link: «Brzeżinska, A. - “Female Control of Dynastic Politics in Sixteenth-Century Poland"». E neste link: «Brzeżinska, A. - “Political Significance of Love Magic Accusations at the Jagiellonian Court”»

Então, deixa de ser praticada a Amarração de Afectos com o fim de «suavizar os corações» ou «ligar o que anda distante» para ser agora uma forma de vínculo a melhor se conseguir algo de um determinado alvo.

É no final do Renascimento com o surgimento dos Grimoriuns (com a forma actual com que se apresentam) que as Amarrações ou Magia do Amor foram  consolidadas.

Muito mais haveria para se dizer sobre este e o período da Antiguidade Clássica. Contudo, estes posts procuram ser simples. Em princípio não irei tratar o periodo histórico subsequente até aos nossos dias, visto já serem muito similares com o que hoje praticamos. Para mais informações este próximo livro também é interessante, basta carregar no link: «SZEGHYOVA, B. - The Roles of Magic in the Past. Bratislava: Pro Historia, 2005».




5.2.13

Amarração ou Amarrações : Feitiço e Magia do Amor - Tudo aquilo que precisa de saber (Parte 2: História das Amarrações - Magia do Amor)

Tendo no post anterior introduzido de forma simples alguns dos pressupostos para toda esta série de posts. Será agora importante uma contextualização da Amarração, não só no contexto actual, mas também dentro da história da própria Magia. Aproveito desde já para actualizar os livros e fontes que disponibilizo para Download, pois neste e nos posts subsequentes irei colocar algumas fontes que me parecem importantes para quem quiser ler, estudar ou melhor se informar.

Tal como havia referido em um post anterior, a Magia Cerimonial hoje practicada tem origem nas Tradições Mágicas Antigas. Estas tradições têm origens muito remotas desde as antigas civilizações. Todavia, os primeiros registos históricos que hoje nos chegam datam da entitulada Antiguidade Clássica. Deste um dos mais importantes são os antigos papiros Egípcios.

A História da Magia do Amor já vem relatada no Antigo Egípcio, os Egípcios recorriam às Entidades para alcançarem os seus desejos Afectivos. Encontrando-se ai fontes dos rituais Mágicos por eles utilizados, que curiosamente apresentam uma estrutura similar à que hoje em dia se pratica.

Contudo, as fontes mais interessantes e detalhados sobre a história da Magia do Amor encontram-se no princípio da Tradição Helénica, e da Cultura Greco-Latina mais tardia. Nestas fontes encontramos não só rituais devidamente descritos, bem como os fundamentos que subjaziam a esse rituais, assim como o entendimento social desse tipo de Magia na Sociedade. Curiosamente, alguns dos mitos que hoje encontramos, já se encontravam presentes em preconceitos gregos sobre essa própria Magia.

Um desses preconceitos dizia respeito ao facto de serem apenas as Mulheres a recorrer a tais recursos em ordem a conquistar os seus entes amados. Contudo, uma investigação muito interessante pelo Prof. Dickie revela que os homens recorriam tanto a esses feitiços como as mulheres. Recomendo a leitura deste artigo: «DICKIE, M. "Who practised love-magic in classical antiquity and in the late Roman world?" In: The Classical Quarterly, Cambridge Journals, 50, 2000, pp. 563-583.».

É importante ter em conta que a língua Grega distingue três palavras específicas para a nossa palavra Amor. Para além das típicas combinações, os Gregos não utilizavam o termo e não pensavam o conceito como nós. Então de forma simples os Gregos consideram três conceitos:

  1. Philia (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor de Amizade ou de filiação, desta palavra chega-nos de forma imperfeita na nossa linguagem os conceitos de amizade a algo, como por exemplo: Columbofilia, Algofilia, etc.)
  2. Eros (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor Sexual ou todos os aspectos da sexualidade mas intrinsecamente ligadas ao Amor, como por exemplo a descrição em Língua Portuguesa de Sexo como «Fazer Amor» ou «Relação Amorosa». Este termo está presente na nossa linguagem como: Erotismo, Erótica, etc.)
  3. Ágape (que pode ser conceptualmente traduzido por Amor Perfeito ou Puro. Neste termo encontra-se o amor de reciprocidade, de uma amor que representa fidelidade, altruismo, entrega total, amor genúino e puro. Infelizmente este termo não se encontra presente na nossa linguagem, e quando aparece está ligado ao contexto religioso cristão, como por exemplo naquele livro pateta que podemos encontrar em qualquer livraria ou na estante da Fnac de um Padre vestido de Franciscano.)

Agora, o leitor pode estar a questionar-se sobre o porquê de ser importante expor estes termos. A resposta a isso prende-se com a importância de compreender melhor a Amarração no contexto Helénico, bem como o de ser uma alavanca para a sua compreensão hoje em dia.

Por conseguinte, agora podemos entender que a Magia do Amor nos seus primórdios Helénicos encontra o seu contexto de inteligibilidade nestes três conceitos. E mesmo estes conceitos foram sofrendo diferentes entendimentos ao longo da história Grega e da nossa. Como já mencionei em cima, as diferentes religiões Cristãs aproveitaram-se esta divisão conceptual para difundir as suas crenças sobre um Amor Divino e um Amor Terreno, tal como para demarcar o que os homens deveriam seguir. Mas o mais importante é que toda a Magia do Amor subsequente encontra nestes ritos a sua origem.

Contudo, antes de avançarmos será importante ver como estes três conceitos tiveram impacto na História da Magia Cerimonial Helénica.

Comecemos pelo conceito de Eros (que já em cima resumi), durante o período clássico ele tanto foi entendido como uma força poderosa que curava e que permitia aos homens elevarem-se, assim como foi entendido como uma doença e um veneno do qual deviam de se abster (interpretação dada e seguida ao longo da história por parte do Cristianismo que procurou reprimir o prazer da sexualidade). Este Eros não era considerado somente no abstracto, mas no concreto na realidade do amante (entendido como aquela que projecta amor) e do amado (entendido como aquele que recebe e pode ou não corresponder ao Eros do amante). Um desses exemplos e um livro clássico da nossa cultura como da Magia é o Fedro de Platão (carregar no link para aceder a ele). Ao contrário daquilo que o senso-comum nos informa sobre o dito «Amor Platónico», a saber, uma versão naive e errónea daquilo que realmente encontra-se descrito em Platão, para este é uma força poderosa que está ligada principalmente à ética e ao idealismo Platónico. Nesse livro, poderão encontrar uma narração bastante interessante sobre um amante e um amado (na história ambos do sexo masculino) mas que pode ajudar a melhor compreender como era o Eros concebido em mais detalhe naquele tempo.

Contudo, aquilo que pretendo chamar à atenção é nesta polaridade do conceito de Eros, que simplificando tanto podia ser uma cura como uma doença. Similar ao termo grego Pharmakoi, do qual herdamos a palavra fármaco ou medicamento, que tem um duplo sentido em Grego, ao contrário do nosso. Pois este termo Grego tanto significa literalmente cura como veneno.

Por conseguinte, estamos aptos a perceber o porquê de na história da amarração e da Magia do Amor, nos ritos Gregos encontramos o Eros como uma Doença e a Magia do Amor uma maldição, coisa que infelizmente ainda hoje perdura granças ao preconceito Cristão que tomou esta doutrina para condenar as Amarrações e Magia do Amor. Por outro lado, também encontramos nos ritos Gregos o Eros como saudável e a Magia do Amor como uma Cura ou um Fortalecimento. Neste último sentido, as Amarrações não eram condenadas e procuradas como forma de se encontrar cura para a nossa existência, e assim uma vida mais feliz. Recomendo para quem desejar aprofundar este tema a leitura do capítulo 8, páginas 214-234 deste livro, basta carregar no link: «OBBINK, D. (ed.) - Magika Hiera: Ancient Greek Magic and Religion. Oxford: Oxford University Press, 1991.»

Prosseguindo, deste Eros vem um dos tipos de amarração (este tópico será desenvolvido em subsequentes posts) que infelizmente anda muito desinformado, chamado de Domínio Sexual. Este tipo de amarração visava não manter uma relação amorosa estável com o Alvo (como no ágape), mas apenas alcançar o objectivo de se conseguir uma relação erótica com alvo. Importa sublinhar que neste contexto, os ritos e as descrições mágicas dos mesmos não comportavam exclusivade, ou seja, não visavam que a pessoa alvo à qual o comendador desejava manter relações sexuais fosse somente fiel ao comendador. Para quem desejar aprofundar parte deste tema recomendo a leitura das páginas 41-94 deste livro, basta carregar no link: «FARAONE, C. - Ancient Greek Love Magic. Cambridge: Harvard University Press, 1999.»

Por outro lado, a partir do philia surge um tipo de amarração bem diferente daquilo que vulgarmente hoje se entende. Esta trata-se de uma Amarração de Amizade ou Amarração de Afectos. O objectivo desta, era a criação de um laço profundo de amizade e de afeição que podia ou não originar uma relação sexual ou uma relação amorosa, mas que tinha como fim último uma aproximação entre pessoas diferentes e a cessação de hostilidades entre elas. Os termos clássicos podiam ser conceptualmente traduzidos como «suavizar os corações» ou «ligar o que anda distante». Secalhar atrevo-me a traduzir para os dias de hoje como uma Amarração Soft. Um vínculo perpetuo de amizade, entreajuda e cumplicidade. Para quem desejar aprofundar parte deste tema recomendo novamente a leitura do mesmo livro mas nas páginas 97-131, bastando carregar no link do livro:«FARAONE, C. - Ancient Greek Love Magic. Cambridge: Harvard University Press, 1999.»

Por último, a partir do Ágape surge aquilo que mais se assemelha ao entendimento geral de amarração. Esta tratava-se de criar um vínculo afectivo perfeito entre o alvo e o comendador. Ou seja, criar a possibilidade de uma verdadeira relação amorosa. Contudo, este tema vai ter de ser tratado em mais detalhe nos subsequentes posts.

Finalmente queria chamar à atenção para uma bom livro para melhor se compreender a História da Magia durante este periodo. A saber, este livro do Prof. Dickie, bastando carregar no link do livro: «DICKIE, M. - Magic and Magicians in the Greco-Roman World. Nova Iorque: Routledge, 2001».





29.10.12

Bibliografia Actualizada

Venho informar que a secção de Bibliografia/Downloads foi actualizada com os seguintes volumes. Dentro em breve será novamente actualizada com novos volumes.



A Chave para as Clavículas de Salomão (The Key to Solomon's Key, Duquette)


The Keys to the Gateway of Magic, Summoning the Solomonic Archangels and Demon Princes, Skinner & Rankine, Golden Hoar Press


Grimoirium do Papa Honorius III (The Great Grimoire of Pope Honorius III, versão clássica)









O Goetia Luciferiano (The Luciferian Goetia, Ford)


The Baphomet Codex - Ego Diabolus (O Código de Bafomé) 


Baphomet Magie, Walter Jautschilk, Verlag 
 

A Modern Goetic Grimoire, Rufus Opus (Grimorium Moderno de Goetia)


Edição Especial do Goetia (recomendo esta versão melhorada do Goetia)


Aleister Crowley's Illustrated Goetia (O Goetia Ilustrado de Aleister Crowley) 


Pacts with the Devil: a Chronicle of Sex, Blasphemy and Liberation, Hyatt & Black


The Black Raven: the Three fold Coercion of Hell 


The Book of Black Magic and of Pacts: Including the Rites and Mysteries of Goetic Theurgy, Sorcery, and Infernal Necromancy, Waite 


The Book of Cerimonial Magic: the Secret Tradition in Goetia, including the Rites and Mysteries of Goetic Theurgy, Waite 


The Infernal Conjurations of the Notorious Grimoire of Honorius




Collectanea Hermetica, Westcott, Theosophical Publishing Society 



Dark Mirrors: Azazel and Satanael in Early Jewish Demonology, Andrei Orlov, State University of New York
 

25.10.12

Filosofia da Magia - Recensão do Livro «The Language of Demons and Angels: Cornelius Agrippa's Occult Philosophy» e Download

Talvez um dos maiores Magos de toda a História, e uma figura notável do Renascimento Alemão foi Heinrich Cornelius Agrippa Von Nettesheim. Actualmente é mais conhecido por Cornelius Agrippa. Infelizmente no mundo do Esoterismo e das Ciências Ocultas, faz-se um estranho dualismo entre as importantes obras de Agrippa para a Magia Cerimonial e a sua Filosofia e Pensamento. O porquê de para alguns Magos ser difícil aplicar os conhecimentos da Magia de Agrippa resulta do facto de estarem a ler apenas os seus Grimoiriuns como se de um livro de receitas se tratasse (erro muito frequente neste e noutros autores), negligenciando a importância de toda a sua obra Filosófica, Alquimica, Astrológica e Teológica. De todas elas, a mais importante é sem dúvida a sua obra Filósofica.

Por tudo isso, recomendo este excelente livro para os mais ávidos em conhecimento: «The Language of Demons and Angels: Cornelius Agrippa's Occult Philosophy». Este livro foi escrito pelo Professor Christopher Lehrich da Universidade de Boston, e procura responder ao porquê de Agrippa ter exercido uma influência tremenda no seu tempo ainda como tem no nosso. As conclusões do Professor Lehrich assentam na própria filosofia e bases fundamentais de Agrippa, a saber a sua formação Neoplatónica, que o comprometia numa distinção fundamental entre fé e razão; entre o estudo do divino (teologia fundamental) e o estudo das coisas criadas (teologia natural).

Agrippa considerava que as incertezas da revelação Cristã, não nos referimos aos Dogmas ou aos Artigos de Fé, deveriam ser objectos do debate teológico, pelo que pensava ser adequado acomodar textos mais esotéricos assim como estratégias interpretativas para melhor se abarcar o problema da existência. O Professor Lehrich também mostra nesta importante obra, que o divino ocupa um lugar central na principal Obra Mágica de Agrippa, isto é o «De Occulta Philosophia» (1533) através da noção de «cadeia de vivificação» que liga o natural, com o celestial e com o mundo divino.

Esta noção é desenvolvida pelo autor em mais detalhe no capítulo 2 sobre o mundo natural; no capítulo 3 sobre o mundo celestial; no capítulo 4 sobre a realidade divina. Estes três capítulos centrais estão enquadrados por um capítulo introdutório, em que se anuncia possíveis ramificações teoréticas para a história da religião, da filosofia e da Magia. A obra termina com um capítulo conclusivo que sumariza a coerência do projecto intelectual de Agrippa, assim como as suas implicações para a história das ideias no período pós-moderno como nos dias de hoje.


24.10.12

Magia Negra para se Ganhar Dinheiro e Ficar Rico - Recensão e Apresentação do livro «Financial Sorcery: Magical Strategies to Create Real and Lasting Wealth»

Já várias pessoas me questionaram se a Magia Negra não podia ajudar alguém a enriquecer. Em verdade, tal pode ser feito, contudo é um tipo de ritual que não aprecio. Para mim as Artes Negras têm valor pelas Artes que são, e por aquilo que nos ajudam a descobrir sobre a nossa realidade. Uma fonte de conhecimentos que nos está acessível, mas que é difícil de se alcançar. E esta fonte, assim como a praxis desta Arte é que carregam um tesouro muito mais valioso do que o dinheiro.

Os Magos não procuram as Artes para enriquecer, e isto pode ser contraditório quando fazemos trabalhos com as Artes para outras pessoas a troco de dinheiro. Contudo, ninguém enriquece com este tipo de trabalhos, eles permitem o nosso sustento assim como são um pretexto para nos encontrarmos com estas entidades. Quem vai ao seu encontro, apenas pelo encontro e sem um motivo sólido, geralmente acaba por perecer, por mais forte que seja, as Artes Negras também corrompem o Mago.

Assim como eu, todos os verdadeiros Magos que conheci são pessoas que levam vidas simples, não têm grandes luxos. Não procuram riqueza, não conduzem carros de alta cilindrada, não se vestem com roupas de marca, não comem em restaurantes de luxo e não fazem viagens paradisíacas. Em verdade, quase todo o dinheiro que não vai para a subsistência, uma subsistência simples, é gasto em materiais para as Artes, são nelas que depositamos os nossos «fundos», pois é para elas que entregamos a nossa vida.

Para responder às inúmeras questões que me têm sido feitas deixo aqui disponível para Download o livro de Miller, um Mago que conheço pessoalmente, e que publicou este livro neste Verão: «Financial Sorcery: Magical Strategies to Create Real and Lasting Wealth».

Existem inúmeros livros sobre Magia e Dinheiro, assim como feitiços que prometem mudar a vida financeira de uma pessoa apenas com um ritual. Contudo, não é isso que trata este livro. Aquilo que Miller procura responder é à questão de que a maioria das pessoas leigas interessadas em Magia costumam fazer, a saber: «Se a Magia é real, e se se podem lançar feitiços, porque é que então tu não és rico?». Eu já comecei por responder a esta questão logo no início deste post. Contudo, segundo Miller as pessoas interessadas no Oculto, e que não são verdadeiramente Magos, podem recorrer a uma estratégia Mágica para construirem o seu património. Mais do que um Grimoirium ou um livro de feitiços, este é um livro que conjuga Magia mas principalmente com Estratégia.

Para além disso, o que se destaca neste livro são conselhos práticos a nível fiscal, planeamento económico, técnicas de investimento, e procura de emprego. Essencialmente é um livro que combina um esboço de estilo de vida com Magia. Além disso, este livro possui ainda informação sobre como livrar-se de dívidas, testar ideias de negócios, gerir dinheiro, entrevistas para empregos e potencializar promoções.

Por último, deixo este livro para quem pretender. Contudo, para mim pessoalmente não é uma área que me agrade muito. Nunca procurei as Artes para enriquecer, mas para aprender. Quem realmente se incorpora nos Cultos Negros, irá compreender que existem coisas mais valiosas que o Dinheiro ou a Ostentação de Riqueza. Mas cada um é como cada qual, e a mim não me compete julgar ninguém. E por isso, nem posso negar o potencial da Magia para isto, nem posso negar que já ajudei pessoas neste campo. O Mago apenas serve os desejos daqueles que o procuram.